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O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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BARÕES DO CLIMA: SIGA A PISTA DO DINHEIRO

2019-10-01

F. William Engdahl*, New Eastern Outlook/O Lado Oculto

O clima! Quem diria que as megacorporações e os megamilionários que estão por detrás da globalização da economia mundial nas últimas décadas, cuja procura incessante de lucros para os accionistas e das reduções de despesas tanto dano causaram ao mosso meio ambiente, tanto no mundo industrializado como nas economias subdesenvolvidas de Ásia, África e América Latina, se tornaram agora os principais patrocinadores do movimento de descarbonização de base - da Suécia à Alemanha, aos Estados Unidos e muito mais além!

Será algum peso na consciência ou antes uma agenda mais profundada para financeirização do ar que respiramos e muito mais?

Independentemente de tudo quanto possa pensar sobre os perigos do dióxido de carbono e dos riscos do aquecimento global criando uma catástrofe global através do aumento médio de temperatura de 1,5 a 2 graus Celsius nos próximos 12 anos, vale a pena observar quem promove a actual intoxicação de propaganda e activismo climático.

Finanças verdes

Vários anos antes de Al Gore e outros decidirem servir-se de uma jovem estudante sueca para ser o rosto da propaganda da urgência da acção climática e de, nos Estados Unidos, a congressista Alexandra Ocasio-Cortez apelar a uma completa reorganização da economia através de um New Deal (Novo Acordo) Verde, os gigantes das finanças começaram a elaborar esquemas para direccionar milhares de milhões de fundos futuros para investimentos em empresas “climáticas”, muitas vezes sem valor.

Em 2013, após anos de cuidadosa preparação, uma empresa imobiliária sueca, Vasakronan, emitiu a primeira “acção verde” corporativa. Outras entidades se seguiram, incluindo a Apple, a SNCF (caminhos de ferro franceses) e o banco francês Crédit Agricole. Em Novembro de 2013, a Tesla Energy de Elon Mask, mergulhada em problemas, emitiu as primeiras securities (activos financeiros transacionáveis) sustentadas em activos solares. Hoje, de acordo com o chamado Climate Bonds Iniciative, mais de 500 mil milhões de títulos verdes estão em circulação. Os defensores desta ideia de títulos afirmam que o seu objectivo é conquistar uma fatia importante de 45 biliões (milhões de milhões) de activos sob gestão global nominalmente comprometidos para investir em projectos “favoráveis ao clima”.

O príncipe Carlos, herdeiro do trono de Inglaterra, juntamente com o Banco de Inglaterra e a City de Londres promoveram “instrumentos financeiros verdes”, com as “acções verdes” à cabeça, para redireccionar planos de pensões e fundos mutualistas para projectos considerados “verdes”. Um elemento fundamental na interligação entre as instituições financeiras mundiais e a Agenda Verde é o governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney. Em Dezembro de 2015, o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) do Banco de Pagamentos Internacionais, então presidido por Mark Carney, criou a Task-Force para Divulgação Financeira Relacionada com o Clima (TCFD) para aconselhar “investidores, credores e seguradoras sobre riscos relacionados com o clima”. Tratou-se, sem dúvida, de um foco bizarro estabelecido pelos banqueiros centrais do mundo.

Em 2016, a TCFD, juntamente com a City of London Corporation e o governo do Reino Unido, lançaram a chamada Iniciativa de Financiamento Verde, cujo objectivo é o de canalizar milhões de milhões de dólares para investimentos “verdes”. Por indicação dos banqueiros centrais do FSB, a task-force TCFD – divulgação financeira relacionada com o clima - é constituída por 31 pessoas e presidida pelo milionário Michael Bloomberg. Entre os membros contam-se representantes-chave do JP Morgan Chase; da Black Rock, uma das maiores gestoras de activos do mundo, com quase sete biliões de dólares; o Banco Barclays; o HSBC, banco de londres e Hong Kong penalizado frequentemente por lavagem de dinheiro do tráfico de droga e outros fundos negros; Swiss Re, o segundo maior resseguro do mundo; o banco ICBC da China; Tata Steel; a petrolífera ENI; Dow Chemical; o gigante mineiro BHP Billington; e David Blood, do Generation Investment LLC de Al Gore. Parece, de facto, que são as raposas a elaborar os planos para construir o novo galinheiro verde.

