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MOVIMENTOS DE MAU AGOURO DA NATO EM ITÁLIA

O atentado de Piazza Fontana, em Milão, massacre atribuído ao Gladio, serviço clandestino da NATO

2019-03-09

Manlio Dinucci, Il Manifesto/O Lado Oculto

A reorganização da base militar norte-americana de Camp Darby (Itália) disfarça a transferência das Forças Especiais italianas para o comando dos Estados Unidos. Este dispositivo já existiu no passado. Foi ele que permitiu a criação do Gladio, os serviços de acção clandestina da NATO em Itália. Desde Dezembro de 2015, o chefe do governo italiano tem a possibilidade de continuar as operações militares através de operações de espionagem. Esta notícia confirma um pouco mais a hipótese que enunciámos há dois meses: a NATO prepara uma vaga de atentados na Europa.

A notícia não é oficial, mas já se fala nisso: a partir de Outubro, a bandeira italiana flutuará em Camp Darby. Estarão os Estados Unidos prestes a fechar o seu maior arsenal mundial fora da mãe pátria, devolvendo à Itália os mil hectares de território que ocupam entre Pisa e Livorno?
De maneira nenhuma. Não estão em vias de encerrar mas de reestruturar a base, para aí poderem armazenar ainda mais armas e reforçar as ligações com o porto de Livorno e o aeroporto de Pisa.
Com esta reestruturação ficará vaga uma pequena área do complexo: 34 hectares, um pouco mais de três por cento da dimensão total do campo. Foi este pedaço de território que as forças armadas norte-americanas na Europa decidiram restituir a Itália, mais precisamente ao Ministério italiano da Defesa, para o utilizar como entender. Deste modo, foi estabelecido um acordo que prevê a transferência para esta área do Comando das Forças Especiais do Exército Italiano (Comfose), actualmente alojado no quartel Gamerra de Pisa, sede do centro de treino de paraquedistas. Trata-se das forças mais utilizadas em operações secretas: infiltram-se de noite em territórios estrangeiros, identificam os objectivos a atingir, eliminam-nos através de acções relâmpago saltando de aviões ou de helicópteros e retiram-se sem deixar vestígios, excepto os mortos e as destruições.

Integração no Pentágono

A Itália, que utilizou estas forças sobretudo no Afeganistão, deu um passo decisivo para o reforço do seu potencial quando em 2014 tornou operacional o Comfose, juntando quatro regimentos num comando unificado: o 9º regimento de assalto Coronel Moschin e o 185º regimento de definição de objectivos Folgore, o 28º regimento de comunicações Pavia e o 4º regimento de paraquedistas Rangers.
Na cerimónia de lançamento, em 2014, foi anunciado que o Comfose iria “manter uma ligação constante com o Comando Operacional do Exército Especial dos Estados Unidos”, o mais importante comando norte-americano de forças especiais, constituído por cerca de 30 mil especialistas e utilizado sobretudo no Médio Oriente.
Em Camp Darby – especificou no ano passado o coronel Erik Bery, comandante das Forças Armadas norte-americanas em Itália – decorrem já treinos conjuntos entre os militares dos Estados Unidos e de Itália. A transferência do Comfose para uma área de Camp Darby pertencendo formalmente a Itália permitirá integrar completamente as forças especiais italianas nas norte-americanas, para serem utilizadas em operações secretas sob comando dos Estados Unidos. E todo o conjunto agirá sob a capa do segredo militar.
Por isso, é difícil não pensar na história das operações secretas de Camp Darby: os inquéritos dos juízes Casson e Mastelloni revelaram que Camp Darby desempenhou, desde os anos sessenta, a função de base da rede golpista formada pela CIA e o Sifar (Serviço de Informações das Forças Armadas Italianas) no quadro do plano secreto Gladio. As bases Estados Unidos/NATO – escreveu Ferdinando Imposimato, presidente honorário do Supremo Tribunal de Cassação – forneceram os explosivos para os massacres de Piazza Fontana, Capacci e Via d’Amelio. Nessas bases “reuniam-se os terroristas de extrema-direita, oficiais da NATO, mafiosos, políticos italianos e membros de lojas maçónicas nas vésperas dos atentados”.
Porém, ninguém parece preocupar-se, nem no Parlamento nem nas comunidades locais, com as implicações desta transferência das forças especiais italianas, de facto alojadas em Camp Darby e sob comando dos Estados Unidos.
As municipalidades de Pisa e Livorno, que passaram, respectivamente, do Partido Democrático para a Liga e o Movimento Cinco Estrelas, continuaram a promover, com a Região da Toscânia, “a integração da base militar norte-americana de Camp Darby na comunidade que a envolve”.
Há apenas alguns dias foi decidida a integração dos websites das administrações locais com os de Camp Darby. A rede de Camp Darby estende-se cada vez mais no território italiano.



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