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TRUMP ATACA NO CIBERESPAÇO

2019-06-23

Martha Ladesic, Washington

A administração norte-americana faz saber oficiosamente que respondeu ao derrube de um drone por forças militares iranianas fazendo ataques cibernéticos contra os computadores que controlam o sistema de mísseis do Irão e a uma “rede de espionagem” iraniana.

A informação, veiculada por três funcionários da Secretaria da Defesa, sob condição de anonimato, à agência Associated Press, começou a circular depois de o presidente Donald Trump ter dito que não voltara atrás na ordem que dera quinta-feira para atacar o Irão, apenas a suspendera. Entretanto, Washington determinou novas sanções contra o Irão a entrar em vigor na segunda-feira, 24 de Junho.

Não existem confirmações das notícias dos ataques através de fontes independentes e o Irão não se pronunciou sobre o assunto.

Segundo as fontes citadas pela Associated Press, após o derrube do drone – que invadiu o espaço aéreo iraniano, tal como um “avião de reconhecimento”, com 35 pessoas a bordo, que Teerão evitou abater – Trump autorizou secretamente o CyberCommand a realizar ataques cibernéticos de retaliação, designadamente contra os sistemas de controlo e de lançamento de mísseis, além de uma “rede de espionagem”.

Segundo os mesmos oficiais, os Estados Unidos já tinham feito ciberataques contra os sistemas da Guarda Revolucionária do Irão depois de acusar este corpo – sem quaisquer provas credíveis – de ter atacado dois petroleiros no Golfo de Omã. Ainda de acordo com as mesmas fontes, as acções decorreram num “quatro de contingência” estabelecido durante as semanas de escalada de tensão os dois países, provocada exclusivamente pelos Estados Unidos.

“Em questões de política e operações de segurança, não discutimos acções cibernéticas, sejam de inteligência ou planificação”, foi a única declaração oficial sobre os acontecimentos, a cargo de Heather Babb, porta-voz do Departamento da Defesa.

Guerra paralela

Embora não haja reacção iraniana, sabe-se que Teerão já desligou há muito grande parte das suas infraestruturas da internet depois de os Estados Unidos terem infectado a sua indústria nuclear civil, designadamente as centrifugadoras de enriquecimento de urânio, com o vírus Stuxnet, especificamente criado para o efeito.

Porta-vozes de agências de espionagem norte-americana, designadamente a NSA, afirmam que o Irão tem atingido os computadores de agências governamentais norte-americanas e empresas de segurança cibernética. Segundo as opiniões recolhidas, as acções iranianas ter-se-ão desenvolvido após a imposição de novas sanções norte-americanas ao sistema petroquímico do país.

Enquanto estes procedimentos se acumulam, Trump afirma que “tem esperança” em alcançar acordo com o Irão, embora se ignore em que matéria, uma vez que o acordo com incidência nuclear existe, está em vigor e foram os Estados Unidos a única parte das cinco envolvidas que o abandonou unilateralmente. Em matéria nuclear as situações estão definidas e continuam a ser cumpridas, como comprovam os relatórios trimestrais da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

As operações cibernéticas dos Estados Unidos representam cada vez mais uma guerra paralela. Washington atacou nos últimos dias os computadores do sistema de energia eléctrica da Rússia, uma espécie de réplica dos atentados anteriormente cometidos contra a Venezuela e que provocou elevados prejuízos humanos e económicos no país.


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