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MACRON, OU O GLOBALISMO FARDADO

Tropas nas ruas de Paris para dissuadir a adesão a manifestações

2019-04-01

Tom Luongo, Strategic Culture/O Lado Oculto

Poucas pessoas haverá neste mundo mais odiosas do que o presidente francês, Emmanuel Macron, depois do seu comportamento durante a semana passada. Certamente existem molestadores de crianças que são piores. Mas como uma pessoa essencial para o futuro de centenas de milhões de pessoas, a sua decisão de ordenar aos militares franceses que reprimam as manifestações dos Coletes Amarelos com munições reais é vergonhosa.

Macron destacou-se como verdadeiro símbolo do carácter que anima a elite globalista na qual se enquadra.

Desprezo

O desprezo que Emmanuel Macron tem pelas pessoas que dirige é palpável. Tão palpável como o seu desprezo pelos britânicos que votaram pela saída da União Europeia (Brexit). Para ele, a União Europeia é tudo, a UE é inevitável e quando tem pela frente uma escolha entre servir a França ou servir a UE, ele escolhe sempre a União Europeia.
Foi essa circunstância que o levou até à desastrosa decisão de colocar os militares franceses nas ruas, o que acontece pela primeira vez desde 1948, com ordens para disparar contra os manifestantes.
E esse desdém é tão pleno que não percebeu o que aconteceria se um desses homens fosse longe demais e acatasse as palavras do presidente. Felizmente isso não aconteceu.
Mas se isso acontecesse ele teria perdido completamente o controlo sobre o país, se é que ainda o tem.
As estimativas para o Acto XIX dos Coletes Amarelos, no último fim de semana, foram de mais de 125 mil pessoas em toda a França. Que as pessoas ao saír às ruas se arriscam a levar um tiro é situação que não se encara de ânimo leve.
É qualquer coisa vinda de um dirigente que é preciso levar muito a sério.
Porque o verdadeiro medo de Macron não é uma manifestação violenta que termine com manifestantes mortos a tiro. Não, o seu verdadeiro medo é dos protestos pacíficos.
Porque, Senhor Macron, o que acontecerá se os soldados colocados nas ruas para desencorajar essas manifestações virem em primeira mão como foi exagerado o relato da violência?
Ou, pior ainda, se a ausência de violência confirmar a suspeita de que os actos hostis são cometidos por agentes provocadores que agora não apareceram porque o risco não vale os 25 euros à hora com que estão a ser pagos para semear o descontentamento?
Esses soldados verão exactamente o que Macron não quer que eles vejam: pessoas irritadas, desanimadas, desesperadas, com queixas legítimas e que expressam esses sentimentos da única maneira que sabem.
Se antes deste fim de semana Macron não estava a namorar a guerra civil, agora já está.

Democracia cobarde

Porque uma coisa é um grupo de algumas pessoas revoltado contra um governo corrupto e indiferente. Tudo começa assim, com alguém mais revoltado, mas pode estender-se ao longo do tempo se o governo continuar a não escutar ninguém.
As reacções de Macron só pioram a situação de vez para vez.
Então, se foram as pessoas comuns que iniciaram esta luta pelo futuro de França, serão as forças armadas a acabar com ela. E ai de Macron e da elite política francesa se os militares nas ruas baterem de frente com as pessoas contra quem foram autorizados a disparar.
Nada há de mais cobarde do que uma democracia supostamente liberal e tolerante que envia militares para reprimir e ordena a violência contra o próprio povo por saír às ruas. É simplesmente a ordem de um ditador de trazer por casa que sofre delírios de adaptação.
Uma liderança prudente está em saber como e quando usar as armas. As imagens chegadas de França são terríveis e nada melhores do que as captadas durante a repressão de Mariano Rajoy contra a Catalunha durante o referendo sobre a independência, em 2017.
A resposta custou-lhe o cargo. Assim acontecerá também com Macron, agora que atravessou essa linha.
Macron age sob as ordens dos seus pagadores de Davos para manterem o controlo sobre a França. Não será removido do lugar enquanto agir de acordo com os seus desejos. Mas agora até eles já o teriam substituído por alguém mais aceitável para desarmadilhar a situação.
Mas estão com um único problema: não têm mais ninguém.
Os índices de popularidade de Macron são péssimos. As sondagens dão-no atrás da organização de Marine Le Pen, que em Maio enviará mais membros para o Parlamento Europeu do que o seu En Marche.
Envergando as roupagens de globalista-reformista, Macron sabe que agora é o foco da raiva dos Coletes Amarelos, pelo que só um violento rombo na rebelião o poderá salvar neste momento.
Eles sabem disso; e sabem que ele os odeia.
Porém, uma acção violenta representará a vitória numa batalha para perder a guerra.
Com a União Europeia concentrada nos seus combates mortais contra a maioria que decidiu o Brexit e a Itália fazendo o seu próprio jogo no Conselho Europeu, em França deixou de haver espaço de manobra.
Pelo que a situação irá prosseguir até não poder mais. Esse será o ponto em que a legitimidade de Macron irá evaporar-se e acontecerá uma mudança política. No entanto, os globalistas por detrás de Macron e os círculos políticos franceses dominantes irão adiar essa momento o mais que puderem.
É por isso que a ausência de violência nas manifestações do Acto XIX do passado fim de semana foi tão importante. O bluff de Macron ficou à vista, o que significa que estamos a chegar à fase final da sua história. Sem dúvida que isso acontece a quem mais o merece.
E a Senhora Merkel está no mesmo barco.


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