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O TERRORISMO E A MÃE DE TODAS AS MENTIRAS

Uma mentira esteve na base da recente escalada de violência no Médio Oriente que culminou com o assassínio do general iraniano Qasem Soleimani. Suspeitava-se de que assim era, mas o apuramento mais pormenorizado de factos e circunstâncias confirmam-no. O mainstream global evita abordar os acontecimentos segundo este novo ângulo – apesar de o New York Times o ter feito - porque seria obrigado a substituir toda a conveniente narrativa montada. Porém, o que na realidade aconteceu foi: os terroristas do Estado Islâmico realizaram a operação que serviu de pretexto a Trump e ao Pentágono para assassinarem o maior inimigo do Estado Islâmico – e da al-Qaida.

“SOU UM ASSASSINO”, CONFESSA UM OPERADOR DE DRONES

Brandon Bryant foi um operador de drones da Força Aérea dos Estados Unidos durante cinco anos. Retirou-se com a consciência de que não era mais do que um assassino à distância, certamente de muitos inocentes, e decidiu dar a conhecer a existência de um massacre organizado de seres humanos sob a designação de “guerra dos drones”, executado no âmbito da “guerra contra o terrorismo”. “Somos piores que os nazis”, confessou.

NATO VAI SUBSTITUIR NORTE-AMERICANOS NO IRAQUE

A NATO está em pé de guerra, a sua verdadeira natureza. Por ordem de Trump, que já criou sigla para o efeito – NATOME – a aliança está a preparar a substituição dos soldados norte-americanos a expulsar do Iraque por militares de países membros, que ficarão sujeitos ao caos regional criado pelas práticas norte-americanas. Enquanto isso, e porque não pode haver distracções com a “ameaça russa”, o Estado-Maior atlantista prepara para a Primavera os maiores jogos de guerra na Europa dos últimos 25 anos.

TRUMP AO IRAQUE: AS TROPAS OU AS RECEITAS DO PETRÓLEO?

A administração Trump ameaça bloquear a principal conta bancária através da qual o Iraque movimenta as receitas do comércio petrolífero se Bagdade mantiver a exigência de retirada das tropas norte-americanas. Esta é uma das sanções económicas a que os Estados Unidos estão dispostos a recorrer para que não se cumpra a decisão do Parlamento iraquiano contra a ocupação militar.

TERRORISMO EM XINJIANG, UMA ARMA DE WASHINGTON

O separatismo na região autónoma chinesa de Xinjiang e a “libertação do povo uigure surgem nos menus ocidentais para “democratizar” a China, mas a realidade nada tem a ver com as intenções proclamadas e a verdadeira situação no território. Além de Xinjiang ter dado o salto do feudalismo para a modernidade em algumas décadas, a região desempenha um papel fulcral nas acções chinesas de internacionalização. Daí que os Estados Unidos e aliados não tenham hesitado em criar e manipular grupos terroristas “uigures” da família da al-Qaida que tanto estão activos internamente como podem ser exportados temporariamente, como aconteceu na guerra contra a Síria.

IRAQUE EXPULSA INVASORES NORTE-AMERICANOS

A decisão está tomada. O Parlamento do Iraque, seguindo o parecer do governo, exige às tropas estrangeiras que se retirem do país e vedou o espaço aéreo à utilização por poderes estrangeiros. Bagdade pede ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que condene o ataque norte-americano contra o aeroporto internacional da capital e também revogou o pedido de assistência de uma coligação internacional – constituída por Estados Unidos e outros membros da NATO – para o combate contra o Isis ou Estado Islâmico. “O que aconteceu foi um assassínio político; o Iraque não pode aceitar isso”, resumiu o primeiro-ministro Adel Abdul al-Mahdi como razão de fundo para a expulsão das tropas estrangeiras.

