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A MENTIRA DO MAXI-RADAR DEFENSIVO MUOS

A estação do maxi-radar norte-americano MUOS instalada em Niscemi, Sicília, Itália

2018-11-16

Manlio Dinucci*, Il Manifesto, Roma

Ao contrário do que afirma a comunicação social atlantista nos seus artigos, o MUOS (Mobile User Objective System) não é um radar defensivo, mas um novo sistema de comunicações por satélite permitindo ao Pentágono supervisionar acções ofensivas em qualquer lugar do mundo. Uma das suas quatro bases terrestres situa-se em Niscemi (Itália).

O Movimento 5 Estrelas (M5S), partido da coligação governamental italiana, “está dividido em relação ao maxi-radar siciliano”, escreve em título o jornal Corriere della Sera, difundindo assim uma maxi-fake news: não pelo facto de a direcção do Movimento 5 Estrelas ter conquistado apoios eleitorais na Sicília a partir da plataforma ”No Muos”, da qual se distancia agora, mas sobre as verdadeiras razões desse litígio.
Definindo a estação Muos de Niscemi como um”maxi-radar”, o jornal engana a opinião pública fazendo crer que se trata de uma aparelhagem electrónica terrestre de rastreio, ou seja, defensiva. Pelo contrário, o Muos é um novo sistema de comunicação por satélite que aumenta a capacidade ofensiva dos Estados Unidos à escala planetária.
O sistema, desenvolvido pela empresa Lockeed Martin para a US Navy, a marinha norte-americana, é formado a partir de uma configuração inicial de quatro satélites (mais um de reserva) em órbita geoestacionária. As quatro estações estão ligadas a quatro estações terrestres: duas nos Estados Unidos (Hawai e Virgínia), uma na Sicília e outra na Austrália. As quatro estações estão ligadas entre si por uma rede terrestre e submarina de cabros de fibra óptica (a de Niscemi está directamente ligada à da Virgínia).
O Muos, que já está em funções, deverá ficar plenamente operacional no Verão de 2019, atingindo uma capacidade 16 vezes superior à dos sistemas precedentes. Transmitirá simultaneamente mensagens de voz, vídeos e dados em modo encriptado e em alta frequência. Os submarinos e navios de guerra, caças bombardeiros e drones, veículos militares e departamentos terrestres norte-americanos e dos aliados ficarão ligados, deste modo, a uma única rede de comando, controlo e comunicações às ordens do Pentágono quando estiverem em movimento em qualquer parte do mundo, incluindo as regiões polares.

Uma engrenagem essencial de guerra

A estação Muos de Niscemi não é, portanto, “um maxi-radar” siciliano que defende a ilha, mas uma engrenagem essencial da máquina de guerra planetária dos Estados Unidos.
O mesmo papel é desempenhado pelas outras principais bases norte-americanas e da NATO em Itália. A Naval Air Station Sigonella, a poucos quilómetros de Niscemi, é a base de lançamento das operações militares principalmente no Médio Oriente e em África, a cargo das forças especiais e drones.
A JTAGS, estação satelitária norte-americana do “escudo antimísseis” instalado em Sigonella – uma das cinco à escala mundial (as outras encontram-se nos Estados Unidos, na Arábia Saudita, na Coreia do Sul e no Japão) – servem não apenas para a defesa antimíssil, mas também para operações de ataque conduzidas a partir de posições avançadas.
O comando da força aliada conjunta em Lago Patria (Nápoles), está sob as ordens de um almirante norte-americano que comanda simultaneamente as forças navais norte-americanas na Europa (com a Sexta Esquadra sediada em Gaeta, no Lázio) e as forças navais dos Estados Unidos para África, que têm o quartel-general em Nápoles-Copodichino.
Camp Darby, o maior arsenal norte-americano fora da pátria, abastece as forças dos Estados Unidos e aliados nas guerras do Médio Oriente, na Ásia e em África.
A 173ª brigada norte-americana aerotransportada, instalada em Vicenza, opera no Afeganistão, no Iraque, na Ucrânia e em outros países da Europa de Leste.
As bases de Aviano e de Ghedi – onde estão colocados os caças norte-americanos e italianos sob comando de Washington, equipados com bombas nucleares B61, que serão substituídas pelas B61-12 a partir de 2020 – são parte integrante da estratégia nuclear do Pentágono.
A propósito, será que Luigi di Maio e outros dirigentes do Movimento 5 Estrelas se recordam de se terem comprometido solenemente perante a ICAN (Campanha Internacional para Abolição das Armas Nucleares) a fazer com que a Itália adira ao Tratado da ONU, libertando assim o país de armas nucleares?

*Geógrafo e geopolitólogo



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