O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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PORQUE A NATO DESTRUIU A LÍBIA HÁ DEZ ANOS

Embora o Pentágono tivesse já decidido destruir todas as estruturas estatais do Médio Oriente alargado, país por país, apenas a urgência financeira explica porque a vez da Líbia tenha chegado em 2011, numa altura em que o país era aliado de Washington. O velho colonialismo imperial recorreu mais uma vez ao poder militar com o objectivo de travar os esforços africanos para cortar amarras e dependências, principalmente através da criação de um mercado único e de uma moeda única que pusesse fim ao reinado regional do dólar e do franco CFA. O poder financeiro líbio iria sustentar essas transformações; por isso a Líbia pagou (e está a pagar) o preço às mãos do terrorismo colonial da NATO.

UM ENCONTRO QUE INCOMODOU OS DONOS DO MUNDO

O primeiro encontro desde o século VII entre um Papa católico romano e um líder espiritual xiita, considerado este como uma “fonte de emulação”, foi um divisor de águas sob qualquer ponto de vista histórico. Será preciso que passe muito tempo para avaliar todas as implicações da imensamente intrigante conversa frente a frente de 50 minutos, apenas na presença de intérpretes, entre o Papa Francisco e o Grande Ayatollah Sistani na sua humilde casa situada num beco de Najaf, perto do deslumbrante santuário do Imã Ali.

O PARTIDO DA GUERRA GANHA SEMPRE

Joseph Biden mandou bombardear a Síria a pretexto de ataques dirigidos contra as suas forças de ocupação presentes no Iraque; e fê-lo ao mesmo tempo em que aviões militares israelitas atacavam Damasco. Como era de esperar, a realidade demonstra que em Washington mudaram apenas as moscas. Nas eleições norte-americanas o partido único, o partido da guerra, ganha sempre.

ESTADOS UNIDOS RESSUSCITAM DAESH NA SÍRIA

Os terroristas do Estado Islâmico, ISIS ou Daesh voltaram a estar activos na província síria de Deir Ezzor, no nordeste do país, beneficiando de treino e outros apoios que obtêm em duas bases militares norte-americanas mantidas na região. Muito recentemente, jihadistas pertencentes a essa organização atacaram efectivos do Exército Árabe Sírio, as forças armadas nacionais.

HÁ 30 ANOS, A “MÃE DE TODAS AS GUERRAS” SEM FIM

Passam exactamente 30 anos sobre o momento em que os Estados Unidos e os seus velhos e novos aliados – nascidos estes no espaço de influência da União Soviética então em desagregação – lançaram a operação “Tempestade no Deserto” contra o Iraque de Saddam Hussein. Também foi chamada “a mãe de todas as guerras”, sabe-se hoje que com inteira razão pois ela gerou uma sucessão de guerras sem fim cujos efeitos moldam a actual estratégia imperial: Jugoslávia, Afeganistão, novamente Iraque, Líbia, Síria, a que devem somar-se os conflitos não directamente assumidos contra o Irão e o Líbano. A agressão marcou o regresso das forças armadas portugueses a intervenções de carácter colonial, que se multiplicaram até hoje - acções violadoras da Constituição que escapam à fiscalização constitucional. E pôs em evidência que a guerra se transformou no praticamente único recurso das forças dominantes à escala mundial.

A ARMADILHA DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO

E de repente tudo se tornou sustentável. Dos mais solenes discursos dos poderes à publicidade mais assanhada instando aos mais desenfreado consumismo, a “sustentabilidade” tornou-se um mandamento inapelável; ignorando nós se muitos dos doutrinadores saberão do que estão a falar. Em prol da sustentabilidade faz-se uma mixórdia de conceitos onde cabem a ecologia, o combate às mudanças climáticas, a pegada de carbono e respectiva neutralização, o efeito de estufa, o degelo, as energias renováveis, o desenvolvimento sustentável; num ápice, as coisas que consumimos no dia-a-dia tornaram-se recicláveis, compostáveis, biodegradáveis, obrigatoriamente biológicas. Circula muito e constante ruído para nos obrigar a assimilar coisas de que a generalidade das pessoas não fazem ideia. Ora nada disto é inocente, conjuntural e fortuito.

