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DEGELO ECONÓMICO ENTRE FRANÇA E RÚSSIA

O último encontro de Medvedev como um homólogo francês foi ainda com Manuel Valls, no consulado de Hollande

2019-06-06

Sylvie Moreira, Paris

O primeiro-ministro da Rússia e anterior chefe de Estado, Dimitri Medvedev, visitará Paris nos próximos dias 24 e 25 de Junho, de acordo com círculos diplomáticos parisienses. As questões económicas deverão estar no topo das agendas das reuniões do visitante.

Medvedev será recebido pelo seu homólogo francês, Edouard Philippe neste primeiro encontro em Paris entre os primeiros-ministros de França e da Rússia desde 2014, altura em que o golpe de Estado na Ucrânia e a consequente crise na Crimeia vieram perturbar as relações bilaterais e multilaterais.

De acordo com os mesmos círculos, esta aproximação desencadeou-se remotamente por iniciativa de Moscovo. A visita de Medvedev corresponde, porém, à apresentação de propostas concretas para relançar as relações bilaterais contidas numa carta de cinco páginas que o presidente Emmanuel Macron enviou em 18 de Abril ao presidente russo, Vladimir Putin, através do seu mensageiro especial, o antigo ministro Jean Pierre Chevènement.

Não é segredo que são muitos os grupos económicos franceses que continuam a pressionar o Eliseu para que reabra as perspectivas de negócios com a Rússia. Empresários franceses de várias áreas económicas têm-se mostrado cada vez mais contrariados com a actual situação de afastamento, considerando que as grandes oportunidades de negócios existentes na Rússia estão a ser aproveitadas por concorrentes de outras latitudes.

As sanções e o gasoduto

A causa maior de insatisfação, comum a empresários de outras nacionalidades europeias, é o facto de a União Europeia, de modo centralizador, ter vindo a adoptar e respeitar as sanções impostas pelos Estados Unidos à Rússia e que, segundo fontes de vários grandes grupos europeus, apenas têm servido para prejudicar a economia dos países da União.

O governo de Paris reconhece, segundo os círculos diplomáticos relacionadas com a visita do chefe do governo russo, que são muitos os empresários de várias áreas económicas prontos a negociar com Moscovo assim que se abram oportunidades para isso.

Um dos temas que estará igualmente em agenda em Paris será a construção do gasoduto Nord Stream 2 entre o território russo e a Alemanha. Há empresas francesas envolvidas no consórcio e que estão a ser prejudicadas pelas pressões norte-americanas contra a concretização do projecto. Foi esta situação, por exemplo, que levou Donald Trump a ignorar a chanceler alemã durante os acontecimentos das últimas horas em Londres.

Merkel tem defendido o Nord Stream 2 contra as ingerências norte-americanas, mas existem forças em Bruxelas, e na própria coligação governamental alemã, dispostas a prejudicar os empresários e os consumidores europeus em nome dos interesses dos Estados Unidos.

Através do gasoduto em questão os europeus ficarão aptos a consumir gás natural a baixos braços e extremamente vantajosos quando comparados com os do gás liquefeito resultante de fracking (gás de xisto) que os Estados Unidos pretendem exportar de barco para a Europa.

Por isso, nada mais natural, segundo os círculos diplomáticos franceses, que os primeiros-ministros francês e russo debatem esse tema nos próximos dias 24 e 25 de Junho. 


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