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IDLEB PODE SER LIBERTADA SEM COMBATES

Processos de evacuação de terroristas têm sido montados em toda a Síria à medida que cada região é libertada

2018-10-12

Edward Barnes, Damasco

Grupos terroristas que representam as forças dominantes no chamado “governo de salvação nacional” que comanda a ocupação da província síria de Idleb negociaram com os serviços secretos turcos (MIT) as condições de retirada, no âmbito do Acordo de Sochi estabelecido entre os presidentes turco e russo. Se esta decisão for genuína e se consolidar, poderá evitar a ofensiva militar prevista para a região, uma vez que as autoridades sírias recuperarão a soberania sem recurso à força.

A decisão foi tomada depois de várias reuniões entre membros dos serviços secretos turcos e chefes da coligação terrorista formada pela antiga Frente al-Nusra (al-Qaida) e o Hayat Tahrir al-Sham, agora designada Frente Fatah al-Sham. Ambos os grupos terão aceitado dissolver o “governo de salvação” e retirar as suas forças da província. Os dirigentes destas organizações anunciaram que se irão juntar a uma formação de oposição designada Coligação Nacional Síria (CNS), formada no Qatar, apoiada pela NATO e que participa nas negociações internacionais de Genebra.
Os grupos aceitaram dissolver as suas estruturas armadas desde que lhes seja permitido retirar-se em segurança – à semelhança do que aconteceu com outras organizações terroristas derrotadas em Alepo e Ghutta. Isso implica que os membros da coligação não serão detidos pelos governos sírio ou turco.
A retirada, a verificar-se, processar-se-á no âmbito do acordo de Sochi estabelecido, em 17 de Setembro, na cimeira realizada pelos presidentes russo, Vladimir Putin, e turco, Recip Tayiep Erdogan. Nos termos deste entendimento, a partir de 15 de Outubro deverá ser estabelecida uma zona desmilitarizada com uma profundidade de 15 quilómetros em redor de Idleb. Este território neutralizado garantirá uma separação entre as forças sírias e as forças terroristas.
 A coligação que manifesta intenção de render-se é responsável por cerca de 70% das forças terroristas na província.
Em separado, a Frente de Salvação Nacional, outro grupo terrorista presente na região de Idleb, anunciou que começou a retirar o seu armamento pesado, em coordenação com as forças militares turcas. Segundo dados apurados noutras regiões sírias, parte desse armamento pesado está a ser escondido pelos terroristas na província da Lataquia.
Não há conhecimento das reacções mútuas ao facto de os grupos presentes na província de Idleb terem estabelecido acordos com a parte turca do Acordo de Sochi. A Frente de Salvação Nacional e a Frente Fatah al-Sham estão envolvidas em violentos combates entre si em várias zonas da Síria, incluindo as províncias de Idleb e Alepo.
Nos últimos dias, a situação entre os grupos terroristas infiltrados na Síria tem vindo a caracterizar-se pela intensificação dos combates entre si, em defesa dos feudos isolados que vão mantendo de maneira dispersa depois de derrotados nas zonas mais densamente urbanizadas de cada província.

Terroristas combatem-se entre si

Pelo menos sete grupos de mercenários apoiados pelas principais potências da NATO têm-se enfrentado em defesa de pequenas regiões que cada um controla, numa onda de violência que não tem poupado civis, tratados como reféns.
Observadores no terreno consideram que esta situação é muito semelhante à que foi deixada na Líbia depois da intervenção terrorista apoiada pela NATO. Os conflitos de interesses entre os mercenários são mais fortes do que os elos que os levaram a juntar-se operacionalmente, o que, no caso líbio, conduziu ao esvaziamento da autoridade do Estado central e à pulverização de poderes milicianos, tribais e religiosos.
Na Síria, porém, o enquadramento é totalmente diferente, porque as forças militares de Damasco e os seus aliados têm vindo a fraccionar as zonas de influência dos grupos terroristas; e estes, enquanto se combatem, só têm, na verdade, duas alternativas: render-se ou ser aniquilados.
As circunstâncias assim criadas poderiam conduzir ao fim da guerra e à reconquista total da soberania pela Síria. O problema já não é tanto o do conflito em curso, mas sim da intenção manifestada pelas grandes potências da NATO, com os Estados Unidos à cabeça, de reactivar a guerra, nos mesmos ou outros moldes mas com o mesmo objectivo de sempre: derrubar o regime de Damasco.



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