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ALEMANHA ESTÁ EM PLENO NO NEGÓCIO DAS ARMAS

Leopard 3, um novo projecto de tanque de fabrico conjunto franco-alemão

2019-02-21

Lourdes Hubermann, Berlim

Pelo braço da França, a Alemanha regressou em pleno à venda internacional de armamento, restringida desde o final da Segunda Guerra Mundial. A decisão, que não é assumida abertamente por Berlim, resulta de uma cláusula secreta do recente tratado assinado pela França e a Alemanha em Aix-la-Chapelle.

De acordo com uma informação divulgada pela publicação alemã Spiegel, a cláusula secreta foi acrescida à margem do tratado que estabelece um renovado enquadramento das relações entre a Alemanha e a França. O texto estabelece que a Alemanha deixa de se opor à venda de armas produzidas em conjunto com a França, com excepção de situações em que possa estar em causa a segurança nacional.
Depois do fim da guerra, a República Federal da Alemanha ficou sujeita a normas restritivas de âmbito militar, as mais importantes das quais eram a interdição de proceder a operações militares no estrangeiro e a decisão de não exportar armas em situações que pudessem suscitar a sua utilização com nefastos efeitos do ponto de vista humanitário.
Depois do envio de tropas alemãs para a invasão do Afeganistão pela NATO, pondo fim à primeira das condições restritivas, o segundo tabu acaba agora de cair em Aix-la-Chapelle.
A chanceler Angela Merkel já tinha dado indicações que a situação herdada do fim do nazismo poderia estar prestes a alterar-se. Durante a recente Conferência de Segurança em Munique, Merkel afirmou que as restrições à exportação de armas alemãs eram muito apertadas e comprometiam a rentabilidade da indústria alemã de armamento.
A adenda secreta ao acordo franco-alemão vem ultrapassar em grande parte a situação, uma vez que escancara as portas da venda de armamento produzido conjuntamente pela França e a Alemanha.

Lucrar com a chacina no Iémen

Segundo a informação publicada pela Spiegel, a Alemanha retira as suas restrições ao comércio dos engenhos produzidos em cooperação com Paris sem eliminar publicamente a cláusula. Na prática, as vendas são feitas através da parte francesa e haverá uma partilha dos lucros entre os dois países.
A Alemanha passa, portanto, a participar no abastecimento das forças militares da ditadura da Arábia Saudita, sobretudo agora que o país está envolvido na agressão ao Iémen.
Até aqui, a França tem sido acusada de fazer abertamente negócio com a chacina em curso no território iemenita. A Alemanha passa agora a ser corresponsável pela situação.
O entendimento franco-alemão ocorre numa época em que o comércio de armas disparou em volume e em receitas devido às guerras no Médio Oriente e ao agravamento da situação conflitual noutras regiões do globo, designadamente em África, na Ásia e na América Latina – mesmo sem ter em conta os novos armamentos, inclusivamente de âmbito nuclear, cuja instalação é previsível na Europa.
A França tem anunciado que um dos objectivos da sua presença reforçada de tropas no Médio Oriente é o de dinamizar o negócio de armamentos. A Alemanha acaba de se associar a essa actividade que se perspectiva muito lucrativa.


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