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MAURÍCIO MACRI, A FOTO E A ARGENTINA

Uma foto que vale mais que mil palavras

2019-06-05

Débora Mabaires, Buenos Aires; Desacato.info/O Lado Oculto

No dia 29 de Maio, durante a celebração oficial do Dia do Exército argentino, o governo difundiu uma foto (em cima) na qual o presidente aparece junto ao seu ministro da Defesa, Oscar Aguad, alcunha “o milico”, responsável pelo encobrimento do desaparecimento do (submarino) ARA São Juan, ocorrido em novembro de 2017.

O oficial do exército que fala com Oscar Aguad tem uma postura corporal a demonstrar desconforto, enquanto o Tenente Geral (chefe do Exército), Claudio Pasqualini, que aparece do outro lado de Maurício Macri, está descontraído, embora esse estado tenha durado pouco. Fez um discurso alusivo à guerra do Atlântico Sul, o que é bastante curioso: quem vendia armas às Forças Armadas desde 1979 era Maurício Macri através da empresa Sevel, triangulando os embarques a partir do Peru.

Enquanto o chefe do Exército falava sobre a guerra das Malvinas, a Grã- Bretanha avançava contra a soberania argentina das ilhas Geórgias e Sandwich do Sul, situadas a sudeste das ilhas Malvinas e muito perto da Antártida argentina, ao declarar o mar que rodeia as ilhas como zona protegida.

O actual chefe de um Exército que tornou muito mais rico o clã Macri, durante a ditadura que assolou a Argentina entre 1976 e 1983, justificou várias vezes a actuação das Forças Armadas durantes esse anos afirmando que se tratou de uma “guerra”. Na foto, pode-se ver ao seu lado o traficante de armas que abastecia os guerrilheiros montoneros, Mario Montoto. Aquele que antes era conhecido como “Pascualito”, e que nunca foi julgado por traficar armas ou pelos crimes que tenha cometido, é hoje é um empresário fornecedor de armas, material bélico e sistemas de espionagem ao governo de Maurício Macri; além de ser o representante argentino de empresários israelitas e também um importante accionista de meios de comunicação.

Um presidente acima da lei

Mario Montoto foi identificado como “seu chefe” pelo detido Marcelo D’Alessio, um espião transnacional que colaborava com o governo. Nas incursões judiciais realizadas no domicílio de D’Alessio foi encontrada documentação com origem na Embaixada dos Estados Unidos e no Ministério israelita da Defesa.

Para completar a foto, entre o chefe do Exército – o poder das armas – e o espião, ex-traficante e dono de meios de difusão, pode observar-se o procurador federal Carlos Stornelli, o homem que inventou processos judiciais extorquindo empresários para encarcerar ex-funcionários (do governo anterior). Trata-se de um homem muito vinculado à carreira política de Maurício Macri e que se encontra em rebeldia, negando-se a prestar declarações perante o juiz que o investiga.

O presidente, no seu discurso, não deixou dúvidas sobre o papel que pretende para as Forças Armadas nacionais: quer que se dediquem à segurança interna, algo expressamente vedado em pelo menos três leis argentinas.

Mais uma vez agitou a desculpa do suposto terrorismo ou do narcotráfico para violar as garantias constitucionais do povo argentino.

Com os acordos que Macri assinou com o ex-presidente Barack Obama, em 2016, as Forças Armadas argentinas ficaram reduzidas a forças auxiliares do Comando Sul dos Estados Unidos e, especificamente, à autoridade da Guarda Nacional de Geórgia. Hoje, a sua função é a de um braço armado capaz de garantir o saqueio do país pelas corporações estrangeiras.

Na sequência dos acordos assinados com os Estados Unidos e Israel, toda a informação pessoal dos cidadãos argentinos pode ser captada e utilizada por esses países, uma vez que vieram facilitar a espionagem internacional da população argentina sem restrições.

Numa só foto só, num só acto, o governo de Maurício Macri explica sua gestão e vaticina o futuro da população de um modo aterrador.

Traficantes de armas, espiões, representantes do poder judiciário corrupto e uma trama de morte e sangue rodeiam o presidente da nação.

Silenciar os adversários

A perseguição judicial a Cristina Fernández de Kirchner rendeu frutos: não concorrerá à presidência. Moveu-se em cena e entregou o seu apoio eleitoral a outro candidato: Alberto Fernández.

Mesmo que continuem a avançar os processos judiciais que montaram contra Kirchner sob orientação das embaixadas - norte-americana e israelita – e que venham a encarcerá-la, o cenário eleitoral já não será alterado.

Alguns dias depois da jogada política da ex-presidente, que propõe uma coligação eleitoral muito ampla em torno da defesa da pátria e do Estado de direito, surgiu esta foto, a dos representantes da impunidade, para condicionar e submeter a Argentina; como quem diz que podem fazer o que bem entenderem e que nós, os argentinos, votaremos no que eles nos deixarem votar.

Como um caçador vangloriando-se sobre a presa que acaba de assassinar, o pé do poder real esmaga a cabeça da democracia, enquanto mostra a sua espingarda ainda fumegante.

E tudo faz supor que ainda tenha muitas balas.


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