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A economia desmoronou-se. Uma pandemia que através dos Estados Unidos matou até agora (oficialmente) mais de 87 mil pessoas também já provocou cerca de 36 milhões de pedidos de seguro de desemprego e faz milhões de pessoas recorrer aos bancos alimentares pela primeira vez. Apesar disso, os negócios estão a prosperar num sector improvável: os fabricantes de armas estão mais ocupados do que nunca e multiplicam anúncios procurando dezenas de milhares de trabalhadores.
Enfrentada a crise do novo coronavírus na província de Hubei, especialmente em Wuhan, a China reanima decididamente as actividades económicas e sociais tendo também em consideração que está a ser vítima de uma concentração de ataques norte-americanos e ocidentais para conter o país como potência emergente. Pequim reage procedendo à restauração das próprias forças e também no âmbito da parceria estratégica com a Rússia, que adquire novas valências. O mundo está em mudança.
A pandemia de COVID-19 continua mas as despesas militares aumentam em todo o mundo, comandadas pelos Estados Unidos e a NATO, apesar de em 2019 já terem sido as mais elevadas em mais de duas décadas. O secretário de Estado norte-americano pediu aos aliados mais 400 mil milhões de dólares para gastos de guerra numa altura em que são necessários enormes recursos para a saúde dos cidadãos e em que o desemprego ataca como um flagelo. Mas não nos preocupemos com isso porque alguém está a publicar anúncios de emprego: a NATO.
Depois de anos a distorcer o mercado da aviação com a sua política de preços nominalmente baixos, mas cobrando fortemente por tudo o que não seja o simples lugar apertado a bordo do aparelho, as companhias ditas de baixo-custo (low cost) preparam-se para fazer os seus trabalhadores suportar o preço das medidas de restrição às viagens impostas por necessidades de saúde pública. Isto apesar de elevadas ajudas recebidas do Estado ao longo da última década.
Um novo relatório do Instituto de Estudos Políticos dos Estados Unidos revela que enquanto dezenas de milhões de norte-americanos estão a perder os seus empregos como consequência da pandemia do novo coronavírus a elite dos super-ricos do país aumentou o seu património líquido em 282 mil milhões de dólares em apenas 23 dias. Isto acontece apesar de as previsões económicas admitirem uma contracção de 40% no trimestre em curso.
O ministro da Economia do governo golpista da Bolívia, José Luis Parada, anunciou as orientações estratégicas da política económica e social depois do derrube do governo legítimo do país: regresso do Fundo Monetário Internacional (FMI), entrega dos recursos estratégicos de lítio do Salar de Uyuni a empresas transnacionais estrangeiras e expansão latifundiária da produção agroindustrial através da utilização de transgénicos (OGM, organismos geneticamente modificados. Todas as medidas se orientam pelo favorecimento de interesses imperialistas e das oligarquias internas, desvendando as orientações a longo prazo de um governo que se diz “transitório”.
A guerra comercial contra a China, o isolamento económico crescente dos Estados Unidos, os recursos astronómicos desviados da economia para guerras infindáveis como a do Afeganistão, a ocupação do Iraque, a desestabilização da Líbia e outras, as lentas mas inexoráveis consequências da delapidação da Natureza e dos seus recursos, o empobrecimento das classes médias ocidentais, a destruição dos sistemas de segurança social e de saúde dos países europeus e latino-americanos pelas políticas de austeridade, a especulação financeira e imobiliária dos últimos anos, criaram um palco propício ao desencadear de uma crise económica de grande magnitude ao menor abalo.
Uma Carta Aberta recentemente publicada pelo “Público” e subscrita por mais de trezentas pessoas e dezenas de organizações locais vem alertar para o desproporcionado perigo de vida a que as políticas governamentais têm exposto as comunidades negra, cigana e as pessoas mais pobres e vulneráveis; estas pessoas – “são as invisíveis do sistema: sem documentos, sem casa ou habitação digna ou que estão confinadas em prisões, centros educativos, de detenção e de acolhimento. São também quem trabalha sem contrato e quem não tem meios para trabalhar e estudar à distância”.
A epidemia de COVID-19 mostra-nos o completo fracasso das políticas neoliberais em todo o mundo: a trágica situação em Itália, Espanha, França e Estados Unidos – actualmente os mais afectados – deve-se principalmente a décadas de políticas de austeridade e cortes nos serviços públicos de saúde.
O mundo desconhece a extensão real da tragédia que assolou a zona mais industrializada da região da Lombardia, em Itália, onde se regista a maior taxa de mortes por milhar de habitantes por COVID-19 da Europa. O mundo praticamente ignora que enquanto camiões militares transportavam cadáveres empilhados através das ruas das cidades as maiores organizações patronais dirigiam campanhas proclamando que "a economia não pode parar” e mantinham as fábricas abertas – enquanto o governo central lhes ia fazendo a vontade. Hoje a dor das populações está a transformar-se em raiva, mas será que virão a ser apuradas responsabilidades?
Utilizar sacos de plástico como luvas, acessórios de natação para protecção ocular, gazes e fraldas como máscaras, contentores frigoríficos como necrotérios estacionados em frente dos hospitais, valas comuns para enterrar os corpos. Estas são algumas das respostas das autoridades nos Estados Unidos perante o surto de coronavírus. Linha de frente no combate à pandemia, trabalhadores da saúde relatam, num misto de medo e indignação, cortes de salários, suspensão e modificação de contratos, jornadas de até 16 horas, falta de materiais de protecção à contaminação, esgotamento emocional e muita, muita raiva. “Sentimos-mos como ovelhas a caminho do matadouro”, relata uma médica de Nova York[1].
O reforço da Informação Independente como antídoto para a propaganda global.
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