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DESPEDIMENTOS EM MASSA ANUNCIAM RECESSÃO

Ford anunciou sete mil despedimentos...

2019-05-23

Michael Snyder, The Economic Collapse; adaptação O Lado Oculto

Os despedimentos laborais nos Estados Unidos estão a tornar-se cada vez mais rápidos e contundentes, apesar de a recessão não se ter ainda iniciado oficialmente. É óbvio que muitos empresários estão convictos de que estamos realmente em recessão. Na verdade, de acordo com John Williams, de shadowstats.com, se o governo usasse estatísticas honestas elas mostrariam que a recessão já começou há algum tempo. Mas a narrativa dos grandes media continua a alimentar a ideia de que a economia norte-americana “vai bem” e as perspectivas para o futuro são positivas. Se isso é verdade, por que será que as grandes empresas estão a despedir trabalhadores em massa?

Sete mil na Ford

Comecemos pela Ford Motor Company. No dia 20 de Maio anunciou que vai despedir cerca de sete mil trabalhadores…

De acordo com este grande grupo económico, será necessário despedir sete mil empregados e outros assalariados, isto é, cerca de 10% da sua força de trabalho em todo o mundo. Como é hábito, a justificação avançada realça que a medida faz parte de um plano de reestruturação para salvar a segunda maior empresa mundial de montagem de automóveis.

Os cortes, alguns dos quais já anunciados anteriormente pela empresa, serão concluídos até Agosto, informou o CEO executivo da Ford, Jim Hackett, em e-mail enviado aos trabalhadores em 20 de Maio.

Se a economia dos Estados Unidos estivesse prestes a disparar como um foguete, este movimento não faria nenhum sentido.

Se estivermos a caminhar para uma recessão, este movimento faz todo o sentido.

Nestlé, 3M, MGM…

Outra grande corporação que está a despedir milhares de trabalhadores é a Nestlé…

A unidade norte-americana da Nestlé SA despedirá cerca de quatro mil trabalhadores ao deixar de entregar pizzas congeladas e gelados directamente às lojas; trata-se de um processo de transição para um modelo de armazenamento centralizado que começa a tornar-se um padrão nas empresas de Big Food que pretendem reduzir custos.

E também ficámos a conhecer recentemente que a 3M tem a intenção de se livrar de dois mil trabalhadores…

A medida insere-se num corte global a executar no quadro de uma reestruturação provocada pelo facto de em 2019 o crescimento ser mais lento do que o previsto.

Infelizmente parece que as coisas estão lentas para muitas empresas nos dias de hoje.

Outra empresa que está a despedir um grande número de trabalhadores é a MGM Resorts International.

Prevê-se um corte de 2,09%, cerca de mil trabalhadores até final de Junho, no quadro de uma revisão operacional e de redução de custos que exige menos funcionários administrativos em todas as propriedades do grupo. Na semana passada já foram afastados 254 trabalhadores.

Além disso, a Dressbarn – grupo de venda de roupa feminina a retalho – acaba de anunciar o encerramento de todas as suas lojas. A empresa revelou, em 20 de Maio, “planos para iniciar uma liquidação das operações a retalho, incluindo o encerramento das suas cerca de 650 lojas”.

Ignora-se quantos funcionários trabalham em cada loja, mas mesmo que seja apenas meia dúzia estaremos a falar de milhares de empregos que desaparecem.

Guerra comercial, um tiro no pé

A economia dos Estados Unidos está a desacelerar há meses, e agora o estado crítico das relações comerciais com a China ameaça abrir uma prolongada guerra comercial. Estudos diferentes sobre a situação têm concluído que uma prolongada guerra comercial poderá custar literalmente milhões de postos de trabalho perdidos à economia dos Estados Unidos.

Tendo em conta que os despedimentos em massa já começaram, a situação poderá sair do controlo muito rapidamente. Já vimos isso em 2008 – é apenas uma questão de tempo até recomeçarmos a observar o fenómeno.

No domingo, dia 19, uma leitora enviou-me uma mensagem sobre o encerramento de uma fábrica na Pensilvânia.

Segundo revela, Robert e Brooks Gronlund, proprietários da Wood-Mac Inc, uma fábrica de armários de madeira feitos por encomenda, escreveram uma carta aos trabalhadores dizendo que “estão extremamente agradecidos” pelo seu empenho e contribuição, mas os seus postos de trabalho e respectivos benefícios foram cancelados. E as portas da empresa encerraram na segunda-feira, dia 20.

O drama de uma pequena comunidade

“Foi como levar um pontapé final na barriga”, desabafou Michele Sanders, uma operária da empresa com 22 anos, a autora da mensagem informando sobre o sucedido.

A empresa privada, situada em Kreamer, produzia armários de madeira personalizados e o encerramento surpreendeu os trabalhadores e os dirigentes da comunidade. Quase mil pessoas com esperanças reais e sonhos reais ficaram sem emprego e agora não têm com que se sustentar a si próprias e às famílias.

Kreamer é uma comunidade muito pequena, com apenas 773 pessoas a viver dentro dos limites da cidade, de acordo com a Wikipedia. É óbvio que não existem muitas possibilidades de emprego na zona.

Acontece que, provavelmente, estes trabalhadores são como o resto da população dos Estados Unidos, a grande maioria vivendo de salário em salário. Perder o emprego é uma experiência devastadora.

Infelizmente, parece que este incompleto apanhado de casos muito recentes é apenas o começo. Todos os números que merecem ser levados a sério nos dizem que a actividade económica está a desacelerar. Pelo que devemos preparar-nos para enfrentar um ambiente económico em rápida deterioração no segundo semestre de 2019.


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