O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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A MATANÇA, O CESSAR-FOGO E A SOLUÇÃO DE DOIS ESTADOS

Estabeleceu-se um "cessar-fogo" nesta suposta “guerra entre o Hamas e Israel”, como afirma a comunicação social corporativa. É o habitual jogo de enganos que visa partilhar equitativamente responsabilidades numa situação de incomensurável desequilíbrio de forças e que pretende colocar no mesmo plano os criminosos e as vítimas. O que está a acontecer não é uma guerra, é um massacre de uma das partes; e o único cessar-fogo possível e credível para a situação é o reconhecimento dos direitos do povo palestiniano estabelecidos nas leis internacionais. Tudo o resto significa o arrastamento da situação e o extermínio de um povo. Interrompeu-se uma fase de chacina extrema por parte de Israel mas prossegue o massacre paulatino de povo palestiniano até novo auge ofensivo contra Gaza ou qualquer outro território ocupado da Palestina.

GAZA, NOTAS SOBRE UMA CHACINA

Israel está a cometer mais um acto de apogeu da chacina a que tem vindo a submeter impunemente a população da Faixa de Gaza – e da Palestina em geral – durante as últimas décadas. Os alvos não são “os túneis do Hamas”, como informa o regime sionista, mas dois milhões de pessoas que vivem enclausuradas num imenso campo de concentração do qual não podem escapar. Não se trata de um “confronto”: é uma barbárie. Algumas notas sobre o que está a passar-se.

O PARTIDO DA GUERRA GANHA SEMPRE

Joseph Biden mandou bombardear a Síria a pretexto de ataques dirigidos contra as suas forças de ocupação presentes no Iraque; e fê-lo ao mesmo tempo em que aviões militares israelitas atacavam Damasco. Como era de esperar, a realidade demonstra que em Washington mudaram apenas as moscas. Nas eleições norte-americanas o partido único, o partido da guerra, ganha sempre.

EMIRADOS ÁRABES E ISRAEL: UM ACORDO INDECOROSO

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) e Israel assinaram um acordo dito histórico para normalizar as suas relações. É uma viragem importante na região. Embora um número cada vez maior de países árabes, alinhados com o Ocidente, tenham por hábito negociar com Israel, oficialmente os Estados da região continuam comprometidos com o acordo de Beirute de 2002, avalisado pela Liga Árabe. Este acordo promete a paz com Israel em troca da retirada dos territórios ocupados – Cisjordânia, Jerusalém Leste, Gaza e Montes Golã – a criação de um Estado palestiniano com capital em Jerusalém Leste e uma solução para os refugiados palestinianos. Uma vez que Israel sempre recusou este plano de paz árabe, os Emirados Árabes Unidos quebraram um tabu muito sério. Pior ainda, como realça Basem Naim, antigo ministro palestiniano, os EAU acrescentam o insulto à injúria fazendo crer que aprovaram este acordo com Israel para defender a Palestina, a qual, evidentemente, nem foi consultada.

O QUE O LÍBANO GANHA EM OLHAR PARA LESTE

Depois de grandiloquentes declarações de solidariedade, logo ecoadas pela comunicação do regime global, as “doações” destinadas ao Líbano sob o patrocínio da França, da ONU e da União Europeia não passaram de 250 milhões de dólares, uma gota de água no vastíssimo mar de promessas - e ainda submetidas às “reformas reestruturais” do costume. No entanto, os 15 mil milhões de dólares envolvidos na reconstrução do porto de Beirute parecem ser “trocos” para empresas chinesas possuidoras do plano A para restauração e modernização das infraestruturas desenvolvimentistas e produtivas do país. O Líbano está numa encruzilhada: mais da mesma degradação sob o mito neoliberal da “Paris do Oriente”; ou virar-se para Leste, ao reencontro da história, da cultura e de uma via de desenvolvimento independente.

A FRAUDE HISTÓRICA DA GUERRA DOS SEIS DIAS

Passam nestes dias 53 anos sobre a chamada Guerra dos Seis Dias, na qual, segundo reza a história oficial, Israel desmontou uma ameaça à sua existência derrotando os países árabes vizinhos e ocupando os territórios árabes de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Leste e Montes Golã. Uma história oficial que é uma fraude, como prova o conteúdo de documentos oficiais partilhados por Miko Peled, cidadão israelita e filho do general Matti Peled, um dos inspiradores da operação. Israel consumou então um plano de ocupação de toda a Palestina histórica que já vinha de trás e que se vem transformando, passo-a-passo, em anexação – o que viola o direito internacional sobre a questão da Palestina. Um plano que o actual governo israelita ameaça acelerar e tornar irreversível. Para a história fica a história de uma fraude, o desmantelamento de um mito.

