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NETANYAHU ANUNCIA “GUERRA COM O IRÃO”

O tweet original de Benjamin Netanyahu, onde se explicita o "interesse comum" de Israel e dos países árabes do Golfo na "guerra com o Irão".

2019-02-14

Lourdes Hubermann, Varsóvia

O primeiro-ministro de Israel encontrou-se em Varsóvia com altos representantes de países árabes do Golfo para desenvolver “o interesse comum na guerra com o Irão”, de acordo com um twett de Benjamin Netanyahu publicado às 12 e 15 de quarta-feira, 13 de Fevereiro.

A declaração foi tornada pública após uma reunião entre o chefe do governo de Israel, em plena campanha eleitoral, com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Sultanato de Omã.
A reunião na capital polaca foi organizada por iniciativa dos Estados Unidos, que juntou dignitários de países árabes do Golfo e o primeiro ministro de Israel para trocar pontos de vista sobre “a paz e a segurança regional” no Médio Oriente.
No entanto, segundo a agência Associated Press (AP), apesar da designação oficial do tópico da reunião, os países árabes e Israel mostraram interesse, sobretudo, em “concentrar-se no Irão”.
É neste contexto que se insere a mensagem publicada por Netanyahu, que provocou imediata reacção de jornalistas em Varsóvia, que a interpretaram como uma declaração de guerra contra Teerão.
Na sua versão original, na qual se define o encontro como “uma reunião aberta com representantes de destacados países árabes que se sentaram com Israel para desenvolver o interesse comum na guerra com o Irão”, o tweet esteve visível durante cerca de uma hora.
A seguir, o texto foi substituído por um outro, também na conta “PM of Israel”, em que a redacção se mantém excepto na frase derradeira, substituída por “desenvolver o interesse comum de combater o Irão”. Ou seja, a “guerra” foi alterada para “combater”
Os serviços oficiais do primeiro-ministro israelita não fizeram qualquer comentário sobre a alteração de conteúdo. Apenas o jornalista Yair Rosenberg, de Tablet, uma publicação afecta ao governo de Telavive, afirmou que a substituição se deveu a um “lapso de tradução” para o inglês.
Entre os jornalistas presentes em Varsóvia para cobrir esta reunião anti-iraniana, cuja organização foi muito contestada pela oposição polaca por não ser “do interesse da Polónia”, não faltou quem comentasse que o episódio terá sido provocado mais por um “lapso freudiano” do que pela alegada falha de tradução.
“Vai ser difícil as autoridades iranianas acreditarem que alguém como Netanyahu, fluente no inglês norte-americano próprio de quem viveu longos anos nos Estados Unidos, se tenha simplesmente perdido na tradução”, afirmou um jornalista de uma publicação com sede em Teerão.



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