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GOVERNO E OPOSIÇÃO DA VENEZUELA DIALOGAM EM BARBADOS

Jorge Rodríguez, representante do governo nas negociações, anunciou que a primeira jornada foi positiva

2019-07-11

Fania Rodrigues, Caracas; America Latina en Movimiento/O Lado Oculto

A primeira jornada de diálogo entre o governo da Venezuela e a oposição de direita realizada na ilha de Barbados, nas Caraíbas, terminou “com êxito” na quinta-feira, dia 11, revelou o ministro da Informação, Jorge Rodríguez.

Adoptando o modelo de conversações iniciado em Maio em Oslo, sob mediação da Noruega, o diálogo prossegue agora em Barbados e com o governo nórdico desempenhando o mesmo papel.

As reuniões desta fase iniciaram-se na segunda-feira, 8 de Julho, segundo comunicado do dirigente oposicionista Juan Guaidó e do ministro de Comunicação e Informação da Venezuela, Jorge Rodríguez, chefe da delegação do governo de Nicolás Maduro. Barbados fica como sede de uma mesa de diálogo permanente. As negociações serão realizadas de forma contínua e resolutiva”, destacou Rodríguez.

De acordo com o comunicado do governo, um acordo prévio assinado em 25 de Maio estabelece que a ordem de trabalhos seguirá uma agenda de seis alíneas.

“Nesses seis pontos estão contemplados todos os grandes problemas do país. É uma agenda ampla que envolve o sector social, económico, cultural”, resumiu o presidente Nicolás Maduro durante uma conferência de imprensa na noite de segunda-feira.

O governo abordou as dificuldades que existem para avançar no processo negocial, devido às divisões internas da oposição e entre os seus representantes. “A delegação do governo bolivariano, com o objectivo de resolver o conflito pela via pacífica, tem esperado com paciência estratégica que as diferentes facções da oposição venezuelana resolvam ou atenuem as profundas divergências internas para continuar o diálogo mediado pela Noruega”, diz o comunicado oficial de Caracas.

O mais visível chefe da oposição recorreu às redes sociais para falar sobre a continuação dos diálogos com o governo. “O nosso objectivo é o mesmo: conseguir uma solução definitiva para a crise no nosso país”, escreveu Guaidó no Twitter.

Guaidó também afirmou que está envolvido num processo que decorre em diferentes espaços diplomáticos, entre eles os encontros exploratórios em Oslo, na Noruega, mas também o Grupo de Contacto Internacional, que integra diplomatas de países da União Europeia.

O representante do Grupo de Contacto Internacional, o diplomata uruguaio Enrique Iglesias, chegou a Caracas na segunda-feira para uma visita oficial. Iglesias reuniu-se com a vice-presidente da República, Delcy Rodríguez, com Juan Guaidó e dirigentes de outros partidos da direita venezuelana.

A principal meta da oposição, segundo Guaidó, é o estabelecimento de um acordo para a realização de novas eleições. “Sentimos a necessidade de um processo eleitoral verdadeiramente livre e transparente que nos permita superar a crise e construir um processo produtivo seguro e com qualidade de vida”, disse.

Uma cedência de Maduro

Este processo poderá ficar desde já assinalado por uma enorme cedência do governo de Nicolás Maduro: o regresso dos deputados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) aos seus lugares na Assembleia Nacional. São 43 deputados, que abandonaram este órgão em 2016, quando o Poder Executivo rompeu relações com a Assembleia Nacional porque esta, onde a oposição está em maioria, se recusou a cumprir decisões judiciais e foi declarada em contravenção da ordem constitucional pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Na sequência deste conflito, Nicolás Maduro convocou eleições para a Assembleia Nacional Constituinte em 2017, um órgão que alguns partidos de oposição se recusam a reconhecer.

O presidente eleito democraticamente fez agora uma grande cedência no sentido de aproximar posições. Reuniu-se em 5 de Julho com os deputados do PSUV e pediu-lhes para reassumirem os mandatos na Assembleia Nacional. Segundo fontes do governo venezuelano citadas pelo jornal Últimas Notícias, o presidente Maduro expôs aos deputados “a necessidade de aproveitar o momento político para abrir caminhos de paz e reconciliação entre os venezuelanos”.

A decisão do presidente constitucional vai ao encontro de acções reivindicadas pelo enviado de Trump para a Venezuela, Elliott Abrams. Num artigo publicado pelo website de Miami Nuevo Herald, em 7 de Junho, Abrams escreveu que “o passo mais importante que o chavismo pode dar para reverter a crise política é regressar à Assembleia Nacional”.


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