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INVASORES DO IÉMEN RECRUTAM MERCENÁRIOS EM ÁFRICA

Grupos armados na África Central são fontes de recrutamento de mercenários

2018-10-05

Armando Vicente, Ndjamena

Os Emirados Árabes Unidos estão a recrutar mercenários em tribos da África do Norte e Central para combaterem na guerra do Iémen, revelam activistas do Chade. A operação é conduzida por enviados oficiais dos Emirados, que recorrem essencialmente aos chefes tribais e às redes de traficantes de seres humanos operando na região.

Segundo as mesmas fontes, o recrutamento é efeito com base na oferta de salários entre 900 e 3000 dólares, em troca da concessão da cidadania dos Emirados e sob a cobertura da atribuição de postos de trabalho em empresas de segurança do país.
Trata-se de mais uma variante do método em voga que consiste em desenvolver guerras de agressão por intermédio de grupos de mercenários, numa altura em que o descontentamento e as ameaças de deserção ganham vulto nos exércitos dos Emirados e da Arábia Saudita, apesar de severamente reprimidas.
A primeira delegação de enviados dos Emirados Árabes Unidos visitou o Níger em Janeiro deste ano, avistando-se então com chefes tribais não apenas deste país, mas também do Chade e da Líbia. Cerca de 10 mil mercenários foram contratados durante a viagem, revelam os activistas mobilizados no Chade contra estes procedimentos.

Transferência de terroristas

Os recrutamentos desenvolvem-se essencialmente em comunidades ligadas à pastorícia e ao contrabando. No entanto, admitem pessoas familiarizadas com a actividade, a operação também serve para dar cobertura à transferência de membros de grupos ligados à al-Qaida e outras organizações terroristas que se movimentam nestes territórios.
Também é provável que a acção de recrutamento seja do conhecimento das forças militares norte-americanas cada vez mais implantadas na região, sobretudo no Níger, alegadamente para combater os focos de terrorismo e que pouco ou nada têm contribuído para atenuar este fenómeno.
Sabe-se que, nos três anos de agressão ao Iémen conduzida pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, com apoio operacional dos Estados Unidos e armamento vendido por este país e outras potências da NATO, a presença de grupos ligados à al-Qaida e ao Estado Islâmico aumentou exponencialmente no território iemenita; tornando viável que, por detrás do recrutamento de mercenários em África, esteja o objectivo de reforçar essas organizações, desde sempre apoiadas, directa ou indirectamente, pelos países envolvidos na agressão ao Iémen.
Mohammad Zain Ibrahim, um dos activistas chadianos que denunciou este tráfico, lamenta que “os árabes do Golfo, que nunca quiseram saber dos povos do deserto, os procurem agora para os envolver em conflitos mortais”.
O que acontece “sob os nossos olhos”, acrescenta Mohammad, “é, de facto, uma campanha de recrutamento de mercenários para os usar no combate aos iemenitas, que também são muçulmanos como nós”.
Os activistas chadianos desenvolvem campanhas tentando alertar os chefes das tribos para este tráfico nos seus territórios, mas reconhecem que “as quantias em dólares envolvidas são uma tentação muito forte em comunidades paupérrimas e em territórios dizimados, tempos a fio, pela acção colonial e neocolonial”.



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