O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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COLONIALISMO EM MARCHA, HOJE COMO ONTEM

Portugal e a Itália estão entre os países subcontratantes do Pentágono no Mediterrâneo e em África. Se bem que o Comando Africano dos Estados Unidos (AfriCom) permaneça ainda na Alemanha, Washington delegou uma parte das missões marítimas e todas as operações terrestres na Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Estónia, Noruega, Holanda, Portugal, Reino Unido, Suécia e República Checa, sob comando da França. A parte norte-americana conserva, bem entendido, o controlo das operações, designadamente por via aérea. Velhos e novos aparelhos coloniais em marcha, travestidos de “missões de paz”, actuam além-fronteiras para servirem interesses estratégicos e económicos. O exemplo de Itália.

OS MILHÕES DE BRUXELAS NÃO SÃO PARA AS PESSOAS

“Histórico”! O adjectivo ainda hoje ecoa para saudar o acordo entre os membros da União Europeia e que supostamente faz chover sobre as nossas cabeças os milhões que irão aliviar-nos dos males económicos da COVID-19. Este é o conto de fadas. A realidade, por isso, nada tem a ver com ele. Chegam milhões a “fundo perdido” e por empréstimo que vão custar caro aos contribuintes, não poderão ser aplicados onde verdadeiramente fazem falta aos cidadãos – na saúde e outras vertentes sociais – e que ainda aliviam os países ricos, ditos “frugais”, de boa parte dos encargos com o orçamento europeu. Este é o preço da “unidade”: austeridade, financiamento de empresas privadas em sectores que não estão directamente ligados ao emprego e outros interesses sociais, novas amarras financeiras sem dividendos económicos onde são mais necessários, encargos aumentados com o orçamento da União. Por isso os mercados financeiros não cabem em si de contentes; enquanto as pessoas terão mais do mesmo porque a “recuperação” não é para elas.

A NATO ASSUME A SUA AMBIÇÃO IMPERIAL

O processo de alargamento da NATO à zona Indo-Pacífico já começou. Foi criado oficialmente um grupo de trabalho para o efeito, não para reflectir a estratégia considerada mais adequada contra a China mas para a tornar pública e a justificar a posteriori, uma vez o trabalho concluído. Não existe qualquer diferença em relação ao período colonial, uma vez que se trata de conter a China, isto é, impedir o seu desenvolvimento. Tudo isto no âmbito imperial da Grande NATO Mundial no horizonte de 2030 – agregando Austrália, Nova Zelândia, Japão e outros países asiáticos.

O EURO ENTRE A VIDA E A MORTE

O euro, a moeda única, está entre a vida e a morte. Uma sentença do Tribunal Constitucional Alemão adoptada em 5 de Maio veio tornar frontais e irredutíveis as divergências no interior da Zona Euro e que implicam com os mecanismos possíveis de ajuda aos Estados membros para combater a crise económica decorrente da pandemia do COVID-19. Como a seguir se explica, a situação resultante da sentença do Tribunal criou um quadro no qual ou a Alemanha sai do euro ou as suas posições ditadas constitucionalmente têm ganho de causa no Banco Central Europeu – terminando com as compras de dívida dos Estados membros. Mas se isto acontecer, países como França e a Itália terão de por em causa a continuidade no euro porque as suas economias não sobrevivem sem as compras de dívida e os mecanismos (não assumidos) de financiamento monetário através do BCE. O euro, tal como o conhecemos, está entre a vida e a morte.

GENOCÍDIO, A ORDEM NATURAL DAS COISAS

A “repugnância” do primeiro-ministro da República Portuguesa com o comportamento do ministro das Finanças da Holanda é legítima, saudável, até catártica. Ao mesmo tempo, porém, é estranha e surpreendente. Porque o chefe do governo português não pode ignorar que a atitude de Woepke Hoekstra não é um caso isolado, uma birra pessoal: reflecte exactamente o espírito e a prática da União Europeia, dos quais Portugal vai tendo a sua dose de experiência própria. E quando António Costa afirma dramaticamente que “ou a União Europeia faz o que tem a fazer ou acabará” isso não passa de um banal e inócuo sound bite: sabe perfeitamente que a União Europeia não fará o que, no seu entender de ocasião, “tem a fazer” – salvar pessoas da tragédia do COVID-19 – e muito menos irá acabar por causa disso.

