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ISRAEL ACONSELHA PALESTINIANOS “A RENDER-SE”

Danny Danon, embaixador israelita na ONU, ao lado de Netanyahu

2019-06-28

Martha Ladesic, Nova York

O embaixador israelita nas Nações Unidas, Danny Danon, aconselhou os palestinianos a “render-se a Israel”, o mesmo devendo fazer todos os que se opõem ao Estado hebraico. Qualquer alternativa a isso, ameaçou, sair-lhes-á “muito mais cara”.

A mensagem de Danon foi deixada em artigo no New York Times alguns dias depois de o embaixador norte-americano em território israelita, David Friedman, ter declarado ao mesmo jornal que Israel “tem o direito” de anexar a Cisjordânia. O New York Times é um habitual porta-voz de Israel e dos lobbies sionistas nos Estados Unidos.

A publicação do artigo do embaixador israelita coincide praticamente com a realização em Manama (Bahrein) de uma dita “conferência de paz” sobre a parte económica do chamado “Acordo do Século” elaborado pelas administrações Trump e Netanyahu e cujo conteúdo traduz, de facto, uma rendição completa dos palestinianos através da “eliminação” do problema dos refugiados e a “compra” de territórios na Cisjordânia, a par da colonização.

Liquidar o direito internacional

Todas as declarações proferidas ou escritas a propósito, bem como as mais recentes atitudes do presidente norte-americano e dos seus mais directos colaboradores vão no sentido de liquidar a chamada “solução de dois Estados”, defendida pelo direito internacional e pela esmagadora maioria dos Estados membros das Nações Unidas.

No seu artigo, Danny Danon atacou as posições que denunciam o facto evidente de o abandono dos direitos nacionais pelos palestinianos significar o fim da sua própria existência como povo. O embaixador limitou-se a atacar esta denúncia sem contra-argumentar contra as razões do seu fundamento. Este tipo de posições oficiais israelitas ressuscita a tese da antiga primeira-ministra Golda Meir segundo a qual “os palestinianos não existem”, o que traduz um recuo no tempo de quase cinquenta anos.

Danny Danon não foi tão radical no modo de expor as coisas, argumentando que os palestinianos poderão sobreviver depois de se render. Sendo essa a melhor e única opção que têm, escreveu, deverão abraçá-la e esperar pelo melhor.

Segundo o texto do embaixador israelita nas Nações Unidas, os alemães também continuaram a existir no final da Segunda Guerra Mundial, depois de se renderem. Comparou a rendição dos palestinianos à do Egipto com Anwar Sadat e o acordo de Camp David no final dos anos setenta, alegando que os egípcios só ganharam com isso, sucessivamente governados por juntas militares recebendo grandes quantidades de “ajuda externa” dos Estados Unidos.

Entre a divulgação aos poucos do chamado “Acordo do Século”, as decisões de Trump como a passagem da embaixada para Jerusalém e o reconhecimento da anexação dos Montes Golã e as sucessivas publicações de “novas soluções” existe um nítido objectivo comum: a ocupação plena da Palestina por Israel e a inutilização, através da tradicional política de factos consumados, de tudo quanto o direito internacional estabelece em relação às questões pendentes no Médio Oriente.

As Nações Unidas e o seu secretário-geral continuam inertes perante tão graves acontecimentos.


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