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O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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IRÃO MANTÉM-SE DENTRO DO ACORDO NUCLEAR

Um inspector em acção (Foto Time)

2019-06-03

Norman Wycomb, Londres

O Irão mantém-se dentro das normas restritivas da sua actividade nuclear, respeitando o chamado “Acordo 5+1” de 2015, segundo o último relatório trimestral de inspecção divulgado pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

Nos termos do relatório divulgado no último dia de Maio, o Irão continua a cumprir o acordo estabelecido em 2015, em Genebra, com as principais potências mundiais, incluindo as questões mais delicadas como a do stock de urânio enriquecido e o nível de enriquecimento.

Teerão conserva a mesma política de respeito pelo acordo, apesar de os Estados Unidos se terem retirado unilateralmente e imporem um nível de sanções que visa a asfixia económica total do Irão e do seu povo. Até ao momento, o governo iraniano tem-se limitado a ameaçar assumir medidas de retaliação, enquanto do governo Trump, recorrendo também a outros regimes, como o da Arábia Saudita e Israel, multiplica pretextos falsos para poder acusar Teerão.

Todos os relatórios trimestrais publicados pela AIEA deste 2015 concluíram que o Irão se mantém dentro do acordo – o que significa que não existe qualquer actividade no âmbito da suposta ambição de utilizar a energia nuclear com objectivos militares.

Entretanto, continua a não existir qualquer diligência das potências mundiais, da ONU e da Agência Internacional de Energia Atómica para inspeccionarem o poder nuclear militar de Israel, o único de facto existente em todo o Médio Oriente. A situação revela uma grande diferença de comportamento da chamada comunidade internacional na maneira como encara os riscos nucleares militares que estão para além das nações que assumiram esse poder.

Os Estados Unidos abandonaram o “Acordo 5+1” apenas um ano depois de ter entrado em vigor; as potências europeias tentam fazer com que o conteúdo prevaleça, mas revelam-se incapazes de travar os Estados Unidos na multiplicação arbitrária de sanções decretadas à margem do direito internacional.

Donald Trump, o presidente norte-americano que retirou o país do acordo, alega que o seu antecessor, Barack Obama, não foi suficientemente longe para conter os programas nucleares e de mísseis de Teerão. A AIEA desmente-o com factos todos os três meses, mas o que se verifica é uma subida constante do risco de confrontação na sequência dos comportamentos político-militares dos Estados Unidos e aliados regionais.

O último episódio, que tanto Washington como Riade continuam a tentar explorar, apesar de desacreditado pelas circunstâncias, é a suposta sabotagem de navios sauditas de transporte de petróleo que teria sido praticada pelo Irão em águas ferozmente patrulhada por meios militares norte-americanos.

O Irão nega qualquer relação com os alegados incidentes e acusa os Estados Unidos de praticarem “guerra psicológica”.

O relatório

O relatório da AIEA informa que os inspectores tiveram acesso “a todos os locais no Irão” que pretenderam visitar.

O nível do stock de urânio enriquecido apurado está bem abaixo dos limites estabelecidos no acordo. O Irão anunciou em 20 de Maio que iria aumentar a actividade de enriquecimento, facto que só deverá ter repercussões no próximo relatório. No entanto, o carácter reduzido do stock verificado deixa ainda uma margem de manobra a Teerão, sem necessidade de ultrapassar os limites.

Segundo o relatório da AIEA, o Irão dispõe de 33 centrifugadoras avançadas e o acordo estabelece que tenha um máximo de 30 em teste; porém, os inspectores concluíram que apenas 10 estão a ser utilizadas para enriquecer urânio.

Em termos de relatórios publicados até agora, o Irão apenas excedeu um dos limites, que foi o de stock de água pesada no primeiro ano. Segundo declarações de inspectores à agência Reuters, a importância desse aspecto técnico é irrelevante.

A suposta militarização nuclear do Irão, que Israel continua invocar falsamente e de maneira agressiva – com apoio norte-americano – não servirá, ainda desta vez, de pretexto credível à intervenção militar que continua a ser um dos objectivos, sobretudo de Telavive.

A Agência Internacional de Energia Atómica fez o seu trabalho e, por essa via, não surgirá o pretexto procurado 





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