Tirar partido do medo

Mark Carney, o governador do Banco de Inglaterra, também foi uma das peças-chave para a transformação da City de Londres no principal centro das finanças verdes globais. Philip Hammond, chanceler do Tesouro britânico cessante, lançou em Julho deste ano um Livro Branco intitulado “Estratégia Financeira Verde: Transformando as Finanças para um Futuro mais Verde”. No documento pode ler-se: “Uma das iniciativas mais importantes é a Task Force do sector privado dedicada às divulgações financeiras relacionadas com o clima (TCFD), designada pelo Conselho de Estabilidade Financeira, apoiada por Mark Carney e presidida por Michael Bloomberg. Foi criada com o apoio de instituições que representam 118 biliões (milhões de milhões) de activos em todo o mundo”.

Parece, portanto, haver um projecto nesta matéria, que é o de financeirização de toda a economia mundial jogando com um cenário de medo sobre o fim do planeta para alcançar objectivos perfeitamente arbitrários, como o das “emissões zero de gases com efeito de estufa”.

Actor principal: Goldman Sachs

O Goldman Sachs, omnipresente banco de Wall Street que gerou, entre muitos outros, o presidente cessante do BCE, Mario Draghi, e o governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, acaba de lançar o primeiro índice de acções ambientais de alto nível, montado juntamente com o Carbon Disclosure Project (CDP) de Londres. Entre os notáveis financiadores desta entidade estão o HSBC, o JP Morgan Chase, o Bank of America, Merril Lynch, Goldman Sachs, American International Group e o State Street Corp.

O novo índice, designado CDP Environment EW e CDP Eurozone EW tem como objectivo atrair fundos de investimento, sistemas de pensões públicos com biliões de activos para investir em metas cuidadosamente escolhidas. Entre as empresas mais bem classificadas do índice estão a Alphabet, proprietária do Google, a Microsoft, ING Group, Diageo, Philips, Danone e, muito convenientemente, o Goldman Sachs.

Greta Thurnberg e Ocasio-Cortez

Os acontecimentos tomaram actualmente um rumo francamente hipócrita, quando somos confrontados com actividades climáticas muito populares e mediatizadas envolvendo a adolescente sueca Greta Thurnberg, a congressista democrática Alexandra Ocasio-Cortez (AOC), de Nova Iorque, e o seu New Deal Verde. Por muito sinceras que sejam de facto estas activistas, existe por trás delas uma máquina financeira muito bem lubrificada para promovê-las e gerar lucros.

Greta Thurnberg integra uma rede muito bem relacionada, vinculada à organização do antigo vice-presidente de Clinton, Al Gore, e comercializada cinicamente por estruturas altamente profissionais. Uma rede que é usada por entidades como a ONU, a Comissão Europeia e os interesses financeiros por detrás da actual agenda climática. Cory Morningstar, investigador e activista climático canadiano, tem vindo a demonstrar que está em campo uma rede muito bem interligada associada a Al Gore, presidente do grupo Generation Investment, um dos principais investidores climáticos dos Estados Unidos e um gerador de enormes lucros nesta área.

Um parceiro de Al Gore é David Blood, ex-membro do Goldman Sachs e um integrante da TCFD. Greta Thurnberg, juntamente com a amiga norte-americana Jamie Margolin, de 17 anos, foram designadas “conselheiras e curadoras especiais para a juventude” da organização não-governamental sueca Não Temos Tempo, fundada por Ingmar Rentzhog, o seu actual presidente. Rentzhog é um dos dirigentes do Projecto para a Realidade Climática de Al Gore e da task-force de Política Climática Europeia. São frequentes as suas sessões para apuramento de estratégias com Al Gore, designadamente em Março de 2017 em Denver e em Junho de 2018 em Berlim. O Projecto para a Realidade Climática de Al Gore é um parceiro da ONG Não Temos Tempo.

A congressista Alexandra Ocasio-Cortez provocou uma grande polémica nos seus primeiros dias de presença no Congresso de Washington ao apresentar um New Deal Verde, um novo acordo para reorganizar completamente a economia dos Estados Unidos com custos na ordem dos 100 biliões de dólares. Não pode dizer-se que esta eleita actue sem orientação especializada. AOC admitiu abertamente que concorreu às eleições para o Congresso por insistência de uma organização designada Justice Democrats. Numa entrevista declarou que “não teria concorrido se não fosse o apoio de Justice Democrats e do Brand New Congress; foram estas organizações as primeiras que me pediram para concorrer ao Congresso”. 

