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TELEFONEMA DE WASHINGTON FEZ AVANÇAR GUAIDÓ

Michael Pence, vice-presidente dos Estados Unidos, demonstrou que também se podem ordenar golpes de Estado por telefone

2019-02-02

Manlio Dinucci, Il Manifesto (Roma)/O Lado Oculto

O anúncio do presidente Trump do reconhecimento de Juan Guaidó como “presidente legítimo” da Venezuela foi preparado em instalações subterrâneas no interior do Congresso e da Casa Branca.

É o que relata em pormenor o New York Times. O principal operador foi o senador republicano da Florida, Marco Rubio, “virtual secretário de Estado para a América Latina, que dirige e articula a estratégia da administração” na região”, em ligação com vice-presidente, Michael Pence, e o conselheiro para a Segurança Nacional, John Bolton.
Os três apresentaram o plano na Casa Branca, em 22 de Janeiro, e o presidente aceitou-o. De imediato, relata o New York Times, “Pence telefonou a Guaidó e disse-lhe que os Estados Unidos o apoiariam se ele se proclamasse presidente”.
A seguir, o vice-presidente Pence fez difundir na Venezuela uma mensagem vídeo na qual apelava à realização de manifestações para que os venezuelanos “façam ouvir a sua voz amanhã”; e garantia que, “em nome do presidente Trump e do povo americano, estamos com ustedes até que a democracia seja restaurada”. Entretanto, definiu Maduro como “um ditador que jamais conquistou a presidência em eleições livres.”
No dia seguinte, Trump coroou oficialmente Guaidó como “presidente da Venezuela”, ainda que este não tenha participado nas eleições presidenciais de Maio de 2018; as quais, boicotadas pela oposição que sabia que as perderia, deram a vitória a Maduro, sob a fiscalização de numerosos observadores internacionais.

A mão do “Estado profundo”

Estes bastidores revelam que as decisões políticas são tomadas em primeiro lugar pelo “Estado profundo”, centro subterrâneo do poder real detido pelas oligarquias económicas, financeiras e militares. Foram estas que decidiram derrubar o Estado venezuelano. Este possui, além de grandes reservas de minerais preciosos, as maiores reservas petrolíferas do mundo, calculadas em 300 mil milhões de barris, seis vezes superiores às dos Estados Unidos.
Para escapar ao chicote das sanções, que chegam ao ponto de impedir a Venezuela de encaixar dólares resultantes das vendas de petróleo aos Estados Unidos, Caracas decidiu de cotar os preços da venda de petróleo não em dólares norte-americanos mas em yuans chineses. Manobra que ameaça o poder exorbitante dos petrodólares. Daí a decisão das oligarquias norte-americanas de acelerar os mecanismos para derrubar o Estado venezuelano e apoderar-se das suas riquezas petrolíferas, imediatamente necessárias não como fonte energética para os Estados Unidos mas como instrumento estratégico de controlo do mercado energético mundial, numa perspectiva anti-Rússia e anti-China.
Para isso, através de sanções e sabotagens agravou-se a penúria de bens de primeira necessidade, de modo a alimentar o descontentamento popular. Intensificou-se, simultaneamente, a penetração de “organizações não-governamentais” dos Estados Unidos: por exemplo, a National Endowment for Democracy (NED) financiou, em apenas um ano, mais de 40 projectos para “defesa dos direitos humanos e da democracia”, cada um deles com dezenas ou centenas de milhares de dólares.
Como o governo continua a ter o apoio da maioria, uma grande provocação estará certamente em preparação para desencadear uma guerra civil no interior e abrir o caminho para uma intervenção externa. Com a cumplicidade da União Europeia que, depois de bloquear na Bélgica fundos públicos venezuelanos no valor de 1200 milhões de dólares, faz um ultimato à Venezuela para convocação de novas eleições. Sob o controlo de Federica Mogherini, alta comissária para a política externa da União, a mesma que, no ano passado, recusou o convite de Maduro para observar as eleições presidenciais.


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