O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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O CIDADÃO, A ESTATÍSTICA E A ASTRAZENECA

A confusão instalou-se. E os responsáveis, em vez de inocularem um pouco de lucidez para travarem uma inquietação cada dia mais desgovernada, fogem para a frente amparando-se em dogmas que, por muito correctos que sejam em termos estatísticos, permitem que a vida humana seja jogada em caprichos de roleta. As coisas estão, de facto, a correr mal com a vacina da AstraZeneca contra a Covid-19. Escondê-lo atrás da certeza fundamentalista de que o medicamento é “seguro e eficaz” e persistir na vacinação como se nada estivesse a acontecer é uma estratégia que cumpre efectivamente o preceito tecnocrático segundo o qual uma pessoa é apenas um número; mas atenta contra os direitos humanos.

BRUXELAS SACRIFICA SAÚDE PÚBLICA À GUERRA FRIA

O Departamento (Ministério) da Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos confirmou publicamente que realiza acções diplomáticas para dissuadir países de recorrerem a medicamentos produzidos por “Estados mal-intencionados” como a Rússia e a China. Um dos exemplos citados a propósito foi a intervenção para “persuadir o Brasil a rejeitar a vacina russa contra a Covid-19”. Não explicando tudo, um episódio como este ajuda-nos a entender as histórias mal contadas que envolvem os processos de vacinação às escalas nacionais, regionais e global – e que estão a custar vidas humanas, pelas quais ninguém será, obviamente, responsabilizado.

CONHEÇA O HERÓI RUSSO DA UNIÃO EUROPEIA

A União Europeia aprovou novas sanções contra a Rússia partindo do princípio de que a detenção em Moscovo de um indivíduo chamado Alexei Navalny é um atentado contra a democracia, os direitos humanos e outros valores que povoam os discursos de Bruxelas mas não correspondem à prática quotidiana. Valerá a criatura, a quem até já a Amnistia Internacional retirou o estatuto de “prisioneiro de consciência”, uma atitude tão drástica que poderá voltar-se contra os interesses dos cidadãos europeus? A seguir irá demonstrar-se que Navalny é um blogueiro de extrema-direita, xenófobo, nacionalista e populista de bom convívio com os fascismos, um oportunista e manobrador político mais ou menos insignificante na sociedade russa. Depois que cada um tire as suas conclusões sobre o que faz correr a União Europeia nesta cruzada contra a Rússia, cumprindo o papel que lhe foi atribuído no guião escrito em Washington.

A EUROPA ESTÁ SUBMETIDA A UMA CULTURA DE GUERRA

A NATO e a União Europeia são duas criaturas do Plano Marshall. Estão intrinsecamente ligadas, formando as duas faces de uma mesma moeda: o lado militar e o lado civil. A NATO, contudo, está num plano superior ao da União Europeia porque, segundo os tratados, deve garantir a sua segurança. Por isso os jogos de guerra e as campanhas de propaganda sobre as supostas “ameaças” externas tornaram-se o quotidiano dos cidadãos europeus, com ou sem crises pandémicas. As sociedades europeias vivem sob uma cultura de guerra, sugerindo a todo o momento uma necessidade de “protecção” permanente dos Estados Unidos.

A CONFISSÃO ASSUSTADORA DO PRIMEIRO-MINISTRO

O primeiro-ministro da República Portuguesa confessou numa declaração transmitida no dia 12 deste mês em jornais televisivos que o processo de vacinação contra a Covid-19 “está fora do nosso controlo”. Alvo de uma barragem de ataques, quantos deles despropositados e oportunistas, não consta, ao invés, que António Costa tenha sido sequer admoestado por admitir a mais grave situação que poderia existir em pleno combate à pandemia. Em causa está a saúde pública e também a própria essência do funcionamento do país como nação independente.

“NATO 2030”: QUANDO O AGRESSOR SE FAZ DE VÍTIMA

O relatório “NATO 2030: Unida para uma Nova Era”, elaborado por um conjunto de peritos fundamentalistas do belicismo convidados pelo secretário-geral, é um catálogo inquietante de reflexões atlantistas em que as ameaças e os preparativos de guerra – incluindo com meios nucleares – surgem apresentados como necessidades de defesa colectiva de uma entidade que se diz cercada por todos os lados. Segundo este cenário, a Rússia respondeu “com agressão” à “mão estendida” que a NATO lhe apresentou; e as actividades económicas e as tecnologias da China são “ameaças à segurança” dos aliados. Assim sendo, que venham mais mísseis e bombas nucleares para a Europa.

