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ISRAEL, ORDEM PARA MATAR

Bombas israelitas sobre Damasco que atingiram o aeroporto internacional (foto da agência Sanaa, Síria)

2019-01-27

Manlio Dinucci, Il Manifesto/O Lado Oculto

Durante os sete anos de guerra contra a Síria, Israel interveio secretamente, de uma maneira constante, fornecendo apoio aéreo aos jihadistas para que estes pudessem derrubar a República. Desde o fim de 2018, Telavive mudou de tática e procede desde então, às claras, a vastas operações de bombardeamento. Tratar-se-ia de atingir alvos iranianos com o acordo tácito de Moscovo. Contudo, os alvos iranianos parecem ser anedóticos. Simultaneamente, Israel, que estabeleceu um acordo com os dirigentes do Hamas e os financia publicamente através do Qatar, prossegue a guerra contra os civis em Gaza.

“Numa atitude verdadeiramente insólita, Israel oficializou o ataque contra objectivos militares iranianos na Síria e intimou as autoridades sírias a não retaliarem contra Israel”: foi desta maneira que os media italianos relataram um ataque efectuado em 20 de Janeiro contra a Síria, com mísseis de cruzeiro e bombas teleguiadas. “É uma mensagem aos russos, que juntamente com o Irão permitem a sobrevivência de Assad”, comentou o Corriere della Sera.
Ninguém se interroga sobre o “direito” de Israel a atacar um Estado soberano para impor o governo que deseja, depois de os Estados Unidos, a NATO e as monarquias do Golfo terem tentado, durante oito anos, destrui-lo – tal como fizeram em 2011 com o Estado líbio.
Ninguém se escandaliza que os ataques israelitas do fim-de-semana de 19 e 20 de Janeiro tenham provocado dezenas de mortos, entre os quais pelo menos quatro crianças, e graves danos no aeroporto internacional de Damasco. Pelo contrário, foi dado grande destaque à notícia de que, por prudência, tenha sido encerrada por um dia – perante o grande desencanto dos veraneantes – a estação israelita de ski do Monte Hermon (inteiramente ocupado por Israel nos Montes Golã).

Ensaios de guerra

Ninguém se incomoda com o facto de os ataques israelitas contra a Síria, sob o pretexto de que este país é uma base para o lançamento de mísseis iranianos, servirem de preparação para uma guerra em grande escala contra o Irão, planificada pelo Pentágono, cujos efeitos seriam catastróficos.
A decisão dos Estados Unidos de saírem do acordo sobre o nuclear iraniano – definido por Israel como a “rendição do Ocidente perante o ‘eixo do mal’ dirigido pelo Irão” – provocou uma situação extremamente perigosa não apenas no Médio Oriente alargado. Israel, a única potência nuclear do Médio Oriente alargado – e que não aderiu ao Tratado de Não-Proliferação, assinado pelo Irão – tem 200 armas nucleares apontadas contra o Irão (como especificou o ex-secretário de Estado norte-americano Collin Powell em Março de 2015). Entre os diversos vectores de armas nucleares, Israel possui uma primeira esquadra de caças F-35A, declarada operacional desde Dezembro de 2017.
Israel não foi apenas o primeiro país a comprar o novo caça de quinta geração da norte-americana Lockeed Martin; também desempenhou um papel importante no desenvolvimento deste aparelho, através da sua própria indústria militar. A Israel Aerospace Industries iniciou em Dezembro último a produção de componentes das asas que tornam os F-35 invisíveis aos radares. Graças a esta tecnologia, que será aplicada também aos F-35 italianos, Israel potencia a capacidade de ataque das suas forças nucleares, integradas no sistema electrónico da NATO no quadro do “programa de cooperação individual com Israel”.
Sobre isto, porém, não encontrará o leitor informações nos media de grande consumo, assim como também não as encontrará sobre o facto de, além das vítimas provocadas pelo ataque israelita contra a Síria, haver outras ainda mais numerosas causadas, entre os palestinianos, pelo cerco israelita à Faixa de Gaza. Onde – devido ao bloqueio dos fundos internacionais destinados às estruturas sanitárias do território, decretado pelo governo israelita – seis hospitais em 13, entre eles os dois hospitais pediátricos Nasser e Rantissi, foram obrigados a encerrar as portas por falta do combustível necessário para produzir energia eléctrica (na Faixa de Gaza a distribuição de energia pela rede de abastecimento é extremamente esporádica).
É impossível calcular quantas vítimas provocará o encerramento forçado dos hospitais de Gaza. De qualquer forma, não encontraremos informações sobre isso nos media de grande consumo; os quais, pelo contrário, deram grande relevo às declarações efectuadas pelo vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, na sua recente visita a Israel: “Tenho todo o empenho em apoiar o direito à segurança de Israel, bastião da democracia no Médio Oriente”.


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