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ESCÂNDALO COLOSSAL SACODE A ARGENTINA

Maurício Macri, presidente da Argentina e símbolo de exploração, corrupção, extorsão, falsificação.

2019-02-17

Débora Mabaires, Desacato.Info/O Lado Oculto

O governo de Maurício Macri não consegue conter a enxurrada de imundície que o respinga no maior caso de corrupção da história argentina.

Há alguns dias, o jornalista Horácio Verbitsky revelou algumas das provas de uma investigação judicial em que se comprova que altos funcionários do Poder Judiciário, em conivência com o governo, organizaram um processo penal extorquindo empresários para poder incriminar ex-funcionários do governo de Cristina Kirchner e também outros empresários cujas empresas são estratégicas no desenvolvimento da indústria nacional.
Até agora só existiam suspeitas, mas o produtor agropecuário Pedro Etchebest, com cartórios e advogados, documentou durante meses a extorsão de que foi vítima por parte de um advogado vinculado ao governo nacional: Marcelo D’Alessio, sobrinho do procurador-geral do governo, Carlos D’Alessio.
Este personagem não é um desconhecido para os argentinos, porque era apresentado nos media como um “expert em narcotráfico” e habitual colunista dos principais meios escritos, de rádio e televisão.
Numa das invasões realizadas ao seu domicílio foram encontradas armas de guerra só utilizadas no exército e nas forças de segurança dos Estados Unidos e Israel.
Além disso, foram apreendidos dez automóveis de luxo, equipados com alarmes policiais; um camião Scania; um cartão de identificação da agência norte-americana DEA (Drugs Enforcement Administration); coletes antibala da agência dos Estados Unidos FBI (Federal Bureau of Investigation) e uma grande quantidade de documentação cuja importância ainda não se conhece.
O modus operandi consistia em aproximar-se dos empresários nacionais, em nome do procurador federal Carlos Stornelli, o qual, em conjunto com o juiz federal Claudio Bonadío, tinha estabelecido um grande processo judicial em que investigava a alegada corrupção do governo de Cristina Kirchner. Este processo judicial foi iniciado com uns supostos cadernos escritos pelo ex-militar Oscar Centeno, que foi subordinado do coronel Atilio Stornelli, cúmplice da ditadura e pai do procurador.
Quando os acusados pediram acesso às provas, especificamente aos cadernos, para poderem fazer a perícia, a solicitação foi negada e, a seguir, Centeno declarou que os tinha queimado.
Na verdade, foi cometido um erro: publicaram fotos dos cadernos, que alegadamente foram escritos entre 2009 e 2011. Na imagem podiam ver-se as capas de alguns deles, revelando que só começaram a serem vendidos em meados de 2012; portanto, jamais poderiam ter sido escritos antes de existirem.
O juiz Bonadío e o procurador Stornelli não se renderam. O procurador-geral do governo e tio do extorsionário legalizou supostas fotocópias desses cadernos e os dois seguiram em frente.
Esta armadilha judicial, viciada em nulidades jurídicas, continuou graças à cumplicidade dos media.
Agora é possível ver 22 horas de filmagens, gravações, fotografias e capturas de mensagens de whatsapp que evidenciam como o governo, através de alguns dos seus altos funcionários, teria desencadeado processos penais contra pessoas inocentes, pagando a advogados de supostos “delatores premiados” para conseguir escrever este guião de terror.
Alguns empresários têm sido ameaçados com a prisão de familiares. Outros foram encarcerados e suas casas invadidas. Para se libertarem da situação tinham de pagar muito dinheiro, além de serem obrigados a culpar outros empresários ou altos funcionários do governo anterior.

Desespero aumenta os erros

O desespero devido à divulgação destas provas começa a espalhar-se entre os funcionários delinquentes, o que os faz cometer erros. Há alguns dias, Paula Olivetto, uma deputada da aliança governamental, apresentou uma denúncia penal acusando um ex-funcionário kirchnerista preso, Roberto Baratta, de ter sido quem organizou esta suposta operação contra o procurador Carlos Stornelli. A denúncia não faz sentido, porque se o ex-funcionário tinha ou não conhecimento de um processo judicial em andamento isso é irrelevante.
As provas que a deputada apresentou consistem em escutas telefónicas ao detido que são ilegais e uma clara violação aos seus direitos. E não é um dado pouco importante: na Argentina, qualquer funcionário público que saiba de um crime tem a obrigação de denunciá-lo e, portanto, agora a legisladora Paula Olivetto tornou-se cúmplice de um crime.
Existe outro pormenor que complica ainda mais a situação de todos estes personagens: o gabinete onde se realizam as interferências judiciais de linhas telefónicas tem como empregado Mateo Nicolás Stornelli, filho do procurador Carlos Stornelli.
Há 40 anos que a família Stornelli utiliza o Estado argentino em benefício próprio. Se estes factos forem comprovados, exporão como nunca antes o pacto entre a classe política e a ditadura. A metodologia utilizada pelo procurador não tem mais do que alguns pormenores diferentes da que usavam os companheiros de armas do seu pai. Seu filho, hoje convertido em beneficiário económico e cúmplice de outros crimes graves contra os direitos humanos, é a prova mais evidente da sua impunidade.
O escândalo está a ser cuidadosamente silenciado pelo governo de Maurício Macri, mas não consegue conter a poderosa enxurrada de provas de corrupção contra seu próprio governo, que arrasa as instituições e manifesta a degradação do pacto social nesta farsa vestida de democracia que faz tremer os pilares da República.

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