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Enfrentada a crise do novo coronavírus na província de Hubei, especialmente em Wuhan, a China reanima decididamente as actividades económicas e sociais tendo também em consideração que está a ser vítima de uma concentração de ataques norte-americanos e ocidentais para conter o país como potência emergente. Pequim reage procedendo à restauração das próprias forças e também no âmbito da parceria estratégica com a Rússia, que adquire novas valências. O mundo está em mudança.
A pandemia de COVID-19 é mais que um “cisne negro” (um facto inesperado, pouco frequente). A pandemia certamente passará, mas a crise ficará – a social, a económica, a política – significando um mundo diferente que nem os mais ousados cientistas sociais e politólogos podem imaginar, com uma estimativa de mais de três mil milhões de desempregados.
Começa a anoitecer. Hoje morreram mais de 21 mil crianças com menos de cinco anos no mundo inteiro — são 7,9 milhões por ano. Entre os principais motivos estão as doenças causadas pela falta de água potável, por um saneamento inadequado ou pelo consumo de água poluída. Há muitos anos que as emergências de saúde relacionadas com a água preocupam muita gente, mas os grupos dominantes, aqueles que têm o poder de decidir, não parecem considerar essencial e urgente tomar medidas para mudar a situação.
Se há domínio onde a futurologia está avançada, tocando mesmo o nível zero de erro, é o das pandemias virais. O Event 201, realizado em Outubro de 2019 em Nova York, antecipou apenas em dois meses o terrível mergulho no desconhecido que estamos a viver. É certo que a vocação assassina do coronavírus parece pecar por escassa em relação às previsões dos adivinhos – 65 milhões de mortos - mas já iremos perceber que a componente de pânico tem papel reservado nestas matérias. Porém, ao cabo de uma década de sucessivas “antecipações científicas”, de que o Event 201 foi a etapa mais recente, há que dar relevo ao acontecimento fundador destes exercícios visionários, datado de 2010 e que revela um realismo gritante. Sobretudo na vertente que começa a ganhar forma à escala global: a imposição do autoritarismo ou a vulgarização do excepcionalismo.
Governos de todo o mundo estão a usar medidas de vigilância com base em alta tecnologia para combater o surto de coronavírus. Mas será que valem a pena? Edward Snowden não pensa assim. O ex-agente da CIA cujas fugas de informação expuseram a dimensão do programa de espionagem dos Estados Unidos alerta que uma vez essas tecnologias postas em prática é muito difícil que regressem à fonte de onde vieram.
As previsões sobre o fim das consequências da pandemia de COVID-19 são cada vez mais imprecisas e complexas e começa a ganhar forma uma certeza construída de incertezas: o mundo não será o mesmo que antes da emergência do vírus. Daí que comecem a surgir reflexões sustentadas – não exercícios de futurologia – sobre o que poderá acontecer daqui para a frente em domínios como o económico, o social, o mundo do trabalho. O Lado Oculto é um espaço de informação e também de debate aberto. Daí que esteja disponível para dar a conhecer alguns desses trabalhos que possam suscitar polémica, reflexão, concordância e discordância num tempo de incertezas.
Com as intervenções oficiais sobre uma declaração de guerra contra o coronavírus e o governo dos Estados Unidos definindo abertamente o COVID-19 como “o inimigo”, era apenas uma questão de tempo até o regime de Washington brandir uma das suas ferramentas favoritas, a espionagem massiva dos cidadãos.
Instituições vocacionadas para a protecção de dados e a luta contra os atentados à privacidade têm vindo a chamar a atenção da União Europeia para a utilização cada vez mais comum das novas tecnologias de reconhecimento facial num quadro de insuficiência legal. Em causa estão o respeito por direitos humanos básicos, pela dignidade e a privacidade dos cidadãos; além de se abrirem, desse modo, novas portas para perseguições arbitrárias, discriminação xenófoba e reforço da pressão sobre refugiados e imigrantes.
Estão em curso importantes mudanças no sector da inteligência no âmbito da União Europeia, impulsionadas pelas novas tecnologias e pelos esforços políticos de integração. Isto acontece na ausência de qualquer debate público, acima da lei e com graves falhas de controlo e supervisão, pelo que volta a correr-se o risco de perder a legitimidade democrática destas transformações.
No passado fim-de-semana o yuan, a moeda chinesa, saiu do seu padrão habitual e desvalorizou-se para mais de sete unidades contra um dólar norte-americano. Ao mesmo tempo, a China anunciou que deixa de comprar produtos agrícolas aos Estados Unidos. A estratégia comercial delineada por Trump e pelos neoconservadores norte-americanos implodiu. Passou-se de uma guerra de tarifas comerciais para uma guerra económica mais ampla, na qual serão aplicadas outras tácticas e medidas.
Em absoluto, a inteligência artificial é uma técnica admirável, um mundo novo susceptível de abrir perspectivas até agora inexploradas pela Humanidade. Em termos práticos, como actividade cujo desenvolvimento está estreitamente ligado aos sectores económico-financeiros dominantes, é um terreno assustador quando nos apercebemos que investimentos esmagadores são destinados à sua aplicação ao controlo psicossocial e à indústria da morte. Um tema para o qual deixamos factos e pistas de reflexão.
O reforço da Informação Independente como antídoto para a propaganda global.
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