O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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NATO ANEXA A MACEDÓNIA DO NORTE

Depois de ter manipulado os resultados de um referendo que não corresponderam aos seus interesses e de ter imposto a nova designação do nome do país – com a cumplicidade do Syriza na Grécia – a NATO acaba de anexar a Macedónia do Norte através da aprovação do “Protocolo de Adesão”, consumada por um Parlamento absolutamente domesticado. Isto é, depois de ter “balcanizado” os Balcãs com a guerra de esfacelamento da Jugoslávia, a NATO “desbalcaniza” agora a região, unindo-a sob a sua própria bandeira. De fora está apenas a Sérvia – e espoliada do Kosovo através de uma agressão militar da aliança.

O MARTÍRIO DE ASSANGE OU A TIRANIA COMO LEI

No mundo em que vivemos os criminosos de guerra têm a certeza da sua impunidade e o jornalismo de investigação está em vias de ser considerado um crime de espionagem – esta é uma das leituras que o Relator Especial das Nações Unidas sobre a Tortura, o suíço Nils Melzer, faz do processo contra o fundador e director do WikiLeaks, Julian Assange, conduzido pelos Estados Unidos com a cumplicidade de vários governos, entre eles Reino Unido, Suécia e Equador. Desde a falsificação, pela polícia sueca, de um processo “por violação” à tortura a que tem vindo a ser submetido em Londres, passando pelo julgamento secreto já em marcha nos Estados Unidos perante um júri da CIA, Melzer desmonta os contornos tirânicos e criminosos da perseguição a Assange. “Dizer a verdade está a tornar-se um crime”, adverte o relator da ONU. Nos dias em que a viciada justiça britânica aprecia o pedido de extradição de Assange apresentado pelos Estados Unidos, o Lado Oculto dá voz à esclarecedora entrevista de Nils Melzer ao website Republik, uma publicação de língua alemã. É a nossa manifestação de solidariedade com Julian Assange, em defesa da liberdade de informar e ser informado e dos direitos humanos.

O WESTLESSNESS OU UMA CRISE EXISTENCIAL DO COLONIALISMO

Westlessness. Poderá traduzir-se como o défice de Ocidente na cena internacional e foi o mote escolhido para a Conferência de Segurança de Munique deste ano, em 16 e 17 de Fevereiro, como sempre uma organização associada à NATO. Percebeu-se, pela escolha desta temática, que o Ocidente vive uma crise existencial, com saudades de tempos recentes em que podia destroçar a Jugoslávia, bombardear a Sérvia, arrasar o Afeganistão, desmembrar o Iraque e a Líbia sem ter contraditório. Na origem da inquietação ocidental está, como foi abundantemente aflorado como eco da exposição do chefe do Pentágono, a crescente presença da Rússia e da China na arena internacional - que se reflecte no aparecimento de um efeito dissuasor da impunidade colonial. Não admira, portanto, e perante a presença de convidados “inimigos”, que às tantas à conferência tivesse parecido um diálogo de surdos.

QUEM AMEAÇA “VARRER DO MAPA” QUEM NO MÉDIO ORIENTE?

Israel tem 200 armas nucleares apontadas em permanência contra o Irão. E quatro submarinos que lhe foram oferecidos pela Alemanha navegam em imersão 24 horas sob 24 horas nas águas do Mediterrâneo Oriental, Mar Vermelho e Golfo prontos a lançar ataques nucleares. Quem ameaça “varrer do mapa” quem no Médio Oriente?

TRAPAÇAS DA NATO FAZEM DOUTRINA NOS BALCÃS

A história dos últimos 30 anos nos Balcãs, especialmente envolvendo os territórios da antiga Jugoslávia, está repleta de narrativas falsas sobre episódios de guerra que conseguem sobreviver às reposições da verdade alcançadas através de investigações internacionais digna de crédito. Por detrás da falsificação da história, da imposição da doutrina do absurdo e de uma justiça corrompida está a mesma entidade que as forjou para fazer vingar os seus interesses políticos, militares e geoestratégicos: a NATO.