A GRITANTE INUTILIDADE DA UNIÃO EUROPEIA

A nova presidente da Comissão Europeia conseguiu ser nomeada pelos Estados membros mas acumulam-se os indícios de que a sua escolha foi uma verdadeira gaffe dos federalistas europeus; e agora fica claro que Bruxelas não tem qualquer plano de contingência para a pandemia de coronavírus (COVID-19).

NATO CERCA E PROVOCA A RÚSSIA NO ÁRTICO

Em Março, cerca de 7500 efectivos de combate norte-americanos viajam para a Noruega, onde se juntarão a milhares de soldados de outros países da NATO numa imensa batalha simulada contra forças “invasoras” russas. Neste empenhamento com carácter futurista – que tem o nome de Cold Response (Resposta Fria) 2020 – as forças aliadas “realizarão exercícios multinacionais conjuntos num cenário de combate de alta intensidade em exigentes condições de Inverno”, explicam os militares noruegueses. À primeira vista parece ser mais um dos jogos de guerra da NATO mas, pensando melhor, o Cold Response 2020 nada tem de comum. Em primeiro lugar, é encenado acima do Círculo Polar Ártico, longe de qualquer anterior campo de batalha tradicional da NATO; e eleva para um novo nível a possibilidade de um conflito de grandes dimensões que pode terminar num confronto nuclear e na aniquilação mútua. Bem-vindos, por outras palavras, ao mais novo campo de batalha da Terceira Guerra Mundial.

UNIÃO EUROPEIA FORNECE ARMAS COM ORÇAMENTO PARALELO

Chamam-lhe “Fundo Europeu para a Paz”, mas o objectivo pretendido é o de Bruxelas fornecer armamento letal a exércitos de países africanos com um orçamento paralelo ao da União Europeia, mas sob supervisão comunitária. A ideia tem um ano e foi discutida ao nível de embaixadores no dia 27 de Novembro.

GUERRAS SECRETAS DA NATO ACIMA DAS LEIS E DOS CIDADÃOS

Um drone de guerra italiano abatido sobre a Líbia confirma que o envolvimento de Itália e outras nações em operações militares ofensivas secretas sob comando dos Estados Unidos e da NATO se processa à revelia das Constituições, das leis, e das decisões dos órgãos eleitos desses países. As guerras, secretas ou não, pagas com o dinheiro dos cidadãos escapam cada vez mais ao controlo dos cidadãos. Assim funciona a NATO.

GASODUTO NORD STREAM 2 VAI SER CONCLUÍDO

O gasoduto Nord Stream 2 recebeu finalmente luz verde do governo da Dinamarca, pelo que pode estabelecer-se a ligação do sector final a Lubmin, na Alemanha, concluindo-se o projecto. A decisão do governo dinamarquês foi tomada com pouca vontade, devido às pressões norte-americanas em contrário e apesar de a obra passar por águas onde não suscita quaisquer preocupações ambientais. Ligando a Rússia à Alemanha, o projecto transporta gás natural para a Europa a preços muito mais acessíveis do que todas as opções disponíveis até ao momento, designadamente a importação de gás natural liquefeito (GNL) norte-americano, a mais dispendiosa - mas que é exigida por Washington através da ameaça de sanções.

COMPRAR A GRONELÂNDIA NÃO É UMA PIADA

A ideia de Trump sobre a compra da Gronelândia é para levar a sério. Grandes operações, mesmo as que são aparentemente mais bizarras, podem começar com balões de ensaio como este. A Gronelândia não é um iceberg em águas árcticas: é uma vasta ilha com importância estratégica - sobretudo com a retirada norte-americana do Tratado INF - que tem importantes riquezas naturais, entre elas petróleo, gás natural e metais terras raras. Sendo que as preocupações sobre as sensibilidades ambientais, árcticas ou outras, não costumam travar Trump. A Gronelândia é um território autónomo da Dinamarca e que não integra a União Europeia. Poderá ou quererá Copenhaga evitar o negócio se Washington, muito à sua maneira, insistir nele?

COMO SE TRANSFORMA O BÁLTICO NUM “LAGO DA NATO”

Com manobras guerreiras, integração do espaço nórdico numa gigantesca rede de espionagem e ameaças permanentes vai-se transformando o Báltico num "lago da NATO"

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