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“RATOS” DE MACRI EM DEBANDADA NA ARGENTINA

O FMI de Christine Lagarde e o regime global neoliberal serviram-se de Macri para sugar e destruir a Argentina

2019-10-12

A Argentina vai eleger um presidente a 27 de Outubro. Depois das anteriores primárias, a Frente de Todos de Alberto Fernandez e Cristina Fernandez de Kirchner é francamente favorita. Mauricio Macri, o autocrático e neoliberal presidente em exercício, faz uma campanha de promessas, mentiras e mistificações através de um país que deixa arrasado e nas garras do FMI. Os “ratos” do regime vão abandonando o navio, muitos deles com os bolsos bem nutridos de dólares para gozar mordomias no estrangeiro.

Débora Mabaires, Buenos Aires; Desacato.Info/O Lado Oculto

O governo de Mauricio Macri vai rodando ladeira abaixo, em queda livre.

Em cada dia que passa torna-se mais evidente que o presidente e a sua corte se vão embora, mas não o farão com dignidade. A raiva que soltam para o interior e o exterior do espaço político é cada vez mais contundente.

Desde as últimas eleições, os altos funcionários da administração começaram a enviar pedidos de emprego para as grandes empresas com o objectivo de conseguirem lugares de lobistas tendo em vista a nova gestão. Segundo um relatório privado, foram feitos pelo menos cinco mil pedidos desse tipo.

O menino bonito de Mauricio Macri, o chefe do seu gabinete de ministros, Marcos Peña Braun, acaba de negociar com o ex-embaixador dos Estados Unidos na Argentina, Noah Mammet, um mestrado numa prestigiosa universidade desse país, mostrando claramente que nada lhe interessa com excepção de ir-se embora da Argentina rapidamente, assim que o governo mudar.

O caso não é para menos.

Espionagem, chantagem e extorsão

Na última semana foi conhecida uma investigação judicial dedicada, nada mais, nada menos, que à espionagem montada contra juízes e procuradores durante o governo Macri, com a intenção de condicionar as suas sentenças e decisões através da extorsão.

Pelo menos 21 juízes foram vítimas de espionagem ilegal. Muitos deles são, inclusivamente, os que avalizaram ou permitiram as arbitrariedades, denúncias falsas e espionagem ilegal realizadas contra antigos altos funcionários e empresários. Parece que os juízes acabam de descobrir que Roma não paga a traidores, e estão zangados.

O ministro da Justiça, Germán Garavano, que está acusado de ter treinado um delinquente envolvido em lavagem de dinheiro do narcotráfico para que inculpasse funcionários do governo de Cristina Fernández de Kirchner, continua a interferir no Poder Judiciário. Desta vez deixa escapar a sua ira porque o Supremo Tribunal pronuncia sentenças de acordo com as leis em vigor e não a favor do governo.

O chefe do bloco de deputados que apoia a coligação governamental, Nicolás Massot, já tinha deixado o cargo para fazer um retiro "educativo" nos Estados Unidos, mas reapareceu esta semana para puxar as orelhas a alguns dirigentes dessa área.

Deserções e falsificações

Tudo faz supor que a derrota eleitoral que se avizinha deixará o partido de Mauricio Macri como o que sempre foi: um partido local, sem territorialidade e sem militantes; até os jornalistas que vinham aplaudindo a sua escabrosa gestão começaram a desertar, deixando o presidente sozinho perante um final anunciado.

Mauricio Macri continua a tentar mostrar que é um líder político, mas a sua desvalorizada imagem surge cada vez mais perante a sociedade como a de um fantasma.

A viagem de campanha eleitoral é um fiasco sem precedentes: em cada lugar que visita, as cercas de protecção e a presença de pessoas expressamente arrebanhadas dão um tom ainda mais patético. O papel presidencial é ainda superado pela sua equipa de campanha que, através de trolls e activistas nas redes sociais, tentou confundir a população mostrando uma foto de um acto multitudinário realizado pelo papa Francisco em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em Julho de 2015, como sendo um comício de Mauricio Macri na província de Neuquén, realizado em 8 de Outubro.

E testando ainda mais a paciência dos argentinos, o presidente e a sua equipa lançaram uma campanha suja ao nível municipal contra a candidatura Frente de Todos, liderada por Alberto Fernández, acompanhado por Cristina Fernández de Kirchner.

Na cidade de Buenos Aires, os cartazes do candidato opositor apareceram cobertos por cartazes de um evento musical que não existe, anunciando artistas inexistentes e sem endereço nem data. Noutros locais, optaram por imprimir e colar cartazes como se fossem da Frente de Todos e com falsos candidatos.

Este tipo de campanha suja com utilização de cartazes de rua não se via na Argentina desde 1989, devido aos seus custos e às consequências políticas e jurídicas.

Além disso, nos últimos dias foi detectada uma rede de funcionários que destina recursos equivalentes a mais de nove milhões de euros para serem distribuídos por mais de cem mil desempregados no caso de Macri vencer as eleições presidenciais de 27 de Outubro. Claro que esta medida, contida na resolução 1177 da Secretaria de Emprego, não foi publicada no Diário Oficial, o que mostra como o governo age em desrespeito pelas normas oficiais. Mais um assunto para ser investigado no futuro.

Os elementos mais substanciais da campanha de Mauricio Macri são, sem dúvida, as promessas e propostas. Promete mais emprego, mais bolsas escolares, a redução dos impostos para as pequenas e médias indústrias, a redução a zero das contribuições dos empregadores para a segurança social; tudo medidas que ainda poderia tomar, sem esperar por um segundo mandato.

Um país arrasado e milhões nos bolsos

Enquanto o presidente entretém a comunicação social com estes dados proferidos com modos de grandiloquência, o Banco Central da República Argentina desmantela o Fundo de Garantia de Sustentabilidade do sistema de segurança social e o governo, procedendo no sentido habitual, nem sequer utiliza a totalidade do seu minguado orçamento no sector da saúde.

Macri deixa uma Argentina arrasada ao próximo presidente. Um país endividado, com as instituições desprestigiadas e metade da população infantil abaixo da linha de pobreza.

Ainda assim, o futuro afigura-se-lhe risonho: o presidente, os seus funcionários e respectivas famílias já reservaram estadias no estrangeiro para gozar os milhões de dólares que embolsaram com a destruição do país.

A irá dos argentinos, porém, tenderá a acalmar-se logo que ele se vá embora.


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