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FALSOS ATAQUES QUÍMICOS EM PREPARAÇÃO NA SÍRIA

A dupla missão dos Capacetes Brancos: pretensos socorristas, verdadeiros terroristas ao serviço da al-Qaida

2018-11-01

Edward Barnes, Damasco; com Martha Ladesic, Washington

A organização terrorista “Capacetes Brancos”, dirigida pelos serviços de espionagem britânicos MI6, não desiste: começou em 29 de Outubro, na província síria de Alepo, as filmagens de nova encenação de um falso ataque com armas químicas para culpar o governo de Damasco de utilizar esse tipo de armamento proibido.

Nas últimas semanas têm vindo a registar-se vários movimentos entre zonas das províncias de Idleb, Hama e Alepo indiciando a possibilidade de as organizações terroristas comandadas por potências da NATO voltarem a insistir nesse tipo de fraude depois de ter sido desmontada antecipadamente a sua tentativa para organizar uma encenação em Setembro, na província de Idleb.
De acordo com fontes militares russas, as filmagens envolvem residentes da área escolhida para as filmagens, e que têm sido treinados sobre como actuar simulando os sintomas decorrentes de um ataque químico. Membros dos Capacetes Brancos, designação vulgarizada da organização “Defesa Civil Síria”, transportaram contentores com produtos tóxicos desde Idleb – onde, previsivelmente, sentiriam menos condições para montar a encenação depois de ter sido desmascarada a manobra de Setembro.
Segundo informações divulgadas pelo Centro Russo para a Reconciliação Síria, as operações decorrem em zona da província de Alepo ainda controlada por organizações de mercenários contratados por grandes potências internacionais. De acordo com as mesmas fontes, o guião das filmagens inclui acções de provocação para forçar as forças regulares sírias a efectuar bombardeamentos, que serão gravados e depois associados, na montagem, à suporta deflagração dos produtos químicos transportados para o local - e que assim teriam feito “vítimas”.
Antes destes acontecimentos tinha sido registado na sexta-feira, dia 26, intenso movimento de contentores com produtos químicos na província de Idleb, também comandados por elementos dos Capacetes Brancos. Segundo o canal de televisão al-Mayadeen, em língua árabe, os materiais venenosos circularam da cidade de Jisr al-Shughur para a aldeia de Khirbet al-Amud.
Ignora-se se os produtos químicos ficaram armazenados neste local ou seguiram para Idleb, pelo que pode estar-se em presença de pelo menos duas acções de encenação de ataques químicos para depois atribuir a autoria ao governo de Damasco.
As manobras terroristas para reunir civis de maneira a serem utilizados na simulação dos ataques químicos prosseguem em regiões diversificadas das províncias de Idleb e Alepo.
Uma informação da edição em língua árabe do website Sputnik dá conta de que os Capacetes Brancos concluíram o treino de cerca de 60 pessoas, entre elas dezena e meia de mulheres, para participarem nos falsos ataques que serão filmados pelos terroristas do Tahrir al-Sham (al-Nusra ou al-Qaida) e do Partido Islâmico al-Turkistani na planície de al-Ghaab e em Jisr al-Shugur. Fontes locais acrescentaram que o Tahrir al-Sham prendeu dezenas de mulheres e crianças num campo de refugiados na cidade de Salqin (Idleb) para serem usadas como “figurantes” das encenações de ataques químicos.
Os terroristas insistem neste tipo de acções para tentarem forçar as potências que os dirigem a entrar directamente na guerra, não apenas para os socorrer das situações críticas em que se encontram mas também para reactivar o conflito numa altura em que existem novos esforços de negociação em Genebra e em que a Turquia e a Rússia aplicam a sua estratégia comum em relação a Idleb.
Os bombardeamentos contra a Síria efectuados em Março pelos Estados Unidos, França e Reino Unido foram alegadas respostas ao falso ataque químico montado pelos Capacetes Brancos na região de Ghuta Oriental, na altura em que esta já estava a ser libertada pelo exército regular.

Vítimas reais

Os preparativos e o transporte de agentes químicos associados a estas manobras já provocaram, entretanto, vítimas reais entre os terroristas.
De acordo com fontes locais, onze pessoas, entre instrutores estrangeiros e membros dos Capacetes Brancos, morreram na sequência de uma grande explosão em instalações utilizadas pelos terroristas para fabricar produtos químicos na pequena cidade de Tarmanin, situada no norte da província de Idleb, perto da fronteira com a Turquia.
Nas instalações encontravam-se grandes quantidades de materiais explosivos e de barris de cloro líquido. As vítimas mortais seriam nove especialistas britânicos, chechenos e turcos, além de dois membros dos Capacetes Brancos.
Entretanto, já na segunda-feira, 29, foi registada uma nova movimentação envolvendo materiais que podem ser usados em armas químicas, mas também na simulação da sua utilização.
Um grupo de membros da Jeish al-Izza, organização da rede Tahrir al-Sham, terá fornecido contentores de cloro e de gás Sarin ao Ansar al-Tawhid, um grupo ligado ao Estado Islâmico. A operação foi testemunhada em Qalat al-Maziq, localidade situada na região noroeste da província de Hama, e realizou-se sob um grande aparato de segurança.
A quantidade de acções deste tipo registadas nos últimos dias, incluindo mesmo a colaboração entre grupos que entretanto se combatem noutras regiões da Síria, faz suspeitar de que exista uma multiplicação de preparativos de falsos atentados químicos em várias províncias. Trata-se de uma manobra provavelmente coordenada, porque ultrapassa as rivalidades entre várias facções de mercenários, e que poderá estar integrada na criação de condições que “justifiquem” uma nova punição internacional.
A situação demonstra que, numa “coligação internacional” onde são visíveis as divisões internas, existem interessem que pretendem forçar Trump a agir nesse sentido, em interligação com o cenário de eleições para renovação de um terço do Congresso norte-americano, em 6 de Novembro.
Em Washington sabe-se que existem sectores tanto democráticos como republicanos que crêem tirar proveito eleitoral de uma acção desse tipo e que aguardaram um ataque sírio contra Idleb para a proporcionar.
Como Damasco decidiu esperar e tentar resolver a situação mediante o diálogo com a Turquia, desenvolvido através da Rússia, o ataque de potências estrangeiras só teria razão de ser perante uma provocação como a de um falso ataque químico – manobra que tende a ser recorrente.
Resta saber que tipo de operação os Estados Unidos e aliados estarão disponíveis para fazer, agora que sabem da existência de um sistema de exclusão aérea montado pela Rússia e das novas capacidades defensivas proporcionadas por Moscovo à Síria.


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