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RACISMO ISRAELITA TEM A GARANTIA DO ADN

2019-07-18

Sara A. Oliveira, Jerusalém

Os rabinos de Israel estão a exigir cada vez mais aos cidadãos imigrados a apresentação de “provas genéticas” de que são efectivamente “judeus”, de acordo com o jornal de grande circulação Yedioth Ahronot. O filtro aplica-se especialmente aos oriundos dos territórios da antiga União Soviética.

Estas práticas são conhecidas da opinião pública pelo menos desde Abril, durante a anterior campanha eleitoral, quando o ex-ministro fascista Avigdor Lieberman, de origem ucraniana, denunciou a campanha de cerco a algumas comunidades de imigrantes. Lieberman é também ele um indivíduo racista e de extrema-direita, mas entrou em choque com estes comportamentos e os sectores fundamentalistas religiosos porque os apoiantes do seu partido – “A Nossa Casa Israel” – são essencialmente de origem russa e mais seculares que a média dos israelitas.

A incompatibilidade entre Lieberman e a extrema-direita religiosa esteve na origem do facto de Benjamin Netanyahu não ter conseguido formar uma coligação governamental, pelo que se tornou necessário convocar novas eleições.

Oleg, o casamento e o ADN

O ministro do Interior em funções, Aryeh Deri, do partido ultra-ortodoxo Shas, desmentiu a necessidade de apresentação de “provas genéticas” e acusou Lieberman de “espalhar calúnias”.

O Yedioth Ahronot, porém, aprofundou o assunto e fez o levantamento de pelo menos 20 casos em que tribunais rabínicos exigiram provas “genéticas” de que um determinado cidadão é judeu. De acordo com o jornal, os tribunais rabínicos solicitam anualmente a cerca de cinco mil pessoas que apresentem provas de judaicidade; um número crescente das exigências implica a realização de testes de ADN. 

O jornal cita o caso de um imigrante de nome próprio Oleg que deseja casar-se, processo que tem de passar pelos poderes rabínicos uma vez que não existe casamento civil na autodesignada “única democracia do Médio Oriente”.

Dois “peritos” nomeados pelo tribunal rabínico declararam que a maioria dos membros da família de Oleg podem efectivamente der definidos como judeus, mas existe um “problema” do lado de uma das suas avós: o seu certificado de nascimento e outros documentos deixam perceber que não é, de facto, filha biológica da própria mãe, essa sim, sem qualquer dúvida, uma verdadeira judia.

Como o judaísmo se transmite através das mães, os “peritos” decidiram então que Oleg não é judeu – um entrave à sua vontade de casar.

O tribunal rabínico da cidade de Ashdod, ainda assim, determinou a realização de um teste de ADN à avó de Oleg. Porém, esta é uma pessoa muito idosa, sofrendo de doença de Alzheimer, e o exame não se realizou. Como não foi encontrado mais nenhum parente, o tribunal rabínico sentenciou que Oleg e qualquer outro membro da família do lado da avó não podem casar-se e ser considerados judeus.

Oleg, com o apoio de uma ONG que se dedica a auxiliar pessoas vítimas das práticas rabínicas, apelou da decisão para uma instância religiosa superior e conseguiu ganho de causa: desconhecendo-se em que se basearam, os juízes apuraram que a avó em questão não é, certamente, uma filha adoptada, pelo que só poderá ser uma filha judia da sua mãe judia.

Oleg e os seus podem, afinal, casar-se e deixaram de correr o risco de virem a ser cidadãos de segunda em Israel, constitucionalmente um Estado apenas para judeus. Um Estado onde o Grande Rabinato não está incomodado com as práticas racistas em que os seus departamentos incorrem para garantir a pureza do apartheid sionista.




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