O TOTALITARISMO DA “COMUNIDADE INTERNACIONAL”

“Comunidade internacional” e “ordem internacional” são expressões que nos surgem a cada passo quando se trata de abordar os acontecimentos e as situações que se sucedem através do mundo. O uso recorrente tem contribuído para transformá-las numa espécie de muletas de linguagem em que vão perdendo conteúdo, esbatendo-se assim a realidade dos seus conteúdos e significados actuais. Desse desvanecimento surgem múltiplas interpretações e a confusão generalizada – que nada tem de inocente. Prevalecendo então o sistema sem mandato que dá corpo à ordem global neoliberal.

A NATO E A DIGNIDADE NACIONAL PERDIDA

Os exemplos sucedem-se, soltam-se do discurso oficial, passam pela comunicação social sem o menor sobressalto crítico e entranham-se na opinião pública como a mais inócua banalidade. Portugal já não governa os portugueses, o governo português delegou as decisões fulcrais sobre o destino dos portugueses em entidades, interesses e pessoas que não querem saber dos portugueses para nada a não ser como mão-de-obra barata ou membros de destacamentos armados envolvidos em policiamento colonial e guerras imperiais. A dignidade nacional esvaiu-se e chega perversamente a ser confundida com nacionalismo e populismo quando alguém ousa criticar o federalismo e a subserviência aos mecanismos imperiais.

NATO E A CIMEIRA DO SEU ANACRONISMO

A NATO pretendeu assinalar o seu 70º aniversário de maneira retumbante em Londres mas o tiro saiu-lhe pela culatra e transfigurou o show numa farsa notável. Começou tudo com pompa e circunstância num jantar de gala oferecido pela rainha dos britânicos no Palácio de Buckingham mas, ao cabo de dois dias, o cenário transformou-se, é certo, nas esperadas promessas de mais desestabilização mundial – incluindo no espaço – mas também em zangas, escárnio, mal dizer e facadas pelas costas. Para consumo público oficial tudo acabou em bem, mas a verdade é que existem feridas abertas e que não são apenas narcísicas.

A ESTRANHA MORTE DO BOSS DOS CAPACETES BRANCOS

James Le Mesurier, fundador dos Capacetes Brancos, um grupo de “ajuda humanitária” ligado à al-Qaida e actuando entre os terroristas na Síria, foi encontrado morto no dia 11 de Setembro em Istambul, em circunstâncias duvidosas e confusas. Muitas interrogações se levantam em torno do falecimento deste mercenário referenciado pelas suas ligações a serviços secretos, designadamente o MI6 britânico, e grupos terroristas.

O DESPERTAR DOS POVOS

A paz podre do neoliberalismo globalizante e o conformismo social que lhe corresponde estão a ser sacudidos através do mundo. Nas urnas e nas ruas – as duas frentes são democraticamente legítimas e complementares – os povos dão sinais de que a sonolência hipnótica induzida pelo entertainment mediático em que se transformou tudo o que tem a ver com a vida das pessoas é uma arma que também se desgasta, desmascara e vai perdendo eficácia. Uma faúlha representada por um aumento de preços, um corte de subsídios sociais, o lançamento de mais um imposto tornaram-se agora susceptíveis de provocar grandes e vibrantes explosões sociais. A arbitrariedade e a impunidade do sistema dominante começam a encontrar barreiras humanas.

COMO A NATO APOIA A TURQUIA CONTRA A SÍRIA

Muitos membros da NATO derramam todas as lágrimas que conseguem com a sorte dos curdos no nordeste da Síria, escondendo deste modo que validaram previamente a operação turca designada “Fonte de paz”. Para dissipar as dúvidas, o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, deslocou-se pessoalmente a Ancara três dias depois do início dos combates para levar o apoio da organização à Turquia.

VIAGEM AO MUNDO DA VERDADE ÚNICA

Uma viagem ao mundo da “estratégia de comunicação” da União Europeia e respectivas emanações é uma experiência indispensável para confirmar os indícios de que os dirigentes europeus convivem cada vez mais desconfortavelmente com a liberdade de opinião. Na verdade, como ilustra essa incursão, já encaram a informação como propaganda, o contraditório como um abuso e a liberdade como um delito. Está aberto o caminho para a imposição da opinião única, em que se baseiam todas as formas de censura, desde a dos coronéis à dos “fact-checkers” contratados a peso de ouro por Bruxelas.

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