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CONHEÇA A ESTRATÉGIA PARA ABATER A RÚSSIA

2019-05-24

Manlio Dinucci, Il Manifesto/O Lado Oculto

As conclusões do mais recente relatório confidencial da Rand Corporation, o think tank norte-americano mais influente, foram tornadas públicas através da publicação de um “Resumo”. Este desvenda a maneira de conduzir uma nova guerra fria contra a Rússia. Algumas recomendações já estão a ser aplicadas, mas a sua divulgação no quadro de um plano sistemático permite compreender o seu verdadeiro objectivo.

Obrigar o adversário a expandir-se demasiado para o desequilibrar e abater: não é um golpe de judo mas o plano contra a Rússia elaborado pela Rand Corporation, o mais influente think tank norte-americano, com uma equipa de milhares de peritos e que se apresenta como a mais fiável fonte mundial de informação e análise política para os governantes dos Estados Unidos e seus aliados.

A Rand Corp vangloria-se de ter contribuído para elaborar a estratégia a longo prazo que permitiu aos Estados Unidos saírem vencedores da guerra fria, forçando a União Soviética a consumir os seus recursos económicos na confrontação estratégica. É neste modelo que se inspira o novo plano, “Overextending and Unbalancing Russia” (Sobreexpansão e Desequilíbrio da Rússia), publicado pela Rand. Segundo os analistas, a Rússia continua a ser um poderoso adversário dos Estados Unidos em alguns domínios fundamentais. Por isso, Washington deve manter, com os seus aliados, uma estratégia conjunta a longo prazo que explore as suas vulnerabilidades. Deste modo, devem analisar-se diferentes meios de obrigar a Rússia a desequilibrar-se, avaliando as probabilidades de êxito, as vantagens, os custos e os riscos para os Estados Unidos resultantes de cada um deles.

Calcanhar de Aquiles: a economia

Os analistas da Rand calculam que a maior vulnerabilidade da Rússia seja a sua economia, devido à forte dependência da exportação de petróleo e gás, cujas receitas podem ser reduzidas agravando as sanções e aumentando as exportações energéticas norte-americanas. Trata-se de agir de maneira a que a Europa diminua as importações de gás natural russo, substituindo-as por gás natural liquefeito transportado por mar a partir de outros países.

Uma outra maneira de prejudicar com o tempo a economia da Rússia é encorajar a emigração de pessoal qualificado, designadamente os jovens russos com um nível elevado de formação. Nos domínios ideológico e informativo é necessário encorajar a contestação interna, minando, ao mesmo tempo, a imagem da Rússia no exterior, excluindo o país dos fóruns internacionais e boicotando os acontecimentos desportivos internacionais que organiza.

No domínio geopolítico, armar a Ucrânia permite aos Estados Unidos explorar o ponto de maior vulnerabilidade externa da Rússia, mas isso deve ser calibrado para manter Moscovo sob pressão sem chegar a um grande conflito no qual ficaria por cima.

Obrigar os países da NATO a pagar

Quanto ao domínio militar, os Estados Unidos podem extrair benefícios elevados, com custos e riscos baixos, através do reforço das forças terrestres dos países europeus da NATO com uma missão anti-russa. Os Estados Unidos podem ter elevadas probabilidades de êxito e largos benefícios, com riscos moderados, sobretudo investindo maioritariamente nos bombardeiros estratégicos e nos mísseis ofensivos de longo alcance dirigidos contra a Rússia.

Sair do tratado de mísseis de médio alcance (INF) e colocar novas armas deste tipo na Europa, apontadas à Rússia, são medidas que asseguram elevadas probabilidades de êxito mas que comportam também elevados riscos.

Calibrando cada opção para obter o efeito desejado – concluem os analistas da Rand – a Rússia acabará por pagar o preço mais alto do confronto com os Estados Unidos, mas estes deverão investir enormes recursos, retirando-os de outros objectivos. Deste modo, deixam prever um grande aumento ulterior das despesas militares Estados Unidos/NATO em prejuízo das despesas sociais.

Eis o futuro que nos traça a Rand Corporation, o think tank mais influente do Estado profundo, isto é, do centro subterrâneo do poder real mantido pelas oligarquias económicas, financeiras e militares, aquelas que determinam as escolhas estratégicas não apenas dos Estados Unidos mas de todo o Ocidente.

As “opções” previstas pelo plano não são, em realidade, mais do que variantes da mesma estratégia de guerra cujo preço, em termos de sacrifícios e riscos, é pago por todos nós.


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