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A estratégia para destruir o legítimo Estado constitucional venezuelano é constituída por múltiplas variáveis e diversos cenários. Entre eles, como agora ficou a saber-se, o recurso aos sangrentos esquadrões da morte, bandos de assassinos sustentados pelos interesses coloniais na América Latina. Foram criados na Venezuela pelo homem de Trump, Elliot Abrams, que há 30 anos os forjara na Nicarágua.
Movimentações militares, uma reunião de conspiração para agredir a Venezuela, novas sanções contra a Nicarágua e contra Cuba. Nos últimos dias, a ofensiva colonial norte-americana contra a América Latina acelerou-se perante a sucessão de fracassos nas tentativas para derrubar Maduro e impor Guaidó. Um após outro, vão regressando ao activo, pela mão dos fascistas Bolton, Pompeo e Pence da administração Trump, os estrategos terroristas responsáveis por algumas das mais cruéis fases imperialistas no "quintal das traseiras". Uma ofensiva que dinamita as próprias fronteiras regionais, como a União Europeia começa a perceber.
Se o objectivo é "restabelecer a democracia" na Venezuela, Trump e os seus falcões não poderiam ter escolhido melhor para assessorar o presidente "interino", Juan Guaidó, nesta tarefa. Elliot Abrams, o eleito, traz com ele um vasto currículo de 40 anos de experiência em golpes, conspirações, montagem de esquadrões da morte e operações terroristas, assassínios, acções clandestinas e guerras civis, sobretudo na América Latina - mas também no Médio Oriente. Não lhe falta sequer a experiência de ter tentado um primeiro golpe na Venezuela, em 2002, contra Hugo Chávez. "Restaurar a democracia"? O homem certo no lugar certo. Como o governo português sabe, por certo.
A União Europeia, com o governo português na linha da frente, colocou-se ao lado de Trump no golpe contra a Venezuela. Ao lado… para já não; os dirigentes europeus deram uma semana ao presidente legítimo, Nicolás Maduro, para convocar eleições - que aliás foram realizadas há oito meses; caso contrário reconhecem o mesmo "presidente interino" que os Estados Unidos indicaram. Um disfarce de uma semana para tentar manter aparências é uma atitude caricata que deixa a União a um nível rasteiro de subserviência a Trump. Sob ultimatos sucessivos e intervenção militar em preparação, no horizonte da Venezuela e dos povos da América Latina levantam-se terríveis ameaças contra milhões de pessoas, entre as quais a comunidade portuguesa - vítima da armadilha que lhes foi montada com a ajuda de quem manda em Lisboa.
O golpe na Venezuela teve o seu primeiro grande tropeção diplomático: não existiu a maioria necessária entre os 34 membros da OEA para apoiar a proclamação de Juan Guaidó como "presidente interino" da Venezuela. Apesar das pressões de Trump, feitas directamente pelo ex-patrão da CIA, Michael Pompeo, os 16 Estados apoiantes do golpe não chegaram sequer para formar metade da Organização dos Estados Americanos, quanto mais os 23 necessários regimentalmente. Entre os grandes derrotados estão, além de Pompeo, Luís Almagro, o próprio secretário-geral da OEA, e os chefes dos regimes da Argentina e do Brasil. Fora da OEA, o ministro português dos Negócios Estrangeiros assumiu uma benigna posição favorável ao golpe, contra os interesses da comunidade portuguesa na Venezuela.
A guerra contra a Venezuela, conduzida pelos Estados Unidos e respectivas colónias regionais, está em marcha. O contexto militar ainda está indefinido, mas as provocações, conspirações, pressões e ameaças não deixam dúvidas. O confronto em andamento, porém, pode não corresponder ao que desejam os promotores. Outros interesses importantes se cruzam na região - e pede estar no horizonte a criação de uma base militar aeronaval russa em território venezuelano.
O terror paira sobre a América Latina no arranque de 2019, precisamente quando se assinalam os 60 anos da Revolução Cubana. Numa base norte-americana na Colômbia, um grupo de mercenários treina a montagem de uma provocação que poderá desembocar numa agressão contra a Venezuela cujo apoio de eminências fascistas como Jair Bolsonaro e Iván Duque, presidente da Colômbia, estaria já assegurado pelo SouthCom, o Comando Sul dos Estados Unidos da América. Cuba e Nicarágua estão igualmente sob ameaça.
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