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Golpe na Venezuela, com banho de sangue no horizonte; retirada norte-americana do Tratado que proíbe mísseis de médio alcance e desbrava o caminho da guerra nuclear. Dois passos para o abismo dados pela administração Trump desde que o núcleo de sociopatas em torno do presidente se tornou sólido e estável. Ocasião escolhida pelos aliados de Washington para transformarem as supostas divergências com administração norte-americana em rendida vassalagem, corresponsabilizando-se, assim, pelas ameaças de tragédia que se reforçam sobre os povos da América Latina e do continente europeu. Uma subserviência na qual o governo de Portugal se esforça por ter lugar de destaque.
Formou-se em "revoluções coloridas" e "mudanças de governo" numa escola sérvia de terrorismo patrocinada pelos Estados Unidos; integrou a "Geração 2007", elite desestabilizadora venezuelana paga por Washington; fez estágios nas arruaças sangrentas e assassinas de 2014 e 2017 chamadas "guarimbas"; a sua carreira foi relativamente discreta até se proclamar "presidente" da Assembleia Nacional e da Venezuela depois de ter recebido um telefonema do vice-presidente dos Estados Unidos, não tendo sido eleito para qualquer dos lugares. É o escolhido por Trump para administrar, a rogo, as maiores reservas petrolíferas mundiais; e, por inerência subserviente ao mesmo Trump, é também o escolhido pela União Europeia e pelo governo de Portugal para "presidente legítimo" da Venezuela e "restaurar a democracia" no país. Conheça Juan Gaidó, o golpista venezuelano que o mundo "civilizado" e a fina flor dos media fast news veneram sem verdadeiramente curarem de saber quem é.
A engrenagem autocrática da União Europeia encarou o Brexit como um exemplo dissuasor a todos os Estados membros para que não se atrevam a seguir o caminho de Londres, porque Bruxelas não tolera dissidências. Os britânicos votaram pela saída da UE? Então que sejam humilhados e sugados para perceberem que não se brinca com a ditadura do mercado e com uma das suas organizações emblemáticas - "na qual se entra mas não se sai", como se diz nos bastidores de Bruxelas. E se isto acontece com uma potência de topo, o que seria das menos poderosas? O exemplo está dado.
As intenções golpistas dos Estados Unidos e aliados em relação à Venezuela não encontraram eco no Conselho de Segurança da ONU, praticamente dividido ao meio sobre o assunto. Além de não caber no âmbito da ONU pronunciar-se sobre questões internas de uma nação soberana, sete dos 15 membros do Conselho de Segurança, entre os quais China e Rússia, não deram andamento aos pretextos de Washington e alguns aliados europeus, o que evitou a repetição das decisões que geraram o caos na Líbia e no Iraque. A reunião de Nova York foi também muito elucidativa quanto aos papéis nefastos de António Guterres e Federica Mogherini.
A União Europeia, com o governo português na linha da frente, colocou-se ao lado de Trump no golpe contra a Venezuela. Ao lado… para já não; os dirigentes europeus deram uma semana ao presidente legítimo, Nicolás Maduro, para convocar eleições - que aliás foram realizadas há oito meses; caso contrário reconhecem o mesmo "presidente interino" que os Estados Unidos indicaram. Um disfarce de uma semana para tentar manter aparências é uma atitude caricata que deixa a União a um nível rasteiro de subserviência a Trump. Sob ultimatos sucessivos e intervenção militar em preparação, no horizonte da Venezuela e dos povos da América Latina levantam-se terríveis ameaças contra milhões de pessoas, entre as quais a comunidade portuguesa - vítima da armadilha que lhes foi montada com a ajuda de quem manda em Lisboa.
Três correntes oriundas do velho franquismo e agora reunidas no suporte ao regime económico neoliberal formam o novo governo autonómico da Andaluzia, em Espanha: Partido Popular (PP), Ciudadanos e Vox. O acordo foi encontrado e permite juntar em Sevilha formações do Partido Popular Europeu, da irmandade do Em Marche de Macron e dos fascistas de Steve Bannon na aplicação de políticas xenófobas e cerceadoras de direitos. Também sob o alto patrocínio da oposição terrorista iraniana, a crer no diário El País.
O reforço da Informação Independente como antídoto para a propaganda global.
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