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1º- MINISTRO DO KOSOVO: “SOU UM SOLDADO DA AMÉRICA!”

Um "soldado da América" com a chefe da diplomacia da União Europeia

2019-04-12

Paul Antonopoulos, Global Research/O Lado Oculto

“Sou um soldado dos Estados Unidos da América no terreno; só cumpro ordens”, é como se define o primeiro ministro do Kosovo, Ramush Haradinaj. Meia dúzia de palavras explicam muita coisa.

No passado dia 5 de Abril, o primeiro-ministro do Kosovo, Ramush Haradinaj, fez uma grande confissão ao revelar que as políticas do seu governo servem os interesses dos Estados Unidos contra a Rússia e a Sérvia. Nesse quadro, afirma, está apenas a cumprir as ordens de Washington.
“O povo albanês, em todas as suas terras, faz parte de tudo quanto a América comanda; integramos os seus planos globais”, declarou Haradinaj à publicação Gazeta Blic, em língua albanesa.
“Sou um soldado da América no terreno; só cumpro ordens”, acrescentou.
Ramush Haradinaj foi um comandante da organização terrorista do Exército de Libertação do Kosovo (UCK) durante a guerra de 1998-1999, lançada para separar esta província da Sérvia, tornando-a um Estado independente ou integrando-a numa “Grande Albânia”.
Em Junho de 1999, na sequência de uma guerra aérea conduzida pela NATO durante 79 dias, a Sérvia permitiu que as forças da ONU entrassem no território – o que, na prática, significou que a NATO tomou conta do Kosovo para o entregar ao UCK.
“Haradinaj está a ser bastante franco e a dizer a verdade”, comenta o analista político Nikola Mirkovic no seu gabinete em Paris. O primeiro-ministro do Kosovo confessa abertamente o que tem sido a sua vida nos últimos 20 anos, desde que os Estados Unidos e a NATO começaram a treinar, armar e financiar o UCK, acrescenta.

Um protectorado

“O Kosovo é hoje claramente um protectorado norte-americano e Haradinaj diz apenas a verdade, que não passa de um soldado norte-americano”, considera Mirkovic.
O analista recordou que a independência do Kosovo, declarada em 2008 mas reconhecida apenas pelos Estados Unidos e aliados, é uma mera ilusão no meio de um processo de limpezas étnicas que prossegue nos Balcãs.
“No final de cada dia é o embaixador dos Estados Unidos quem tem a última palavra e decide o que está a acontecer”, salientou o comentador.
Mirkovic lembra que a independência do Kosovo não é reconhecida pela grande maioria dos Estados do planeta, incluindo a Rússia, a China, a Índia e também a Sérvia; desde 2008 que Washington vem pressionando sucessivos governos sérvios para reconhecerem a independência, mas sem sucesso.
Os Estados Unidos patrocinam agora em Belgrado uma das suas “revoluções coloridas” para que esse reconhecimento seja possível – o que só poderá acontecer se no topo dos órgãos de poder sérvio ficar alguém com o perfil de Ramush Haradinaj.
“Por que a NATO bombardeou a Jugoslávia há 20 anos?”, interroga-se o analista Nikola Mirkovic. “Porque queria uma nova posição nos Balcãs, uma base militar como a de Bondsteel”, afirmou referindo-se ao enorme dispositivo militar norte-americano agora instalado no Sudeste do Kosovo.
Entretanto correm notícias de que tanto Haradinaj como outro antigo chefe terrorista do UCK, o agora presidente do Kosovo, Hakim Thaci, estão com dificuldades em obter vistos de entrada nos Estados Unidos.
Não é tanto assim. Há poucos dias, Haradinaj exibiu provas de uma recente viagem aos Estados Unidos ao mostrar uma foto pessoal tirada em Detroit na sua conta de Twitter.
Do seu programa de viagem constaram apenas reuniões com membros da diáspora albanesa nos Estados Unidos e não quaisquer contactos com representantes da administração de Donald Trump.
Nem isso seria previsível, tratando-se apenas “de um soldado no terreno”.




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