NATO E UNIÃO EUROPEIA POUPAM O NAZISMO NA ONU

É um assunto de extrema gravidade: com a mais absoluta discrição, os Estados membros da NATO e da União Europeia, o que naturalmente inclui Portugal, abstiveram-se nas Nações Unidas sobre o nazismo; uma vergonhosa confissão, enquanto a própria União Europeia vive dificuldades no seu funcionamento devido às emanações fascistas na Polónia, na Hungria e nos Estados bálticos, tratadas, com muito pudor, como “populistas”, “nacionalistas” ou “iliberais”. Na verdade, desde a Segunda Guerra Mundial, a CIA e depois a NATO reciclaram numerosos criminosos um pouco por todo o mundo, ultimamente nos países bálticos e na Ucrânia. Estes veiculam abertamente uma ideologia racial que, aliás, nunca abandonaram.

O CENTRO DO MUNDO DESLIZA PARA ORIENTE

A China, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália, a Nova Zelândia e os dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) assinaram a Parceria Económica Regional Abrangente (RCEP), o maior acordo comercial do mundo, um mercado integrado que envolve 30% da economia mundial e 2200 milhões de pessoas. Trata-se de uma grande plataforma que poderá intersectar-se com várias outras entidades regionais da geoeconomia mas também da geopolítica. A comunicação corporativa praticamente não deu por isso, a não ser para dizer que se trata de mais uma arma da China contra “o Ocidente”. Um “Ocidente” que continua a olhar-se como o centro do mundo – e a comportar-se colonialmente como tal. Enquanto ele, o centro do mundo, continua a deslizar inapelavelmente para Oriente.

PEQUIM E MOSCOVO NÃO ACERTAM HORAS POR WASHINGTON

Pequim e Moscovo não acertaram as suas horas pela de Washington durante os últimos tempos, como se fez nos subservientes países ocidentais. China e Rússia têm a sua parceria estratégica em funcionamento e seguem caminhos próprios que não estão à espera de “autorização” decorrente da “escolha” norte-americana. Enquanto decorria o duelo de sociopatas nos Estados Unidos, o Comité Central do Partido Comunista da China apreciou o plano quinquenal até 2025, decisivo no caminho do país para a autossuficiência económica ao mais elevado nível tecnológico. E o “pragmatismo” de Moscovo afinou-se em debates como alternativa aos reconhecidos fracassos neoliberais no Ocidente. São opções próprias que estão a traçar outros caminhos não coincidentes com os do decadente império.

O “ASSASSÍNIO” DE NAVALNY: UM GUIÃO SEM PÉS NEM CABEÇA

Alexei Navalny, o político fascista russo endeusado no Ocidente como uma grande figura da oposição a Putin – mas que está longe de tirar o sono ao Kremlin – sobreviveu miraculosamente ao mortífero veneno Novichok. Saiu-se tão bem como há dois anos o agente duplo Skripal, aparentemente são como um pero depois de ter sido dado como praticamente morto. Das três uma: ou Navalny e Skripal são super-homens, ou o Novichok perdeu potencialidades em termos de letalidade ou simplesmente nunca houve Novichok nestas histórias para entreter telejornais e alimentar a guerra contra a Rússia. Histórias mal contadas, que não têm factualmente pés nem cabeça, mas que são levadas a sério e podem gerar convulsões de consequências imprevisíveis. Assim funciona a propaganda que tomou as rédeas da informação.

NÃO, SENHOR EMBAIXADOR

Uma nota prévia: o semanário Expresso escolheu o embaixador dos Estados Unidos, um genuíno porta-voz de duas figuras comprovadamente irracionais como são Donald Trump e Michael Pompeo, para abrilhantar uma edição virilmente propagandeada como “histórica”. A comunicação corporativa que se autointitula “de referência” explicada assim por um dos seus expoentes à escala doméstica lusitana.

HIROXIMA E NAKASAKI: OS SOCIOPATAS CONTINUAM NO COMANDO

Hiroxima e Nagasaki foram actos de assassínio em massa premeditados e que inauguraram a utilização de uma arma intrinsecamente criminosa. Foram justificados por mentiras que constituem o fundamento da propaganda de guerra dos Estados Unidos no século XXI, lançando um novo inimigo e alvo – a China.

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