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O futuro do planeta nos próximos vinte a trinta anos está profundamente associado ao processo de integração da Eurásia, que tem como os três pilares essenciais a China, a Rússia e o Irão. Contra esta integração batem-se empenhadamente os Estados Unidos, com base na sua doutrina “Indo-Pacífico” e procurando adaptar a NATO a esta estratégia fazendo avançar a aliança para espaços asiáticos. Isso ficou claro na última cimeira da NATO através das decisões de reforçar a agressividade contra a Rússia, conter a China e militarizar o espaço. A que se somam os esforços incessantes para mudar o regime no Irão. Os dados estão lançados: de um lado as estratégias convergentes da Iniciativa Cintura e Estrada da China e da Grande Eurásia, da Rússia; do outro o Império globalista, em luta existencial pelo seu domínio. Segue-se uma reflexão sobre o ponto da situação daquilo que o autor qualificou como “a batalha das eras”, o choque de titãs entre a unipolaridade globalista e a multipolaridade.
Estimado leitor, se lhe disserem que os Estados Unidos são autossuficientes em hidrocarbonetos e não precisam do petróleo do Médio Oriente, não acredite. A guerra sem fim montada pelo Pentágono através de toda a região e algumas extensões geográficas tem a ver com fontes de energia, o controlo das suas reservas, produção e distribuição. Portanto, o que tem acontecido nas últimas semanas, por exemplo a simultaneidade da desestabilização do Iraque e do Irão e a nova fase da guerra na Líbia tem, e muito, a ver com isso.
O novelo continua a desenrolar-se. As últimas notícias de que o Pentágono tenciona reforçar os seus contingentes de tropas no Iraque e no Koweit e as declarações de Donald Trump no sentido de obrigar o Irão a pagar “um preço muito alto” pelos mais recentes acontecimentos em território iraquiano desvendam a entrada numa nova fase da guerra dos Estados Unidos e Israel contra Teerão. Os resultados da recente reunião conspirativa de Lisboa começam a aparecer.
Na recente cimeira Rússia-África, realizada em finais de Outubro em Sochi, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou o cancelamento de 20 mil milhões de dólares de dívidas acumuladas por países africanos. Qual o significado deste gesto, que mesmo em Moscovo foi muito criticado como uma generosidade sem sentido? Uma das explicações é o facto de a Rússia estar atenta à política chinesa no continente africano.
Golpe de Estado na Bolívia, manobras políticas no Chile que contrariam os objectivos das manifestações populares, intriga política imperial na Austrália, guerras comerciais. Trata-se de acontecimentos que, normalmente, são lidos de forma autónoma com base em incidências locais ou regionais. Porém, não podem ser convenientemente interpretados se não forem observados à luz de manobras geopolíticas de carácter global relacionadas com um novo combustível estratégico, capaz de rivalizar em importância com o petróleo: o lítio. Sem ele não se fabricam as baterias para a indústria de veículos eléctricos, em explosão, e dos mais correntes gadets, a começar pelos telemóveis.
A esmagadora maioria dos cidadãos europeus defende a neutralidade da União Europeia no caso de deflagrarem conflitos armados entre os Estados Unidos e a Rússia ou a China. Esta não é a única matéria em que existe dissonância absoluta entre as políticas de Bruxelas e a vontade dos cidadãos, mas revela até que ponto as instâncias não-eleitas da União Europeia estão distantes da opinião dos cidadãos e, por consequência, do respeito pela democracia.
A ideia de Trump sobre a compra da Gronelândia é para levar a sério. Grandes operações, mesmo as que são aparentemente mais bizarras, podem começar com balões de ensaio como este. A Gronelândia não é um iceberg em águas árcticas: é uma vasta ilha com importância estratégica - sobretudo com a retirada norte-americana do Tratado INF - que tem importantes riquezas naturais, entre elas petróleo, gás natural e metais terras raras. Sendo que as preocupações sobre as sensibilidades ambientais, árcticas ou outras, não costumam travar Trump. A Gronelândia é um território autónomo da Dinamarca e que não integra a União Europeia. Poderá ou quererá Copenhaga evitar o negócio se Washington, muito à sua maneira, insistir nele?
Numa altura em que alguns meios de comunicação da ortodoxia neoliberal parecem ter acordado para uma agressão militar que dura há mais de cinco anos – e manipulam as circunstâncias do conflito – informações sobre o comportamento da Arábia Saudita no Iémen confirmam que se trata de uma guerra colonial para saque das riquezas naturais iemenitas, com o petróleo à cabeça. E também de uma estratégia contra o Irão.
Em 12 de Julho a Rússia entregou à Turquia o primeiro carregamento de mísseis antiaéreos S-400, de acordo com o Ministério da Defesa de Ancara. Estão previstas mais duas entregas até final do Verão, sendo a última, segundo a mesma fonte, de “mais 120 mísseis antiaéreos de vários tipos” e que viajarão por via marítima. A concretização do negócio entre Moscovo e o país que possui as maiores forças convencionais da NATO, a seguir aos Estados Unidos, tem um potencial desestabilizador para as relações de forças existentes entre as grandes potências mundiais.
A nova doutrina político-militar adoptada pela Junta de Chefes do Estado Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos estabelece que o recurso a armas nucleares "é decisivo" para ultrapassar o facto de o Pentágono não conseguir ganhar "de maneira convincente" as guerras em que se envolve. Existe, portanto, uma mudança doutrinária em que o uso do nuclear deixa de ser tabu: passa a ser um meio de garantir vitória em guerras e garante "estabilidade estratégica". Além disso, pode proporcionar ataques preventivos que sejam dissuasores de guerras. O mundo que se prepare.
Os "incidentes" com petroleiros no Médio Oriente sucedem-se. Tal como se sucedem as acusações proferidas pelos mais altos responsáveis norte-americanos contra o Irão, sem exibirem qualquer prova do que dizem e ignorando as veementes negativas de Teerão. Escutando os tambores de guerra norte-americanos contra o Irão, já não surpreende que aconteçam coisas estranhas e pouco explicadas como os "incidentes" deste tipo. Tanto mais que já há 10 anos um poderoso think tank norte-americano, a Brookings Institution", teorizava sobre a utilidade das "provocações iranianas", em relação às quais, aliás, Teerão era "muito reservado". Isto é, não "colabora" muito.
O reforço da Informação Independente como antídoto para a propaganda global.
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