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NETANYAHU FALHOU: ISRAEL VOLTA ÀS URNAS

A ruptura entre Netanyahu e Lieberman foi o motivo principal do regresso às urnas em Israel

2019-05-30

Edward Barnes, Jerusalém

Os israelitas voltam às urnas em 17 de Setembro para eleger um novo parlamento (Knesset) depois de o primeiro-ministro indigitado, Benjamin Netanyahu, ter falhado todas as tentativas para formar uma coligação governamental dentro do prazo estabelecido pela lei.

Netanyahu conseguiu juntar 60 deputados para apoiar uma coligação entre o partido direitista Likud e a extrema-direita religiosa. Faltou-lhe um deputado para a maioria necessária (61), que poderia ser garantido pelo grupo fascista Yisrael Beiteinu, mas o seu principal dirigente, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Avigdor Lieberman, esticou demasiado a corda ao entrar em choque  com sectores da extrema-direita fundamentalista religiosa, que receberam o apoio de Netanyahu.

A polémica estalou quando Lieberman avançou com uma iniciativa legislativa determinando que os alunos das escolas teológicas passem a ser tratados sob a lei geral no que diz respeito ao cumprimento do serviço militar. O dirigente do Yisrael Beiteinu chegou mesmo a avançar com um projecto de lei estabelecendo um período transitório para os alunos dessas escolas se adaptarem às novas condições.

Nas últimas horas de quarta-feira decorreu uma verdadeira maratona negocial na qual o primeiro-ministro tentou várias combinações, chegando a propor uma coligação aos debilitados trabalhistas, agora chefiados por Avi Gabbay. Estes rejeitaram a hipótese de participarem numa coligação com a extrema-direita.

Panorama político adapta-se

Na última hora antes da meia-noite, altura em que expirava o prazo, Netanyahu desistiu e apressou as votações de auto-dissolução do parlamento para evitar uma improvável coligação – ainda assim aritmeticamente possível – que excluísse o seu partido Likud.

Pela primeira vez na história de Israel foi impossível formar um governo dentro das sete semanas posteriores a umas eleições gerais. A consulta de Abril vai ser repetida em 17 de Setembro, abrindo-se assim uma nova campanha.

As sondagens de opinião entretanto efectuadas têm vindo a confirmar os resultados de Abril, sem grandes variações, mas isso não significa a certeza de que o impasse tenderá a manter-se.

Têm vindo a notar-se diligências de vários partidos para formarem coligações pré-eleitorais de forma a tirar proveito do efeito de listas conjuntas.

Muito provavelmente, o partido de Avigdor Lieberman entrará em acordo com a Nova Direita de Ayelet Shaked, a polémica ministra da Justiça que lançou recentemente um perfume chamado “Fascismo”. Concorrendo separados, os dois partidos somaram cinco deputados; a formação de uma lista conjunta poderá proporcionar-lhes o dobro – 10 eleitos.

O próprio Netanyahu procura juntar ao Likud o grupo Kulanu, de Moshe Khalon, por sinal um dissidente do partido do chefe do governo.

No essencial, as eleições voltarão a ser disputadas entre dois grandes blocos: o Likud e seus eventuais aliados; e o agrupamento Azul e Branco de Benny Gantz, já de si uma coligação de três partidos direitistas que se apresentam como “centristas”. No entanto, a coligação governamental a formar continuará a estar dependente dos pequenos partidos das áreas fascistas – laica e religiosa.

Nas eleições de Abril a lista do Likud venceu por apenas um deputado, facto que levou o presidente israelita a convidar Benjamin Netanyahu para voltar a formar governo.

Em termos políticos, e apesar do “centrismo” invocado, Benny Gantz não difere muito de Netanyahu em relação às grandes questões de Israel, incluindo as relações com os palestinianos. Militar na reserva com origem na elite paraquedista, foi chefe de Estado Maior das Forças de Defesa de Israel, por exemplo na ocasião em que se deu uma das mais brutais agressões contra a população de Gaza. Da folha de serviços de Gantz constam participações nas invasões do Líbano desde 1982 e missões de chefia na sangrenta repressão contra o chamado Segundo Intifada palestiniano.



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