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GRANDE ALBÂNIA: NOVA CAIXA DE PANDORA NOS BALCÃS

Haradinaj e Rama trocam o acordo para abolição de fronteiras entre o Kosovo e a Albânia

2019-02-24

Louise Nyman, Pristina

O primeiro-ministro da Albânia e o chefe do governo do Kosovo, tutelado pela NATO, afirmam que estabeleceram um acordo para abolir as fronteiras entre os dois territórios já no próximo dia 1 de Março, o que representa uma violação do direito internacional e um passo determinante para a construção da “Grande Albânia”.

Recebido no parlamento do território sérvio secessionista, o chefe do governo albanês, Edi Rama, expôs o projecto para estabelecer uma política externa e de segurança comum às duas partes, uma presidência única e a criação de embaixadas conjuntas.
Os governos do Kosovo e da Albânia efectuaram uma reunião em Pristina durante a qual decidiram criar um fundo comum para a adesão simultânea à União Europeia.
Edi Rama já declarou publicamente, em 15 de Fevereiro à televisão Vizion Plus, que a fusão “entre os dois Estados” será a “melhor solução para o Kosovo” – que é um território sérvio sob tutela internacional exercida, de facto, pela NATO e a União Europeia.
Esta sucessão de acontecimentos aconteceu em redor do dia 17 de Fevereiro, quando se completaram 11 anos sobre a suposta “independência” do Kosovo.
Nesse dia, as autoridades que foram instaladas à frente do território pela NATO, a maioria delas oriunda do grupo terrorista islâmico Exército de Libertação do Kosovo, promoveram um desfile do autodesignado “exército” kosovar, cuja criação atenta contra a resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada no final da guerra que a NATO conduziu contra a Sérvia.
À sessão solene do Parlamento de Pristina convocada para receber o primeiro-ministro albanês assistiram, designadamente, o antigo primeiro-ministro italiano Massimo D’Alema e o antigo chefe da Missão de Verificação do Kosovo, o norte-americano William Walker, que no desempenho das suas funções de então atribuiu falsamente o massacre de Racak à Sérvia para desencadear a agressão atlantista contra este país, em 1999.

Efeito de dominó

A criação da Grande Albânia é um velho sonho do nacionalismo albanês, incentivada pelo crime organizado que, de facto, gere o país. Os passos dados agora nesse sentido pelos chefes dos governos de Pristina e de Tirana não suscitaram quaisquer reparos na União Europeia, na NATO e respectivos Estados membros, nem sequer da ONU, apesar de as suas decisões serem postas em causa.
De notar que durante as guerras dos Balcãs os Estados Unidos e países aliados acusaram o governo de Belgrado de pretender construir uma Grande Sérvia, uma suposta ambição que foi penalizada através de uma guerra de agressão. A situação é totalmente diferente perante passos concretos para a criação da Grande Albânia. O facto de o Kosovo se ter transformado numa imensa base militar dos Estados Unidos e de a Albânia funcionar como a principal antena da CIA na região balcânica ajuda a perceber a cumplicidade para com as iniciativas de Edi Rama e do seu homólogo kosovar, Ramush Haradinaj.
Contudo, a construção da Grande Albânia tem um potencial e dramático efeito de dominó que ameaça incendiar, de novo, a região balcânica. No fundo, trata-se de uma consequência natural do facto de a “balcanização” decorrente da destruição da Jugoslávia se ter processado com base na criação de entidades tendencialmente homogéneas do ponto de vista étnico.
A construção da Grande Albânia incentiva movimentos para alterar o xadrez estabelecido, interpretados por minorias étnicas existentes nos Estados da região.
Seguindo a pretendida integração do Kosovo na Albânia nota-se que as minorias albanesas na Macedónia, no Montenegro, e mesmo na Grécia, estão a pretender agregar-se igualmente ao Estado albanês.
A tendência gera reivindicações de sentido contrário. E a população grega do sul da Albânia faz saber que não pretende integrar uma Grande Albânia, defendendo então a associação do seu território à Grécia.
Presume-se que nenhum destes processos seja pacífico nos Estados tocados, pelo que a grande Albânia abre uma nova caixa de Pandora nos Balcãs.
Ou será ocasião para a NATO e a União Europeia terminarem a “arrumação” étnica que iniciaram com a destruição violenta da Jugoslávia, inserindo esse processo sob as suas bandeiras e, quando necessário, manu militari.


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