ACTO DE GUERRA DE WASHINGTON CONTRA TRÊS ESTADOS SOBERANOS

O acto de guerra cometido em 3 de Janeiro pelos Estados Unidos contra o Iraque, o Irão e o Líbano ao atacarem o aeroporto internacional de Bagdad e assassinarem altos dirigentes iraquianos, iranianos e libaneses aumenta dramaticamente o nível de instabilidade em todo o Médio Oriente e multiplicará o número de incidentes militares através da região. Os assassínios encomendados pessoalmente pelo presidente Trump, na sequência da reunião de Lisboa entre Michael Pompeo e Benjamin Netanyahu, têm ainda uma relevante particularidade: representam uma espécie de ajuste de contas com operacionais e organizações que foram fulcrais no combate a organizações terroristas como o Isis ou Estado Islâmico e a al-Qaida.

MANOBRA DE GUERRA DERROTADA NA ONU

A Rússia e a China vetaram uma proposta de resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que pretendia estabelecer mecanismos ditos de “ajuda humanitária transfronteiriça” para o interior da Síria. A comunicação mainstream aproveitou a situação para desencadear nova campanha de propaganda de guerra contra Damasco, Moscovo e Pequim. No entanto, se fosse de facto a “ajuda humanitária” que estivesse em causa neste processo aos proponentes bastar-lhes-ia fazê-la passar por Damasco, como estabelecem as normas internacionais. Não quiseram.

A GUERRA SECRETA EM ÁFRICA

A corrida aos recursos naturais em África é cada vez mais intensa e implica choques de interesses entre quem os dava como adquiridos por uma espécie de usucapião colonial e potências emergentes que se limitam a seguir as normas concorrenciais estipuladas pela doutrina do “mercado livre”. Considerando-se senhores do território africano, Estados Unidos e NATO reforçam uma presença militar que não hesita em estender-se sob outras bandeiras, como as da ONU e da União Europeia. Trata-se, no fundo, de pugnar por interesses geopolíticos e geoeconómicos com uma poderosa vertente corporativa; do outro lado, Rússia e China marcam posições, com base em crescentes interesses empresariais, incomodando os que se pretendiam “donos daquilo tudo”. É a guerra secreta que progride em África, limitando o direito dos africanos a usufruírem das suas riquezas.

O IMPEACHMENT DE UM REGIME

O mundo está suspenso do impeachment. Parece não se passar nada mais relevante à face da Terra do que saber se o fascista Trump, presidente dos Estados Unidos da América, será substituído pelo fascista Pence até ao começo de 2021, altura em que entrará em funções a nova escolha do establishment que gere o regime norte-americano – sem qualquer dúvida alguém do partido único com duas faces. Para tudo continuar na mesma.

ALGUMAS FICÇÕES DA “LUTA CONTRA O TERRORISMO”

Mesmo com o Daesh/Isis/Estado Islâmico visivelmente enfraquecido, graças à acção conjunta das tropas sírias e russas, a chamada “Coligação Antiterrorista”, patrocinada pela NATO, continua plenamente em funções, certamente no âmbito da famosa “guerra contra o terrorismo”. Uma guerra assente em muitas ficções e cujos objectivos reais não coincidem com o discurso oficial.

DE COMO O OCIDENTE SE ENGANOU NA SÍRIA

Tal como aconteceu com Saddam Hussein e Muammar Khaddafi, as grandes potências ocidentais traçaram o mesmo futuro a Bachar al-Assad: o desaparecimento político, ou mesmo físico. Porém, os terroristas "moderados" apoiados pelo Ocidente na guerra contra a Síria transformaram-se numa apocalíptica máquina de morte e, apesar disso, Bachar al-Assad emergiu como vencedor do conflito e tendo ao lado uma grande potência, a Rússia. Mais uma vez o Ocidente tomou os desejos por realidades, leu a narrativa dos acontecimentos ao contrário e saiu humilhado. Só que isso custou milhões de vítimas, uma crise de refugiados e deixou um país e um povo em ruínas.

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