GIGANTES DA ENERGIA “ACONSELHAM” POLÍTICA EXTERNA DA UE

Um alto quadro do Conselho de Administração do gigante energético italiano ENI e membro altamente remunerado de duas comissões da mesma empresa é conselheiro especial do chefe da política externa da União Europeia, Josep Borrel, cujo gabinete se “esqueceu” de informar a Comissão Europeia sobre a sua nomeação.

A GRANDE FARSA DA SUSTENTABILIDADE

“Só os mortos viram o fim da guerra”, Platão. Esta máxima é tão válida hoje como há 2500 anos. As guerras continuam e sucedem-se. Elas são exactamente um antídoto da sustentabilidade. Elas podem mesmo vir a ser a única “sustentabilidade” que a humanidade moderna conhece – destruição sem fim, matanças, exploração desavergonhada da Mãe Terra e dos seres que a habitam, incluindo os humanos.

POR DETRÁS DE UMA GUERRA RESSUSCITADA

Milhares de mercenários islâmicos que têm combatido contra a Síria sob as chancelas da al-Qaida e do Estado Islâmico (ISIS ou Daesh) foram e estão a ser recrutados por empresas de segurança turcas e norte-americanas para acordarem da letargia de 25 anos o conflito de Nagorno-Karabakh entre a Arménia e o Azerbaijão. Tendo em consideração que o status quo regional e internacional da disputa se tem mantido mais ou menos inalterado no último quarto de século, que interesses estão por detrás do despertar da guerra? A declaração recente de um cessar-fogo é importante mas não garante que fique aberto o caminho para aproximar posições.

O “ASSASSÍNIO” DE NAVALNY: UM GUIÃO SEM PÉS NEM CABEÇA

Alexei Navalny, o político fascista russo endeusado no Ocidente como uma grande figura da oposição a Putin – mas que está longe de tirar o sono ao Kremlin – sobreviveu miraculosamente ao mortífero veneno Novichok. Saiu-se tão bem como há dois anos o agente duplo Skripal, aparentemente são como um pero depois de ter sido dado como praticamente morto. Das três uma: ou Navalny e Skripal são super-homens, ou o Novichok perdeu potencialidades em termos de letalidade ou simplesmente nunca houve Novichok nestas histórias para entreter telejornais e alimentar a guerra contra a Rússia. Histórias mal contadas, que não têm factualmente pés nem cabeça, mas que são levadas a sério e podem gerar convulsões de consequências imprevisíveis. Assim funciona a propaganda que tomou as rédeas da informação.

RÚSSIA TROCA AS VOLTAS ÀS SANÇÕES DE WASHINGTON CONTRA A SÍRIA

Na última semana de Setembro, a Rússia enviou uma significativa missão oficial a Damasco chefiada por “pesos pesados” como o representante do presidente Vladimir Putin, vice-primeiro-ministro Iuri Borisov, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, à frente de uma delegação económico-militar para preparar quarenta acordos com o governo sírio em todos os domínios importantes e que irão quebrar as sanções montadas pelos Estados Unidos e a União Europeia contra o país. Este passo é tanto mais importante porque surge como uma resposta ao agravamento das penalizações norte-americanas contidas na chamada “Lei César” e envia para Washington uma mensagem clara de que Moscovo não tenciona abandonar os seus aliados e os seus interesses no Médio Oriente.

NEGACIONISMO E “CAPITALISMO VERDE” SÃO AMBOS INIMIGOS DO AMBIENTE

Perante o cenário catastrófico que se anuncia como consequência do aquecimento global, os poderes fácticos do capitalismo internacional oscilam entre duas estratégias: uma campanha de negação das provas científicas que pretende apresentá-las como uma “ideologia”; e uma estratégia de promoção de um “capitalismo verde” ou “sustentável” que promove acordos internacionais que não passam de farsas e promove uma reconversão parcial e limitada dos sistemas produtivos enquanto fortalece o modelo de acumulação e exploração capitalista.

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