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Em menos de um ano, desde Junho do ano passado, as forças coloniais da NATO e da União Europeia deram passos decisivos para o controlo absoluto da região dos Balcãs. Nesse dia foi assinado o Tratado de Prespa, entre a Macedónia ex-jugoslava e a Grécia de Tsipras. Seguiram-se golpes na Macedónia e passos determinantes para a integração do Kosovo da Albânia, enquanto mais uma "revolução colorida" ganha fôlego na Sérvia. Nasce assim a Grande Albânia, velha ambição do expansionismo islâmico e mafioso de Tirana, cenário que coincide com as pretensões coloniais de Washington e Bruxelas no Sudoeste Balcânico.
Sob disfarces vários, mas sob o mesmo pretexto, os Estados Unidos travam a "guerra contra o terrorismo" em 80 países, isto é, 40% das Nações da Terra. Em combate aberto ou sob as capas de "treino" e "assistência", o corpo expedicionário norte-americano é global e imperial, ao mesmo tempo que os efectivos terroristas e o número de organizações terroristas não deixaram de crescer e alastrar desde que o combate foi declarado, a seguir aos mal explicados atentados de 11 de Setembro de 2001. A situação deixa numerosas perguntas no ar, a que os governos, a começar pelo dos Estados Unidos, e as instituições internacionais não estão interessados em responder.
A reunião do Grupo de Lima - uma emanação de Washington - realizada na segunda-feira traduziu um recuo dos conspiradores na estratégia de invasão da Venezuela. O vice-presidente de Trump, intérprete principal da conspiração, saiu de Bogotá com as mãos a abanar depois de os seus principais subordinados alegarem que não era a melhor altura de avançar para a incursão armada. A derrota que sofreram no golpe da "ajuda humanitária, no sábado, dia 23, deixou as suas marcas.
"Ajuda humanitária" é uma forma recente de aplicar a velha estratégia de cinismo de quem explora condições difíceis para seres humanos para delas tirar proveito por interesses próprios. Entre os anos trinta do século passado, como já sublinhava Bento de Jesus Caraça, e as provocações ocorridas nestes dias nas fronteiras da Venezuela, não passou assim tanto tempo e os métodos apenas refinaram na propaganda.
A provocação fascista contra as instituições democráticas venezuelanas montada para o passado sábado, 23 de Fevereiro, na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, fracassou. Levada até às últimas consequências, tinha como objectivo desencadear uma agressão estrangeira contra a Venezuela. Sobrou um pretexto impossível de demonstrar – que a Guarda Nacional Bolivariana teria incendiado camiões com a famosa “ajuda” norte-americana – mas que os golpistas tentarão agora explorar “multilateralmente”.
O almirante Kurt W. Tidd, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, recomendou há três anos o seguinte para a Venezuela: "é preciso explorar ao máximo do ponto de vista político, reforçando a matriz mediática, a escassez de água, alimentos, medicamentos e de electricidade”, “ligando a crise à responsabilidade exclusiva de Maduro”; e “pedindo à comunidade internacional uma intervenção humanitária para manter a paz e salvar vidas”. Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência.
As mais recentes movimentações de tropas e outros meios militares norte-americanos com o objectivo de apertar o cerco à Venezuela reforçam os indícios de que as manobras em torno da "ajuda humanitária" anunciadas para sábado pelo "presidente interino" da Venezuela, Juan Guaidó, têm como objectivo desencadear uma operação militar. A componente militar sob comando norte-americano parece estar pronta a tirar proveito da provocação que está a ser tentada para esse dia nas zonas fronteiriças entre a Venezuela e a Colômbia. Um dos roteiros possíveis da operação está disponível.
O reforço da Informação Independente como antídoto para a propaganda global.
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