Como congressista, Ocasio-Cortez tem entre os seus assessores Zack Exley, cofundador do Justice Democrats e bolseiro da Open Society do “filantropo” George Soros. Exley recebeu fundos da Open Society Foundation e da Ford Foundation para lançar as bases do Justice Democrats e recrutar os seus membros e a candidata ao Congresso.

A agenda é económica

Os vínculos entre os maiores grupos financeiros do mundo, os bancos centrais e as corporações globais para impulsionar uma estratégia climática radical, trocando a economia baseada nos combustíveis fósseis por uma ainda inexplicada economia verde, têm pouco a ver, ao que parece, com a genuína preocupação de fazer do planeta um lugar limpo e saudável. Pelo contrário, são bases de um processo intimamente ligado à Agenda 2030 da ONU para uma economia “sustentável” e para obter literalmente biliões de dólares a partir de novas fontes de riqueza para os bancos globais e os gigantes financeiros – os poderes reais existentes.

Em Fevereiro de 2019, depois de um discurso proferido por Greta Thurnberg na Comissão Europeia, em Bruxelas, o então presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, beijou galantemente a mão da jovem sueca e fez promessas que até pareceram em tempo real. Explicou a Greta Thurnberg e à imprensa que a União Europeia deveria gastar centenas de milhões de euros para combater as alterações climáticas durante os próximos dez anos. Juncker propôs então que, entre 2021 e 2027, “cada quarto de euro do orçamento da União Europeia se destine a acções para mitigar as mudanças climáticas”.

O que o astuto Juncker não disse foi que a decisão nada teve a ver com o discurso proferido pela jovem sueca. Ela já vinha de trás e foi anunciada em 26 de Setembro de 2018, juntamente com o Banco Mundial, na Cimeira da Terra. À iniciativa juntaram-se ainda a Fundação Bloomberg, o Fórum Económico Mundial de Davos e outras instituições. Ou seja, o presidente da Comissão Europeia usou a atenção dada pela comunicação social à presença da jovem sueca para promover a sua agenda climática.

Em 17 de Outubro de 2018, dias após o anúncio feito na Cimeira da Terra, a União Europeia assinou um memorando de entendimento com a Breakthrough Energy-Europe no qual as empresas que integram esta iniciativa terão acesso preferencial a qualquer financiamento.

Ora a Breakthrough Energy conta entre os seus membros com Richard Branson, da Virgin; Bill Gates, Jack Ma, da superloja Alibaba; Marck Zuckerberg, do Facebook; o príncipe al-Waleed bin Talal, da HRH; Ray Dalio, da Bridgewater Associates; Julian Robertson, do gigante Tiger Management; David Rubinstein, fundador do Calyle Group; George Soros, presidente do Soros Fund Management LLC; Masayoshi Son, fundador do Softbank do Japão. 

Que não haja ilusões. Quando as grandes corporações multinacionais, os maiores investidores institucionais do mundo, incluindo Black Rock e Goldman Sachs, a ONU, o Banco Mundial, o Banco de Inglaterra e outros bancos centrais se alinham no financiamento da chamada Agenda Verde é altura de olhar para lá das campanhas conduzidas pelos activistas do clima e que merecem grande divulgação mediática. O que verdadeiramente emerge é a tentativa de reorganização financeira da economia mundial sob o pretexto do clima, de modo a convencer as pessoas comuns a fazer incontáveis sacrifícios para “salvar o nosso planeta”.

Em 2010, o presidente do Grupo de Trabalho 3 do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, Dr. Otmar Edenhofer, afirmou durante uma entrevista; ”… É preciso dizer que estamos, de facto, a redistribuir a riqueza do mundo pela política climática. É preciso que nos libertemos da ilusão de que a política climática internacional tem a ver com política ambiental. Ela não tem nada a ver com política ambiental, com problemas como a desflorestação e o buraco na camada de ozono”.

Desde então, a estratégia da política económica estabelecida sob pretexto das alterações climáticas desenvolveu-se ainda mais.

*Consultor estratégias de risco e professor; Universidade de Princeton


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