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O memorando de entendimento russo-turco assinado em 22 de Outubro pelos presidentes Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan é um documento essencial para compreender a fase actual da guerra internacional contra a Síria e as perspectivas de evolução que o problema regista. Esclarecedor, tanto pelo que afirma como pelo que omite, o texto contém em si mesmo alguns importantes mecanismos de travagem dos objectivos pretendidos pela NATO, pelos Estados Unidos e outras potências suas aliadas.
O secretário norte-americano da Defesa, Mark Esper, afirmou numa conferência de imprensa que, apesar da anunciada retirada militar da Síria, tropas dos Estados Unidos ficarão estacionadas no Leste do país para “proteger” os campos de petróleo. Trump tinha dito:"talvez mais alguém queira este petróleo e, nesse caso, terá de submeter-se a um combate infernal".
No domingo, 27 de Outubro de 2019, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou triunfalmente a “execução” de Abu Bakr al-Baghdadi, califa do Estado Islâmico (Daesh ou Isis). De acordo com a versão oficial, o califa teria sido localizado na região de Idleb (noroeste da Síria) graças a informações recolhidas pelo Iraque. A história, porém, está repleta de mistérios e dados que não encaixam no relato transmitido de Washington.
No momento em que o cardeal argentino Jorge Bergoglio foi eleito como o primeiro pontífice católico romano jesuíta da história papal, longas facas políticas visando o Papa Francisco I emergiram das sombras do Vaticano. Desde o início do papado, Francisco viu-se obrigado a lidar com o seu antecessor direitista, o papa Bento XVI – uma situação rara nos anais pontifícios – que insistiu em continuar a morar num apartamento situado no território do Vaticano. Bento não se limita a gozar uma reforma tranquila: conspira contra Francisco envolvendo pessoas e entidades influentes no Vaticano, em Itália, nos Estados Unidos e em outros países.
Muitos membros da NATO derramam todas as lágrimas que conseguem com a sorte dos curdos no nordeste da Síria, escondendo deste modo que validaram previamente a operação turca designada “Fonte de paz”. Para dissipar as dúvidas, o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, deslocou-se pessoalmente a Ancara três dias depois do início dos combates para levar o apoio da organização à Turquia.
A invasão da Turquia é um novo episódio da guerra internacional contra a Síria. Tratando-se de uma violação da soberania síria – apesar de Ancara invocar a Carta das Nações Unidas alegando que se trata de “autodefesa” – a operação veio provocar alterações significativas nas relações de forças no terreno, e nem todas elas, porém, desfavoráveis à República Árabe Síria. O que está a acontecer revela um dos mais complexos quebra-cabeças existentes hoje no panorama internacional.
A Argentina vai eleger um presidente a 27 de Outubro. Depois das anteriores primárias, a Frente de Todos de Alberto Fernandez e Cristina Fernandez de Kirchner é francamente favorita. Mauricio Macri, o autocrático e neoliberal presidente em exercício, faz uma campanha de promessas, mentiras e mistificações através de um país que deixa arrasado e nas garras do FMI. Os “ratos” do regime vão abandonando o navio, muitos deles com os bolsos bem nutridos de dólares para gozar mordomias no estrangeiro.
A Síria, numa situação desconfortável e vulnerável, está a ser prensada entre o martelo otomano, a norte, e a bigorna israelita, a sul. Ambos os sectores são hostis, expansionistas e ocupam território sírio. Por vezes, quando se menciona uma “zona segura” ao longo da fronteira sírio-turca vem à mente a situação que se vive na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Em ambos os casos invocam-se razões de “segurança”: há um Estado colocado sob ameaça a pretexto da “segurança” do Estado vizinho.
O anúncio feito pela Turquia de que está prestes a lançar uma grande ofensiva militar no norte da Síria, a leste do rio Eufrates, agravou a espiral de instabilidade na região, que passa agora bem pelo interior da NATO e revela até que ponto a guerra desencadeada por sectores da “comunidade internacional” contra o povo sírio e criou e multiplicou artificialmente numerosos focos de conflito.
A esmagadora maioria dos cidadãos europeus defende a neutralidade da União Europeia no caso de deflagrarem conflitos armados entre os Estados Unidos e a Rússia ou a China. Esta não é a única matéria em que existe dissonância absoluta entre as políticas de Bruxelas e a vontade dos cidadãos, mas revela até que ponto as instâncias não-eleitas da União Europeia estão distantes da opinião dos cidadãos e, por consequência, do respeito pela democracia.
Os patrocinadores ocidentais dos terroristas actuando na Síria designados White Helmets (Capacetes Brancos), e que se afirmam como “grupo humanitário”, começam a acordar para o facto de o seu amor pelos mercenários ser mais prejudicial do que benéfico – o que lhes levanta agora vários problemas.
O exército regular da Síria libertou Khan Cheikhoun, a cidade mais importante do governorato de Idleb, o último departamento administrativo em poder dos terroristas agrupados na al-Qaida e que são apoiados por potências da NATO. Trata-se de um importante resultado da vasta operação lançada pelas topas de Damasco, com apoio da aviação russa, para retirar a província do controlo dos terroristas.
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