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GOVERNO DA ISLÂNDIA: “ESTAMOS BEM FORA DA UE”

Katrin Jakobsdottir, primeira-ministra da Islândia

2019-02-16

Pilar Camacho, Bruxelas

Katrin Jakobsdottir, primeira-ministra da Islândia, reafirmou a vontade do seu país de permanecer fora da União Europeia e declarou-se crítica das tendências dominantes na NATO para assumir opções de força.

“Penso que a Islândia não deve entrar agora na União Europeia” e “não vejo qualquer razão para que isso aconteça”, declarou a chefe do governo de Rejkjavick numa entrevista ao website EU Observer. “Pessoalmente sou crítica das políticas económicas da União Europeia e da criação de uma Zona Euro sem efectivas políticas de impostos e fiscais centralizadas”, acrescentou.
Katrin Jakobsdottir, uma académica de 42 anos, ex-jornalista e ministra da Educação, chefia há um ano um governo de coligação formado pelo seu partido, Movimento da Esquerda-Verde, com os partidos Progressista e da Independência. É a segunda mulher a ocupar o cargo no país.
A primeira-ministra declarou-se satisfeita com os benefícios resultantes do facto de a Islândia pertencer a duas associações de comércio livre – a EFTA e o Espaço Económico Europeu (EEE) – salientando ainda que, de acordo com as sondagens mais recentes, 60% da população opõe-se à entrada na União Europeia, contra 40% favorável.
O Banco Central Europeu e a Eurozona são instituições da União Europeia que merecem crítica frontal da primeira-ministra da Islândia. O BCE, disse, “tornou-se realmente poderoso sem ser muito democrático; e as políticas económicas da União têm estado muito distantes dos povos na Eurozona, e criaram divisões que não necessitavam de existir".
A Islândia tinha previsto entrar na União a partir de 2009, mas abandonou o processo de integração em 2015.
“Quando olhamos para a nossa economia, a nossa estrutura social e a nossa forma de fazer política penso que nos temos dado bastante bem sem ser membros da União Europeia”, afirmou Katrin Jakobsdottir. “Se verificarmos os indicadores globais, não temos estado nada mal no desempenho económico, índices sociais ou de igualdade de género, nos quais estamos à frente dos outros países nórdicos”, acrescentou.

Mais diálogo, menos guerra

Apesar de a Islândia ser um país fundador da NATO e o actual governo não alterar a relação com a Aliança, isso não quer dizer que haja convergência em relação aos caminhos trilhados pelo bloco militar.
“Preferimos que a diplomacia e as soluções políticas prevaleçam em relação aos desafios da segurança”, disse Jakobsdottir. “Sou crítica em relação a uma crescente militarização do Atlântico Norte”, acrescentou.
O Movimento da Esquerda-Verde é actualmente o único partido no Parlamento que se opõe à presença na NATO; a coligação governamental formou-se sobre o acordo de não por em causa a participação do país na aliança. No entanto, disse, “não somos favoráveis a uma presença militar permanente aqui na Islândia”. A base militar norte-americana anteriormente instalada no país foi encerrada em 2006.
“Somos mais a favor da procura de soluções pacíficas”, porque “a crescente militarização não é solução”, salientou a primeira-ministra islandesa. “Não desistiremos dessa posição mesmo que haja problemas à nossa volta”, acrescentou.

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