O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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O ANO DAS COBAIAS HUMANAS

É fácil, e óbvio, designar 2020 como o ano do vírus, ou da Covid ou de qualquer outra coisa aparentada. Mas não será correcto. A verdadeira história do SARS-CoV-2 está toda por contar, desde as origens às confusas estatísticas, sejam as relacionadas com as causas de mortes sejam as resultantes de diagnósticos feitos com base em testes que não foram criados para fazer diagnósticos. Terá, portanto, de passar muito tempo até que se percebam todas as vertentes da pandemia de Covid-19 e respectivos efeitos sobre a formatação do mundo em que vivemos. E o mais certo é sermos confrontados com a inevitabilidade das consequências sem jamais nos ser dada a possibilidade de conhecer como na realidade tudo começou e se desenvolveu, desde a deslavada mentira do “vírus de Wuhan” – que já andava por outras partes do mundo antes de ser identificado na China – até à gigantesca campanha de terror global montada paralelamente à declaração de pandemia.

ABSURDO À SOLTA: COMO ESCAPAR À COVID EM CASO DE ATAQUE NUCLEAR

Uma agência governamental norte-americana publicou uma série de instruções aos cidadãos sobre como se protegerem da COVID-19 em caso de ataque nuclear, não dispensando sequer as máscaras, o gel e o distanciamento social nos abrigos. Como se as consequências de um ataque nuclear fossem geríveis num cenário de normalidade. Não se trata apenas de uma iniciativa absurda: pretende criar a sensação de que a guerra nuclear é compatível com a vida quotidiana, sobressaltada apenas por algumas emergências. Uma estratégia de propaganda cada vez mais dominante e perigosa.

O PARAÍSO DOS MAGNATAS

Meio milhar de indivíduos celebram os tempos em que vivemos enquanto a democracia vai ficando suspensa com sintomas de irreversibilidade, as grandes massas, ansiosas, disputam o acesso a vacinas produzidas com métodos de manipulação genética jamais experimentados em seres humanos e as economias nacionais se afundam.

VÍRUS, FUTUROLOGIA E HORROR À DEMOCRACIA

Tal como se previu ainda antes de o autoritarismo começar a cavalgar a pandemia, a COVID-19 tem as costas muito largas e nelas cabem todos os pretextos imagináveis para usar discricionariamente as alavancas dos poderes, sejam eles nacionais e, sobretudo, globais. Não existe nada tão sensível como a saúde, de cada um e de todos; nada é tão manipulável como uma sociedade reduzida ao medo, agravado através de campanhas de pânico; poucas coisas condicionam tanto os comportamentos humanos como a incerteza. E os que não convivem bem com a democracia aproveitam.

O CENTRO DO MUNDO DESLIZA PARA ORIENTE

A China, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália, a Nova Zelândia e os dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) assinaram a Parceria Económica Regional Abrangente (RCEP), o maior acordo comercial do mundo, um mercado integrado que envolve 30% da economia mundial e 2200 milhões de pessoas. Trata-se de uma grande plataforma que poderá intersectar-se com várias outras entidades regionais da geoeconomia mas também da geopolítica. A comunicação corporativa praticamente não deu por isso, a não ser para dizer que se trata de mais uma arma da China contra “o Ocidente”. Um “Ocidente” que continua a olhar-se como o centro do mundo – e a comportar-se colonialmente como tal. Enquanto ele, o centro do mundo, continua a deslizar inapelavelmente para Oriente.

VIRAM POR AÍ A DEMOCRACIA?

Que há de comum entre a farsa globalizada das eleições norte-americanas e a banalização da imposição de situações que reduzem a pouco mais que resquícios os direitos cívicos dos cidadãos a pretexto, por exemplo, da saúde pública? Na verdade, tudo. São manifestações comuns de uma maneira cada vez mais excepcional de olhar a sociedade em todo o mundo gerido pela ortodoxia neoliberal, ditada pela crise em que continua a afundar-se a própria ortodoxia neoliberal.

A ESQUECIDA PANDEMIA NUCLEAR

A absoluta contaminação mediática pelas informações (e desinformações) associadas à COVID-19, alimentando o clima de pânico entre as populações, tem ainda outro efeito perverso: omite às mesmas populações outras situações igualmente graves e que têm todo o direito a conhecer. Uma delas é a escandalosa decisão do governo do Japão e da empresa que gere a central nuclear de Fukuxima de lançar no mar mais de um milhão de toneladas de águas radioactivas originárias dos reactores fundidos na catástrofe de 2011. Águas que entrarão na cadeia alimentar de milhões e milhões de pessoas. Um acto criminoso que apenas engrossa essa pandemia esquecida: a de índole nuclear – civil e militar.

