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FALSO ATAQUE DE DUMA: MAIS PROVAS DA ENCENAÇÃO

Os terroristas dos Capacetes Brancos tiveram direito a Oscar de Hollywood pela sua capacidade de encenar ataques químicos como o de Duma

2019-05-16

Tony Carlucci, New Eastern Outlook; adaptação O Lado Oculto

Surgiram novas provas demonstrando que o suposto ataque químico em Duma, na Síria, em 7 de Abril de 2018, foi encenado por terroristas apoiados pelos Estados Unidos e não uma operação do governo de Damasco.

Revelações recentes confirmam que os Estados Unidos não apenas acusaram falsamente o governo sírio de ter realizado um ataque químico como invocaram essa acção para bombardearem a Síria. A 14 de Abril, aviões norte-americanos e também aviões e navios britânicos e franceses dispararam mais de 200 mísseis de cruzeiro contra supostas “instalações químicas” no país.

Até hoje, os Estados Unidos falharam rotundamente em apresentar qualquer prova convincente que fundamente a sua acusação.

Uma investigação posterior realizada pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW na sigla anglo-saxónica ou OPAQ) reuniu, no entanto, provas concludentes do que poderá ter sido mais uma operação de bandeira falsa a cargo de grupos terroristas apoiados por Washington. As investigações da OPAQ permitiram encontrar um cilindro de gás de cloro num depósito de armas de grupos fundamentalistas islâmicos praticamente igual a dois cilindros supostamente utilizados no ataque de Duma.

Enquanto os terroristas apoiados pelos Estados Unidos alegam insistentemente que os dois cilindros foram lançados sobre Duma por helicópteros do exército regular sírio, a OPAQ apurou que as crateras supostamente provocadas pelos dois engenhos coincidiam com as de edifícios vizinhos claramente resultantes da acção de poderosos explosivos convencionais.

Cilindros colocados à mão

Segundo o relatório final da OPAQ, os investigadores notaram que uma cratera semelhante à que os terroristas diziam ter sido provocada por cilindros químicos foi encontrada num edifício adjacente. Sublinha ainda o relatório que os cilindros podem não ter criado as crateras apontadas pelos terroristas islâmicos e depois exibidas pelos media ocidentais, que adoptaram acriticamente a sua versão da história. Em vez disso, tudo indica que os cilindros foram colocados manualmente nas imediações de crateras provocadas por explosivos convencionais.

Mais recentemente ainda foi conhecido o resultado de uma “avaliação de engenharia” de uma cratera supostamente criada pelos cilindros e que não foi divulgado com o relatório inicial da OPAQ.

De acordo com os especialistas no “resumo executivo” do seu relatório, o aspecto da cratera é muito mais consistente com o que se espera de engenhos de artilharia do que com os efeitos do impacto de objectos em queda. A tese dos disparos de artilharia é também sustentada pela presença de uma cratera de aparência muito semelhante em edifícios próximos.

Em resumo, concluem os autores do relatório, a observação dos dois locais, juntamente com análise posterior, sugere que há uma maior probabilidade de ambos os cilindros terem sido manualmente colocados do que lançados por via aérea.

Encenação

O resultado desta avaliação vem dar ainda mais peso à conclusão passível de ser extraída do relatório inicial da OPAQ – a de que o suposto ataque químico foi encenado.

Aliás, não faria qualquer sentido que o governo de Damasco se envolvesse numa operação que só iria prejudicá-lo. Os acontecimentos ocorreram nas vésperas da vitória total das forças sírias sobre os terroristas apoiados pelos Estados Unidos em toda a região em redor da capital. O exército regular tinha recorrido a uma ampla força convencional para ir superando as bolsas terroristas, mas mesmo que, por absurdo, Damasco tivesse a tentação de usar armas químicas para acelerar a vitória é improvável que se limitasse ao lançamento de dois cilindros contendo uma quantidade insignificante de cloro.

O mesmo não se passa do lado terrorista. Enfrentando uma derrota cada vez mais inevitável e completa e necessitando – juntamente com os seus apoiantes norte-americanos – de um pretexto para uma intervenção militar para conter o avanço das tropas sírias, tinham todas as razões para encenar um ataque, culpar Damasco e mentir sobre o assunto a partir de então. Os media ocidentais encarregar-se-iam, como aconteceu, da correspondente campanha de propaganda.

Se a análise política do suposto ataque, com base nas possíveis motivações de ambos os lados, não fosse suficientemente conclusiva, a avaliação de engenharia da OPAQ agora conhecida encerra definitivamente o assunto.

A importância de Duma

A tendência de Washington para encenar provocações com o objectivo de provocar guerras mais amplas não é exclusiva do caso sírio. Já o avanço para a invasão do Iraque, em 2003, foi baseado numa mentira deliberada, construída sobre provas fabricadas.

Por esse caminho, os Estados Unidos tentam também provocar guerras contra a Ucrânia, a Venezuela, o Irão e, provavelmente, de novo na própria Síria, numa altura em que as forças governamentais avançam para a reconquista de Idleb.

Compreender como os terroristas apoiados pelos Estados Unidos montaram o ataque em Duma, como os media ocidentais mentiram ao público global, dando cobertura aos bombardeamentos por países da NATO, e como os investigadores expuseram as provas, revelando a existência de uma operação de bandeira falsa – tudo isso ajudará a diminuir o impacto político de futuras provocações do género.


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