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AUSTRÁLIA A CAMINHO DE ENTRAR NA NATO

Secretário-geral da NATO com a ministra australiana da Defesa: uma parceria "para ser ampliada"

2019-08-19

Norman Wycomb, Londres; com Reseau Voltaire

Os secretários de Estado e da Defesa dos Estados Unidos, Michael Pompeo e Mark Esper, e o secretário-geral da Nato, Jens Stoltenberger, estiveram na Austrália nos primeiros dias de Agosto para programarem a entrada deste país na Aliança Atlântica.

A visita de duas das figuras mais influentes na política agressiva desenvolvida pela administração Trump relacionou-se igualmente com a forte possibilidade de a Austrália vir a ser um dos países onde serão instalados mísseis nucleares de médio alcance contra a China. As reuniões coincidiram com a confirmação da revogação pelos Estados Unidos do Tratado de Interdição de mísseis de curto e médio alcance baseados em terra (INF). Estes desenvolvimentos confirmam que o abandono do tratado não visa apenas a Rússia mas também a China. E que, ao contrário da propaganda montada por Washington, NATO e União Europeia, a retirada norte-americana do Tratado não teve nada a ver com uma suposta violação russa – nunca provada – mas com uma estratégia de reforço da componente nuclear no quadro de uma intensificação global da pressão militar e da corrida aos armamentos.

Bloco alargado contra a Rússia e a China

A notícia da provável integração da Austrália na NATO – um dispositivo que estende cada vez mais o domínio militar norte-americano sobre o mundo – foi dada em 12 de Agosto pelo jornal alemão Frankfürter Allgemeine Zeitung. No caso de a informação se confirmar ela virá alterar ainda mais a composição e o sentido original da NATO, até aqui associado às duas margens do Atlântico Norte – embora já extravasando-as. Poderá abrir caminho para uma integração do Japão na aliança e significará a criação de uma frente mundial sob controlo de Washington contra a Rússia e a China. Os desenvolvimentos na Ásia e Oceania são inseparáveis do reforço da NATO no Médio Oriente e na Eurásia, no Leste da Europa e também na América Central e do Sul.

A Austrália é ainda um domínio do Império Britânico. Os movimentos no sentido da separação da coroa inglesa através da proclamação de uma república foram fortes durante os anos noventa do século passado, mas têm vindo a esbater-se na sequência das guerras promovidas pelos Estados Unidos e pela NATO a seguir aos atentados de 11 de Setembro de 2001. 

Na lógica da militarização do planeta

Existem tropas australianas agindo sob comando norte-americano e da aliança no Iraque e no Afeganistão desde 2005, além de participarem também na operação Sea Guardian – “manter a consciência da segurança marítima, deter o terrorismo e reforçar as capacidades no Mediterrâneo Ocidental”, de acordo com o jargão da propaganda atlantista.

A Austrália tem também um gabinete na sede da NATO, em Bruxelas.

Em Fevereiro deste ano a Austrália assinou com a França um contrato para construção de 12 submarinos de nova geração e com eventuais capacidades nucleares, no valor de 50 mil milhões de dólares. Depois disso, em Abril, Camberra recebeu pela primeira vez a visita de um ministro da Defesa alemão, na circunstância Ursula von der Leyen, recentemente designada presidente da Comissão Europeia.

Ainda em Abril, a Austrália organizou as manobras regionais Indo-Pacific Endeavour, juntamente com a Índia, a Indonésia, a Malásia, Singapura, a Tailândia e o Vietname. A designação “Indo-Pacífico” contempla a designação da nova estratégia norte-americana para o controlo asiático, essencialmente contra a China, posta em prática pela administração Trump.

A integração na Austrália na NATO surge como uma evolução lógica de todos estes processos e também uma operacionalização formal das colaborações cada vez mais frequentes, integradas, duradouras e amplas à escala planetária.



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