O VALE DO JORDÃO: SILÊNCIOS HIPÓCRITAS À BEIRA DA TEMPESTADE

Benjamin Netanyahu, o aparentemente eterno primeiro ministro de Israel, agora geminado com um dos carrascos de Gaza, Benny Gantz de sua graça, vem anunciando que a partir do início do próximo mês dará os passos governamentais, parlamentares e militares que considera necessários para anexar o Vale do Jordão, no território palestiniano da Cisjordânia. Além disso, tenciona integrar no Estado de Israel os colonatos construídos ilegalmente no mesmo território durante os últimos 60 anos. Estes movimentos representam, de facto, a extinção da chamada “solução de dois Estados” na Palestina histórica, estabelecida em 1948 pelas Nações Unidas e reactivada durante os passados anos noventa. Os criminosos não escondem o crime, os avisos estão feitos: ninguém poderá dizer que será apanhado de surpresa.

CHINA REAGE E ENFRENTA AS AMEAÇAS

Enfrentada a crise do novo coronavírus na província de Hubei, especialmente em Wuhan, a China reanima decididamente as actividades económicas e sociais tendo também em consideração que está a ser vítima de uma concentração de ataques norte-americanos e ocidentais para conter o país como potência emergente. Pequim reage procedendo à restauração das próprias forças e também no âmbito da parceria estratégica com a Rússia, que adquire novas valências. O mundo está em mudança.

ANIQUILAR A PALESTINA, RIDICULARIZAR A ONU

A “Visão de Paz” estampada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu em 28 de Janeiro como “solução” para o problema israelo-palestiniano não trouxe surpresas. Há meses que os seus conteúdos vinham sendo conhecidos às fatias, sob a designação pomposa de “acordo do século”, pelo que nenhum dos aspectos focados ao longo das 80 páginas do documento contraria o que era esperado. Mais grave do que o texto é o facto de estar a ser aplicado há muito tempo, perante a inércia da chamada “comunidade internacional”, e representar um patamar elevadíssimo – quase irreversível na actual relação de forças mundial – da estratégia de factos consumados seguida metodicamente por Israel e os Estados Unidos.

TRUMP AO IRAQUE: AS TROPAS OU AS RECEITAS DO PETRÓLEO?

A administração Trump ameaça bloquear a principal conta bancária através da qual o Iraque movimenta as receitas do comércio petrolífero se Bagdade mantiver a exigência de retirada das tropas norte-americanas. Esta é uma das sanções económicas a que os Estados Unidos estão dispostos a recorrer para que não se cumpra a decisão do Parlamento iraquiano contra a ocupação militar.

ALGUMAS FICÇÕES DA “LUTA CONTRA O TERRORISMO”

Mesmo com o Daesh/Isis/Estado Islâmico visivelmente enfraquecido, graças à acção conjunta das tropas sírias e russas, a chamada “Coligação Antiterrorista”, patrocinada pela NATO, continua plenamente em funções, certamente no âmbito da famosa “guerra contra o terrorismo”. Uma guerra assente em muitas ficções e cujos objectivos reais não coincidem com o discurso oficial.

DE COMO O OCIDENTE SE ENGANOU NA SÍRIA

Tal como aconteceu com Saddam Hussein e Muammar Khaddafi, as grandes potências ocidentais traçaram o mesmo futuro a Bachar al-Assad: o desaparecimento político, ou mesmo físico. Porém, os terroristas "moderados" apoiados pelo Ocidente na guerra contra a Síria transformaram-se numa apocalíptica máquina de morte e, apesar disso, Bachar al-Assad emergiu como vencedor do conflito e tendo ao lado uma grande potência, a Rússia. Mais uma vez o Ocidente tomou os desejos por realidades, leu a narrativa dos acontecimentos ao contrário e saiu humilhado. Só que isso custou milhões de vítimas, uma crise de refugiados e deixou um país e um povo em ruínas.

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