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A ESTRATÉGIA DO CAOS CONTROLADO

Uma sessão solene de conspiração pela guerra generalizada

2019-04-19

Manlio Dinucci, Il Manifesto/O Lado Oculto
Actuando como um rolo compressor, os Estados Unidos e a NATO estendem a todo o mundo a estratégia Rumsfeld/Cebrowski para destruição das estruturas estatais dos países que não estão integrados na globalização económica. Para que isso seja possível, servem-se dos europeus, a quem fazem acreditar numa pretensa “ameaça russa”. Por esta via incorrem no risco de provocar uma guerra generalizada.

Todos contra todos: é a imagem mediática do caos que se estende como azeite a ferver na margem sul do Mediterrâneo, da Líbia à Síria. Situação perante a qual até mesmo Washington parece impotente. Na realidade, contudo, Washington não é o aprendiz de feiticeiro incapaz de controlar as forças que entraram em movimento. É o centro motriz de uma estratégia – a estratégia do caos – que faz desabar Estados inteiros, provoca uma reacção de conflitos em cadeia para utilizar segundo o velho método de “dividir para reinar”.
Depois de terem ganho a guerra fria em 1991, os Estados Unidos autoproclamaram-se “o único país com uma força, um alcance e uma influência em todos os aspectos – político, económico e militar – realmente mundiais”, propondo-se “impedir que qualquer potência hostil domine uma região – Europa Ocidental, Ásia Oriental, o território da ex-União Soviética e a Ásia do Sudoeste (o Médio Oriente) – cujos recursos sejam suficientes para criar uma potência mundial”.
Desde então, os Estados Unidos e a NATO, sob seu comando, fragmentaram ou destruíram pela guerra, um a um, os Estados considerados como obstáculos ao plano de dominação mundial – Iraque, Jugoslávia, Afeganistão, Líbia, Síria e outros – enquanto outros (entre os quais o Irão e a Venezuela) ainda estão debaixo de mira.
Na mesma estratégia inclui-se o golpe de Estado na Ucrânia, comandado pelos Estados Unidos e a NATO, com o objectivo de provocar uma nova guerra fria para isolar a Rússia e reforçar a influência dos Estados Unidos na Europa.

Sem provas e com muitas armas

Enquanto a atenção política e mediática se concentra no conflito na Líbia, na sombra fica o cenário cada vez mais ameaçador da escalada da NATO contra a Rússia. A reunião dos 29 ministros dos Negócios Estrangeiros realizada em 4 de Abril, em Washington, para assinalar os 70 anos da aliança reafirmou, sem qualquer prova, que “a Rússia violou o Tratado de mísseis de médio alcance (IMF) instalando na Europa novos mísseis com capacidade nuclear”.
Uma semana depois, a 11 de Abril, a NATO anunciou que a “actualização” do sistema norte-americano Aegis de “defesa antimíssil” com base em Deveselu, na Roménia, será feita no próximo Verão, garantindo que isso “não atribuirá qualquer capacidade ofensiva ao sistema”.
Este sistema, instalado na Roménia e na Polónia, e também a bordo de navios, permite, no entanto, lançar não apenas mísseis interceptores mas também mísseis nucleares. Moscovo advertiu: se os Estados Unidos colocarem mísseis nucleares na Europa, a Rússia instalará mísseis equivalentes no seu próprio território, apontados às bases europeias. Enquanto isso, as despesas da NATO com a sua “defesa” crescem: os orçamentos militares dos aliados europeus e do Canadá irão aumentar 100 mil milhões de dólares em 2020.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros, reunidos em Washington a 4 de Abril, comprometeram-se, em particular, a “afrontar as acções agressivas” da Rússia no Mar Negro, “estabelecendo novas medidas de apoio aos nossos próximos parceiros, a Geórgia e a Ucrânia”.
No dia seguinte, dezenas de navios e caças-bombardeiros dos Estados Unidos, do Canadá, da Grécia, da Holanda, da Turquia, da Roménia e da Bulgária iniciaram no Mar Negro manobras aeronavais da NATO tendo como limite as águas territoriais russas, recorrendo aos portos de Odessa (Ucrânia) e de Poti (Geórgia).
Simultaneamente, mais de 50 caças-bombardeiros dos Estados Unidos, da Alemanha, do Reino Unido, de França e da Holanda, descolando de um aeroporto holandês e abastecidos em voo, treinaram “missões aéreas ofensivas de ataque contra objectivos em terra e no mar. Caças-bombardeiros Eurofighter italianos serão, por outro lado, enviados pela NATO para patrulhar de novo a região báltica contra a “ameaça” dos aviões russos.
A corda está cada vez mais tensa e pode romper-se (ou ser rompida) a qualquer momento, lançando-nos num caos bem mais perigoso que o da Líbia.


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