PEQUIM E MOSCOVO NÃO ACERTAM HORAS POR WASHINGTON

Pequim e Moscovo não acertaram as suas horas pela de Washington durante os últimos tempos, como se fez nos subservientes países ocidentais. China e Rússia têm a sua parceria estratégica em funcionamento e seguem caminhos próprios que não estão à espera de “autorização” decorrente da “escolha” norte-americana. Enquanto decorria o duelo de sociopatas nos Estados Unidos, o Comité Central do Partido Comunista da China apreciou o plano quinquenal até 2025, decisivo no caminho do país para a autossuficiência económica ao mais elevado nível tecnológico. E o “pragmatismo” de Moscovo afinou-se em debates como alternativa aos reconhecidos fracassos neoliberais no Ocidente. São opções próprias que estão a traçar outros caminhos não coincidentes com os do decadente império.

OS INTRIGANTES DADOS DA OMS SOBRE A COVID-19

Segundo o Dr. Michael Ryan, do Conselho Executivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial (780 milhões de pessoas) pode ter sido infectada com o SARS-CoV-2, o coronavírus da COVID-19 – valor muito elevado em relação ao número de casos oficialmente registados (35 milhões). Mediante um simples exercício matemático e tendo em conta que se registaram em todo o mundo cerca de 1,063 milhões de mortes por COVID-19, poderá concluir-se que a taxa de mortalidade do vírus seria de 0,14%, muito abaixo dos 3,4% estabelecidos provisoriamente em Março pela própria OMS. Estes factos estão em cima da mesa e fazem reflectir, pelo menos, no modo como a OMS tem conduzido a gestão da pandemia e respectivas consequências através do mundo em termos de confinamentos e outras restrições na vida dos cidadãos. Há muitas discrepâncias nos números e respectivas interpretações, sendo que as interpretações não sintonizadas com o pânico como doutrina oficial são muitas vezes ostensivamente silenciadas. Uma vez que a origem de todos estes dados é a OMS, O Lado Oculto coloca-os em comparação, de modo a enriquecer o debate e o conhecimento real dos factos disponíveis.

O MUNDO SEGUNDO JOE BIDEN

Donald Trump ou Joe Biden? A escolha que resta aos norte-americanos é esta – dois ramos do mesmo partido único, imperialista e que defende, acima de tudo e custe o que custar, “a liderança dos Estados Unidos”. Trump, o fascismo sem máscara, o racismo, a misoginia, o fundamentalismo religioso sem disfarces, um neoliberalismo adequado ao nacionalismo ultramontano que faz parte da sua essência, o culto dos golpes e da guerra simulando recuos para consumo interno; Biden, o autoritarismo sorridente, o racismo cínico e envernizado, golpes onde for preciso, como o da Ucrânia, guerras a la carte, como a chacina da Líbia; o neoliberalismo globalista e expansionista ancorado num reforço da NATO. Eis a opção que resta aos norte-americanos, com impactos na vida de todos nós. Que venha o diabo e escolha.

VITÓRIA PARCIAL DA VENEZUELA EM LONDRES

Um tribunal britânico de apelo anulou a sentença do Tribunal de Comércio de Londres que permitia ao autoproclamado “presidente interino” da Venezuela, Juan Guaidó, movimentar em proveito próprio e do seu sistema de usurpação as 31 toneladas de ouro venezuelano à guarda do Banco de Inglaterra, no valor de 1800 milhões de dólares. A decisão foi tomada dando razão ao recurso apresentado pelo Banco Central da Venezuela contra a sentença.

NATO OCUPA O BÁLTICO PARA INTIMIDAR A RÚSSIA

Sejam quais forem os governos que estejam em funções, o projecto anti-russo da NATO avança inexoravelmente. Parece que ninguém controla o assunto e que a Aliança assume uma vida própria sobrepondo-se aos executivos dos Estados membros. A colocação de um dispositivo nuclear nos países bálticos, acompanhada por uma sucessão de jogos de guerra sem interrupção na mesma região, é um novo passo na criação de um clima de tensão cada vez mais próximo do conflito aberto. Tensão acompanhada por despesas militares em progressão constante, em prejuízo dos investimentos sociais nos países aliados. E aumentando exponencialmente o tráfego aéreo militar, enquanto a actividade da aviação civil é restringida por causa do COVID.

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