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As Presidências da União Europeia são sponsorizadas. O patrocínio das presidências semestrais do Conselho da União Europeia por empresas é uma das mais recentes tendências de negócio envolvendo a governação da UE. Não importa que tais procedimentos representem conflitos de interesses e acentuem promiscuidades comercializando os direitos dos cidadãos europeus e tornando instituições públicas influenciadas por estratégias privadas. É o domínio da arbitrariedade neoliberal.
O futuro do planeta nos próximos vinte a trinta anos está profundamente associado ao processo de integração da Eurásia, que tem como os três pilares essenciais a China, a Rússia e o Irão. Contra esta integração batem-se empenhadamente os Estados Unidos, com base na sua doutrina “Indo-Pacífico” e procurando adaptar a NATO a esta estratégia fazendo avançar a aliança para espaços asiáticos. Isso ficou claro na última cimeira da NATO através das decisões de reforçar a agressividade contra a Rússia, conter a China e militarizar o espaço. A que se somam os esforços incessantes para mudar o regime no Irão. Os dados estão lançados: de um lado as estratégias convergentes da Iniciativa Cintura e Estrada da China e da Grande Eurásia, da Rússia; do outro o Império globalista, em luta existencial pelo seu domínio. Segue-se uma reflexão sobre o ponto da situação daquilo que o autor qualificou como “a batalha das eras”, o choque de titãs entre a unipolaridade globalista e a multipolaridade.
A NATO está em pé de guerra, a sua verdadeira natureza. Por ordem de Trump, que já criou sigla para o efeito – NATOME – a aliança está a preparar a substituição dos soldados norte-americanos a expulsar do Iraque por militares de países membros, que ficarão sujeitos ao caos regional criado pelas práticas norte-americanas. Enquanto isso, e porque não pode haver distracções com a “ameaça russa”, o Estado-Maior atlantista prepara para a Primavera os maiores jogos de guerra na Europa dos últimos 25 anos.
Obedecendo às ordens de Trump, ou cedendo às suas chantagens sobre a imposição de novas tarifas comerciais, a União Europeia deu corpo à estratégia norte-americana de liquidar o acordo nuclear 5+1 estabelecido em 2015 com o Irão. França, Reino Unido e Alemanha activaram o chamado Mecanismo de Resolução de Disputas numa situação que contraria os próprios termos do acordo, concluindo assim a tarefa de liquidação iniciada em 2018 pela administração Trump, ao retirar-se sem razões do processo.
Milhões de franceses lutam há semanas contra o assalto do governo de Emmanuel Macron ao sistema de segurança social, desenvolvido a rogo do sistema financeiro privado, ansioso por transformar em lucros os descontos de vidas de trabalho. E, contudo, o sistema francês de pensões – considerado um dos melhores do mundo - é saudável e capaz de absorver naturalmente o défice, de tal maneira que os próprios mentores da “reforma” admitem que não haveria urgência em fazê-la. Como a seguir se demonstra nas respostas do académico Salim Lamrani a 10 perguntas sobre o assunto, bastaria, por exemplo, que as mulheres tivessem salários iguais aos dos homens ou que houvesse um combate sério à evasão fiscal para o actual sistema de pensões estar perfeitamente equilibrado. França é, pois, a linha da frente da luta decisiva contra a ofensiva pela privatização da Segurança Social que mina a União Europeia. O neoliberalismo não dá tréguas.
Há poucos anos ainda, um presidente federal alemão foi obrigado a demitir-se por defender a afirmação dos interesses alemães através da guerra. Hoje, essa política militarista é promovida pela ministra da Defesa e candidata a chanceler, Annegret Kramp-Karrenbauer (CDU), sem que nada lhe aconteça. A ministra, note-se, sucede no cargo à nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para quem “a Europa deve aprender a utilizar a linguagem da força”. A Alemanha imperial, agora no quadro da NATO e da União Europeia, retoma o seu caminho.
Israel tem 200 armas nucleares apontadas em permanência contra o Irão. E quatro submarinos que lhe foram oferecidos pela Alemanha navegam em imersão 24 horas sob 24 horas nas águas do Mediterrâneo Oriental, Mar Vermelho e Golfo prontos a lançar ataques nucleares. Quem ameaça “varrer do mapa” quem no Médio Oriente?
O separatismo na região autónoma chinesa de Xinjiang e a “libertação do povo uigure surgem nos menus ocidentais para “democratizar” a China, mas a realidade nada tem a ver com as intenções proclamadas e a verdadeira situação no território. Além de Xinjiang ter dado o salto do feudalismo para a modernidade em algumas décadas, a região desempenha um papel fulcral nas acções chinesas de internacionalização. Daí que os Estados Unidos e aliados não tenham hesitado em criar e manipular grupos terroristas “uigures” da família da al-Qaida que tanto estão activos internamente como podem ser exportados temporariamente, como aconteceu na guerra contra a Síria.
Antes que a enxurrada de desinformação produzida pela comunicação social corporativa mistifique a história oficial destes dias de guerra, caos e ilegalidade na cena internacional é altura de descodificar a cadeia de acontecimentos para que seja possível distribuir responsabilidades e invalidar mentiras. Se os Estados Unidos da América, como é habitual e natural, sobressaem como os artífices de uma trama que ameaça o planeta, é importante notar que o “nosso mundo civilizado”, com a NATO e a União Europeia à cabeça, não fazem figura de inocentes. Aliás, nem o governo da República Portuguesa se salva.
Cálculos divulgados por associações de cientistas revelam que 100 bombas nucleares dos Estados Unidas estão instaladas na Europa. E a confirmar-se a transferência de engenhos desse tipo da Ásia Menor, na Turquia, para território europeu, presumivelmente Itália, dentro em breve haverá 150 bombas atómicas em Estados membros da União Europeia. Claro que não serão precisas tantas para liquidar o planeta e a humanidade, tornando a ameaça das alterações climáticas uma redundância. Mas os Estados Unidos e, pelos vistos, os dirigentes europeus gostam que os povos estejam reféns de estratégias de terror.
A herança caótica deixada pela agressão da NATO contra a Líbia e que se aprofunda há quase nove anos está a degenerar numa situação aterradora de guerras cruzadas, motivadas por múltiplos interesses, capaz de fazer explodir alianças político-militares, afinidades religiosas e relações institucionais - com repercussões em todo o panorama internacional. O início, no dia de Natal, da transferência de terroristas da al-Qaida da Síria para território líbio, de modo a reforçar as forças do governo de Tripoli reconhecido pela ONU e a União Europeia, é apenas um dos muitos movimentos em curso na sombra dos holofotes mediáticos. E a Turquia acaba de aprovar o envio de tropas regulares para a Líbia.
A história dos últimos 30 anos nos Balcãs, especialmente envolvendo os territórios da antiga Jugoslávia, está repleta de narrativas falsas sobre episódios de guerra que conseguem sobreviver às reposições da verdade alcançadas através de investigações internacionais digna de crédito. Por detrás da falsificação da história, da imposição da doutrina do absurdo e de uma justiça corrompida está a mesma entidade que as forjou para fazer vingar os seus interesses políticos, militares e geoestratégicos: a NATO.
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