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PRESIDENTE SÉRVIO RENDE-SE À ALBÂNIA NO KOSOVO

Vucic, à direita, rendendo-se à União Europeia e à Albânia, representados por Federica Mogherini e Hashim Thaci, o terrorista albanês que a NATO colocou à frente do Kosovo.

2019-05-31

Apenas um dia depois de o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, ter afirmado no Parlamento de Belgrado que “precisamos de reconhecer que perdemos o território” do Kosovo, as forças especiais desta região, tuteladas pela NATO, realizaram uma operação violenta contra a área de maioria sérvia da província ocupada.

Andrew Korybko*, Eurasia Future; adaptação O Lado Oculto

O presidente sérvio está, de facto, com muitas dificuldades em fazer com que o seu povo apoie os seus esforços para “reconhecer” como “independente” a província separatista do Kosovo, ocupada pela NATO. Um dia depois de Vucic ter dito no parlamento que “precisamos de reconhecer que fomos derrotados” e que “perdemos o território”, as forças especiais kosovares realizaram uma provocação descarada na área setentrional da província, de maioria sérvia; e assim, de modo suspeito, comprovaram o seu ponto de vista.

Limpeza étnica

Os tambores de guerra nos Balcãs soaram um pouco mais fortes na terça-feira, dia 28, depois de as “autoridades” albanesas da província sérvia do Kosovo, ocupada pela NATO, realizarem mais uma operação violenta no norte do território. A provocação foi qualificada por Maria Zakharova, porta-voz do Ministério russo da Defesa, como “mais um esforço para intimidar e expulsar a população não-albanesa e forçar o controlo total da área”.

Forças especiais albanesas da província prenderam mais de uma dezena de cidadãos de origem sérvia sob o pretexto de estarem alegadamente envolvidos no “crime organizado”; chegaram a inclusivamente a deter, por curto espaço de tempo, um cidadão russo que trabalha para uma missão da ONU no Kosovo, o que mostra como os sectores do poder tutelado pela NATO em Pristina agem com toda a impunidade na zona, apesar de estarem oficialmente impedidos de o fazerem.

Belgrado condenou naturalmente a operação e dramatizou-a, porque chegou a colocar as suas tropas em alerta de combate. Poucos acreditaram, porém, na consistência e na convicção dessa reacção, sobretudo depois do que o presidente Vucic dissera na véspera no parlamento de Belgrado.

Eurofilia leva à rendição

O presidente sérvio é conhecido pela sua eurofilia, isto é, pela disposição de fazer qualquer coisa que seja necessária para juntar o seu país à União Europeia. Este movimento exige a “normalização” dos vínculos com o Kosovo, o que equivale a uma rendição e à abdicação desse território histórico onde a Sérvia nasceu. Vucic está a enfrentar forte resistência às diligências para cumprir as exigências de Bruxelas e foi por isso que disse o seguinte, no dia 27, aos deputados do seu país:

“Precisamos de reconhecer que fomos derrotados… Perdemos o território. Opto por não continuar com as mentiras e os enganos. Declaro perante todos vós: não existe qualquer autoridade (visível) da Sérvia no Kosovo, excepto em hospitais e escolas. Temos duas opções: normalizar as relações, chegar a um acordo ou manter um conflito congelado. Vamos pedir às pessoas, através de um referendo, para que digam o que pensam sobre uma possível solução de compromisso”.

Bem em cima do acontecimento, como que a confirmar a ideia presidencial de que o Kosovo está perdido para a Sérvia, os albaneses realizaram uma operação punitiva contra a minoria sérvia do território menos de 24 horas depois. A agressão pode ter sido planeada com antecipação, devido à escala e audácia, mas o momento de ignição talvez tenham sido as palavras (deliberadas ou não intencionais) proferidas pelo presidente sérvio. O encadeamento de factos levanta suspeitas sobre o que realmente está a acontecer. Não pode ser provado que tenha existido, ou não, alguma coordenação entre Vucic e Pristina, o que não impede que a oposição já esteja a utilizar as circunstâncias.

Os novos Balcãs

Independentemente de ter ou não havido uma coincidência entre as palavras presidenciais em Belgrado e o ataque albanês, ou de haver mais alguma coisa na história que os olhos não consigam enxergar, o mais importante dos acontecimentos é o facto de os Balcãs estarem à beira de mais uma “balcanização”. Os indícios relevantes são dados pelo ex-diplomata britânico Timothy Less: está a elaborar um projecto para dividir a região através de linhas étnico-religiosas, acção que faz o seu caminho entre as grandes potências, incluindo a Rússia. Isto não quer dizer que Moscovo entenda que seja a melhor solução, mas traduz o reconhecimento de que é praticamente impotente para alterar o curso dos acontecimentos; limitar-se-ia, por isso, a “seguir a corrente”, na esperança de interferir no processo. Como exemplo desta atitude da Rússia está o reconhecimento por Moscovo da “Macedónia do Norte”, um passo na construção dos “novos Balcãs” dado sob tutela da NATO e da União Europeia.

Os albaneses estão, naturalmente, ansiosos por acelerar este processo, mas a posição assumida na terça-feira no Kosovo pode, no fundo, tornar mais difícil a concretização da rendição do presidente sérvio, que assim fica muito exposto perante a oposição

*Jornalista norte-americano baseado em Moscovo; analista político especializado nas relações estratégicas entre as grandes potências, principalmente na região Afro-Eurásia.

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