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PENTÁGONO REDIFINE OCUPAÇÃO MILITAR DA SÍRIA

2019-01-16

Edward Barnes, Damasco; com Martha Ladesic, Washington

O Pentágono e os serviços de espionagem dos Estados Unidos estão a adoptar medidas de âmbito militar e de inteligência para manter a presença na Síria e compensar os efeitos de retirada de contingentes militares decidida pela Casa Branca. As iniciativas incluem a manutenção e utilização de bases militares em territórios ocupados na Síria.

Os departamentos envolvidos nestas acções consideram que a retirada de contingentes militares no terreno não podem prejudicar os objectivos estratégicos de espionagem das actividades do exército regular sírio, dos destacamentos aliados russos e das tropas iranianas que alegadamente estariam em território sírio – e que são unidades dos Guardas da Revolução.
Em território sírio ficarão, segundo fontes dos serviços secretos norte-americanos, pelo menos um “grupo de especialistas” associado a “missões de contra-terrorismo”, isto é, acções militares a cargo do Comando de Operações Especiais (USSOCOM) no próprio território da Síria.
Os Estados Unidos designam como “missões de contra terrorismo” as operações desencadeadas no apoio a grupos de “oposição”, designadamente os “moderados”, e que encobrem a longa colaboração que tropas norte-americanas vêm mantendo com as estruturas que combatem o exército soberano, entre elas as organizações mercenárias integradas na al-Qaida e no Estado Islâmico, Isis ou Daesh.
Os “especialistas” no terreno estão igualmente incumbidos de estabelecer um serviço para funcionar a longo prazo e que permita acompanhar as actividades realizadas pelas forças militares sírias e suas aliadas.
As forças especiais norte-americanas continuam a recrutar pessoas fluentes nos idiomas árabe e curdo para facilitarem a comunicação com grupos de “oposição”, de modo a continuarem a guerra contra a Síria.
Os Estados Unidos mantêm em bases na Jordânia e na própria base de Manjib, em território ocupado no Nordeste da Síria, grupos de especializados nesses idiomas para comunicarem directamente com operacionais no terreno.

Espionagem multifacetada

No âmbito das actividades de espionagem, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) vai aumentar a utilização de aviões IVR – Inteligência, Vigilância e Reconhecimento em território da Síria, incluindo drones RQ-4 Global Hawk e Guardrail Beechcraft RC-12. A intenção expressa é explorar os dados obtidos o mais perto possível dos teatros de operações, o que poderá acontecer na Jordânia e na base de Arifjan, no Koweit, onde também estão centralizadas as operações de espionagem cibernética desenvolvidas com a Agência de Segurança Nacional (NSA).
Uma incógnita que se levanta é saber como estes objectivos se concretizam num ambiente alterado desde que a Rússia e o exército sírio têm em funcionamento novos e mais avançados dispositivos de defesa contra ingerências externas, designadamente o sistema de inibição de comunicações que corresponde ao estabelecimento de uma zona de exclusão aérea.
O Pentágono continua a tentar compatibilizar este conjunto de operações com o quadro estratégico estabelecido por Trump ao anunciar a retirada de tropas da Síria. Segundo fontes do Departamento da Defesa, é possível respeitar esse enquadramento contornando-o através do recurso a empresas privadas e aos contratos existentes com os principais parceiros de defesa nesse sector.
O CENTCOM vai continuar a recorrer em território sírio às aptidões de unidades especiais de espionagem, designadamente a 300ª e 500ª brigadas de inteligência militar.



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