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A directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, pronunciou uma sentença em poucas palavras que vale mais que mil imagens: “A Organização Mundial de Saúde existe para proteger a saúde das pessoas; o FMI existe para proteger a saúde da economia mundial”. Ficamos avisados: ai dos povos cujos dirigentes resolverem combater o cataclismo económico gerado pelo novo coronavírus recorrendo às bem conhecidas “ajudas” do FMI e das suas extensões troikianas para consumo interno da União Europeia!
Chegaram, viram – e foram vencidos. Os países do Sul da Europa, comandados por Itália e Espanha e com uma ajuda informal de França, perderam mais uma batalha no Eurogrupo frente aos seus vizinhos do Norte. Esta é a realidade da prolongada reunião que antecedeu a Páscoa e que continuou a ser dominada pela Alemanha – por muito que este país tenha tentado manter-se discreto.
Os meses anteriores ao feroz colapso ocorrido agora nas bolsas de valores e à emergência da maior crise de saúde pública dos últimos cem anos testemunharam o maior êxodo de presidentes e directores executivos (CEO) de conglomerados corporativos. Além disso, directores e grandes investidores venderam milhares de milhões de dólares de acções das suas próprias empresas antes da implosão dos mercados de valores. Na vida, as oportunidades podem ser tudo e as pessoas, às vezes, simplesmente têm sorte. Mas parece estranho que tantos membros das elites corporativas tenham tanta sorte ao mesmo tempo. Não se trata de conhecer as motivações destes desertores mas de encontrar padrões comportamentais que vale a pena conhecer.
No dia 18 de Outubro de 2019, dezena e meia de tecnocratas de luxo ao serviço das mais altas esferas do regime neoliberal globalista reuniram-se num hotel de Nova York para realizar “um exercício pandémico de alto nível” designado Event 201; consistiu na “simulação de um surto de um novo coronavírus” de âmbito mundial no qual, “à medida que os casos e mortes se avolumam, as consequências tornam-se cada vez mais graves” devido “ao crescimento exponencial semana a semana”. Ninguém ouvira falar ainda de qualquer caso de infecção: estávamos a 20 dias de o jornal britânico Guardian noticiar o aparecimento na China de uma nova doença respiratória provocada – soube-se só algumas semanas depois – por um novo coronavírus. Os dons proféticos dos expoentes do neoliberalismo são, sem dúvida, admiráveis.
Michael Pence, o fundamentalista cristão que ocupa o lugar de vice-presidente dos Estados Unidos, um céptico da ciência, foi encarregado por Donald Trump de filtrar toda a informação sobre o coronavírus que pode chegar à comunicação social e à população dos Estados Unidos. Ferrenho do dogma “criacionista” e inimigo da teoria da evolução, responsável pelo maior surto de HIV no Estado de Indiana, onde era governador, adversário do uso de preservativo – método “demasiado moderno” – adepto do “tratamento clínico” da homossexualidade, Pence dirige uma “task-force” para lidar com a crise do COVID-19. E a fotografia oficial da primeira reunião do grupo na Casa Branca mostra os participantes rezando para que o mal do coronavírus seja afastado.
Quase duas décadas depois da invasão e ocupação do Afeganistão a seguir ao 11 de Setembro e após uma guerra interminável que custou mais de mais de dois biliões (milhões de milhões) de dólares é difícil não haver nada de "histórico" num possível acordo de paz entre os Estados Unidos e os Talibã na cidade de Doha, no Qatar.
Em pouco mais de um ano as grandes instituições corporativas que contam no mundo parecem ter entrado na onda da nova “agenda verde” de medidas radicais para “conter” as mudanças climáticas. Até o bastião da globalização económica empresarial, o Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, a transformou no tema principal da reunião deste ano, envolvendo “as partes interessadas num mundo coeso e sustentável”. Entre as noções em foco esteve a “de como salvar o planeta” em que a palestrante em destaque foi a jovem activista sueca Greta Thunberg. O que poucos percebem é como tudo isto está a ser orquestrado com cuidado para preparar uma mudança massiva nos fluxos globais de capitais, movimento através do qual um punhado de gigantes financeiros tem tudo a ganhar.
Há poucos anos ainda, um presidente federal alemão foi obrigado a demitir-se por defender a afirmação dos interesses alemães através da guerra. Hoje, essa política militarista é promovida pela ministra da Defesa e candidata a chanceler, Annegret Kramp-Karrenbauer (CDU), sem que nada lhe aconteça. A ministra, note-se, sucede no cargo à nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para quem “a Europa deve aprender a utilizar a linguagem da força”. A Alemanha imperial, agora no quadro da NATO e da União Europeia, retoma o seu caminho.
Quando o exemplo vem do topo da pirâmide não é de admirar que o trabalho escravo prolifere no espaço da União Europeia: o chamado “Edifício Europa”, obra imponente de Bruxelas onde se reúnem os chefes de Estado e de governo dos países membros – o Conselho Europeu – foi construído, em parte, por operários sem contratos laborais e privados de salários durante meses a fio.
A tecnologia de quinta geração de transmissão móvel de dados (5G) começa a entrar nas nossas vidas, mas antes que isso aconteça em pleno os Estados Unidos puseram em andamento o processo da sua militarização através das próprias redes comerciais, por ficar mais em conta. Liderada pela China na sua componente civil, a 5G transita para o domínio da guerra e da espionagem pela mão dos Estados Unidos, apesar do seu reconhecido atraso nesta novidade tecnológica.
As mudanças climáticas já chegaram, são caóticas e os negociantes das crises sabem-no. Um deles é Bill Gates, que prepara o seu arsenal constituído por tecnologias eticamente duvidosas como a geoengenharia solar, a biologia sintética e os organismos transgénicos.
Privatizações geram “ondas de suicídios”. O julgamento de sete ex-executivos da empresa France Télécom que tem vindo a decorrer em França e aguarda sentença é um processo que senta no banco dos réus os métodos de “liberalização e flexibilização” do mercado de trabalho, a prática obsessiva de privatizações e o sistema neoliberal de “liberdade de mercado”, máximo lucro e desrespeito pelos direitos humanos.
O reforço da Informação Independente como antídoto para a propaganda global.
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