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TITANIC ARGENTINO À DERIVA COM MACRI

A Argentina de Macri a caminho do naufrágio sob as ordens do FMI de Lagarde

2019-03-31

Débora Mabaires, Buenos Aires; Desacato/O Lado Oculto

O presidente argentino, Mauricio Macri, continua a sua trajectória sem mudar o rumo, por pouco que seja.
As suas expressões sem conteúdo, mais parecidas com mensagens de autoajuda do que com um discurso presidencial, deixaram de convencer a população, de tal modo que os seus próprios votantes começam a suspeitar de que este presidente que escolheram afinal não é tão presidente como isso.

Na Argentina, 30 empresas fecham as portas por dia. Os empresários não conseguem manter a produção porque a recessão afugentou os clientes. Ninguém compra porque o dinheiro não chega para isso.
A desvalorização do peso, que já vai numa semana de progressão constante, pulveriza os salários dos trabalhadores, motivo pelo qual a angústia dos comerciantes e empresários também aumentou. Hoje, em alguns estabelecimentos comerciais, observam-se promoções de produtos com preços abaixo do custo de produção.
O governo vangloriava-se de ter acabado com “o tabu do dólar”, expressão utilizada pelos media para falar do fim das restrições à compra ilimitada dessa moeda. Macri permitiu que qualquer empresário – ou narcotraficante- compre notas verdes sem limitações e que se dedique à fuga de capitais.

“Tabu dos alimentos”

Lamentavelmente, o “tabu” transferiu-se agora para os alimentos. Os preços aumentam a um ritmo acelerado, de tal modo que, em alguns supermercados, foram colocados alarmes em diversos alimentos, como as carnes bovinas mais apreciadas.
O presidente Macri mantém o rumo económico fixado e diz: “É muito importante percebermos que a situação não é fácil para ninguém no mundo. Hoje o dólar sobe da mesma maneira no Brasil, na Turquia, em toda parte. Há coisas que têm a ver com o mundo; hoje temos uma política monetária séria, vamos ter um excedente comercial de dez mil milhões de dólares, o turismo cresce todos os dias. Aconteceram coisas que nos dão maior solidez, o que não significa que se o mundo se desvaloriza perante o dólar não nos desvalorizemos também”.
Ou seja, segundo Mauricio Macri está tudo a correr bem para a Argentina, mesmo que a realidade teime em desmenti-lo.
Os supostos dez mil milhões de dólares que sobrariam no final do ano, na verdade, já estão comprometidos com os banqueiros credores a quem o presidente prometeu pagar a dívida contraída para assegurar capitais. No mês de Fevereiro, por exemplo, existiu uma saída de 964 milhões de dólares das reservas do Banco Central; e é precisamente a fuga de divisas que determina o grave défice na balança de pagamentos que, ano após ano desde 2016, o governo foi compensando contraindo mais dívida.
E, desta maneira, há três anos e alguns meses que o presidente comanda uma roda enlouquecida e sem descanso que enjoa e deixa doente qualquer um dos que estamos neste barco.
Com grande imaginação, o presidente Macri falou na sua possível vitória nas eleições deste ano de 2019: “Se vencermos, seguiremos na mesma direcção, mas o mais rapidamente possível”.
“Na mesma direcção e o mais rapidamente possível”, foram as últimas instruções do capitão do Titanic antes de o imponente navio da White Star Line embater contra um bloco de gelo, afundando-se nas escuras águas do mar.

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