O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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NATO CERCA E PROVOCA A RÚSSIA NO ÁRTICO

Em Março, cerca de 7500 efectivos de combate norte-americanos viajam para a Noruega, onde se juntarão a milhares de soldados de outros países da NATO numa imensa batalha simulada contra forças “invasoras” russas. Neste empenhamento com carácter futurista – que tem o nome de Cold Response (Resposta Fria) 2020 – as forças aliadas “realizarão exercícios multinacionais conjuntos num cenário de combate de alta intensidade em exigentes condições de Inverno”, explicam os militares noruegueses. À primeira vista parece ser mais um dos jogos de guerra da NATO mas, pensando melhor, o Cold Response 2020 nada tem de comum. Em primeiro lugar, é encenado acima do Círculo Polar Ártico, longe de qualquer anterior campo de batalha tradicional da NATO; e eleva para um novo nível a possibilidade de um conflito de grandes dimensões que pode terminar num confronto nuclear e na aniquilação mútua. Bem-vindos, por outras palavras, ao mais novo campo de batalha da Terceira Guerra Mundial.

UM MILHÃO DE MILHÕES DE DÓLARES PARA A GUERRA

No ano fiscal de 2021 o orçamento dos Estados Unidos prevê despesas da ordem de um milhão de milhões de dólares para a guerra, que comparam com 94500 milhões no sector da saúde e serviços humanitários (menos 10% que em 2020), apesar de só nos últimos quatro meses terem morrido 10 mil cidadãos norte-americanos vítimas de gripe comum. São estas as prioridades do regime de Washington, que se diz inquieto com “o ressurgimento de Estados nacionais rivais, nomeadamente a China e a Rússia”. É preciso, diz o documento, “aumentar a nossa vantagem bélica” sobre esses e outros países.

GRÉCIA, UM SATÉLITE MILITAR DE WASHINGTON

A Grécia acaba de abdicar do pouco que lhe restava de soberania ao vender em saldo todas as suas bases militares aos Estados Unidos. A direita governamental acha que foi um “negócio muito vantajoso para os interesses nacionais”. E as hostes de Alexis Tsipras, ditas de esquerda, simplesmente abstiveram-se numa matéria fulcral para a independência do país. Já o embaixador dos Estados Unidos em Atenas, Geoffrey Pyatt, um dos arquitectos dos golpes da NATO na Ucrânia e na Macedónia, acha que se trata de um acordo essencial para “repelir actores maléficos” como a Rússia e a China.

O PETRÓLEO, O MÉDIO ORIENTE E A GUERRA CIVIL CAPITALISTA

Estimado leitor, se lhe disserem que os Estados Unidos são autossuficientes em hidrocarbonetos e não precisam do petróleo do Médio Oriente, não acredite. A guerra sem fim montada pelo Pentágono através de toda a região e algumas extensões geográficas tem a ver com fontes de energia, o controlo das suas reservas, produção e distribuição. Portanto, o que tem acontecido nas últimas semanas, por exemplo a simultaneidade da desestabilização do Iraque e do Irão e a nova fase da guerra na Líbia tem, e muito, a ver com isso.

OS SEGREDOS DO TERROR DE WASHINGTON CONTRA O IRAQUE

Um discurso do primeiro ministro do Iraque no Parlamento, que os Estados Unidos tentaram silenciar, revelou que as manifestações das últimas semanas no país e o assassínio do general Soleimani estão interligadas e foram motivadas, em grande parte, pela assinatura de um acordo económico mutuamente vantajoso entre Bagdade e a China. Um acordo que pôs fim à chantagem norte-americana de só aceitar reconstruir infraestruturas no país recebendo metade das receitas do petróleo iraquiano. Trump exigiu ao governo que rescindisse o acordo; o primeiro-ministro rejeitou. A partir daí passou a valer tudo, incluindo assassínios e ameaças de morte, como a seguir se revela.

A GRANDE ILUSÃO DA ECONOMIA “VERDE”

Sucedem-se as cimeiras climáticas, multiplicam-se as promessas para atingir metas de curto, médio e longo prazo, transformaram-se as questões ambientais em artigos da moda política e mediática e o aquecimento global continua a sua ascensão sem retorno. No centro de toda a novíssima inquietação ecológica estão as elites políticas, governamentais e, sobretudo, empresariais que colocaram o mundo no caminho da catástrofe. Isto é, os que estragam o planeta são os mesmos que cuidam agora de consertá-lo com base em enxurradas de promessas, mas sem mudar de atitudes e comportamentos. Ou seja, a tão propagandeada “economia verde” não passa de uma grande ilusão, melhor dizendo, uma imensa fraude.

GUERRAS DO LÍTIO MOVEM A GEOPOLÍTICA

Golpe de Estado na Bolívia, manobras políticas no Chile que contrariam os objectivos das manifestações populares, intriga política imperial na Austrália, guerras comerciais. Trata-se de acontecimentos que, normalmente, são lidos de forma autónoma com base em incidências locais ou regionais. Porém, não podem ser convenientemente interpretados se não forem observados à luz de manobras geopolíticas de carácter global relacionadas com um novo combustível estratégico, capaz de rivalizar em importância com o petróleo: o lítio. Sem ele não se fabricam as baterias para a indústria de veículos eléctricos, em explosão, e dos mais correntes gadets, a começar pelos telemóveis.

SANÇÕES ECONÓMICAS VIRAM-SE CONTRA A UNIÃO EUROPEIA

As sanções económicas impostas pela União Europeia a reboque dos Estados Unidos, por exemplo contra a Rússia, estão a virar-se contra os Estados membros e acarretam perdas de dezenas de milhares de milhões de euros, de acordo com vários estudos realizados sobre o assunto. A armadilha é ainda mais perversa porque, de acordo com as mesmas fontes, os Estados Unidos não forçam as suas empresas a vincular-se a muitas das sanções, provocando uma evidente viciação da concorrência. Bruxelas marca golos na própria baliza para se submeter a Washington: a economia da União é atingida de vários lados e os resultados estão à vista.

CONTEXTOS DE UM GOLPE ANUNCIADO

Década e meia de gestão presidencial de Evo Morales catapultou o PIB da Bolívia de cinco mil milhões de dólares para mais de 40 mil milhões, isto é, multiplicou-o por oito vezes. A miséria extrema desceu a pique de quase 80% da população para menos de 15 por cento. O crescimento económico anual estabilizou nos quatro por cento. O sistema político colonial transformou-se num Estado plurinacional, as mulheres e os povos indígenas conquistaram as vozes que não tiveram em 500 anos. O regime neoliberal globalista ficou fora de jogo na Bolívia, onde os recursos naturais foram postos ao serviço das populações. Há coisas que o imperialismo e a sua casa mãe, os Estados Unidos da América, não conseguem perdoar no “quintal das traseiras”. Mais cinco anos de espera, pelo menos, não podiam acontecer. Então chegou o golpe.

GASODUTO NORD STREAM 2 VAI SER CONCLUÍDO

O gasoduto Nord Stream 2 recebeu finalmente luz verde do governo da Dinamarca, pelo que pode estabelecer-se a ligação do sector final a Lubmin, na Alemanha, concluindo-se o projecto. A decisão do governo dinamarquês foi tomada com pouca vontade, devido às pressões norte-americanas em contrário e apesar de a obra passar por águas onde não suscita quaisquer preocupações ambientais. Ligando a Rússia à Alemanha, o projecto transporta gás natural para a Europa a preços muito mais acessíveis do que todas as opções disponíveis até ao momento, designadamente a importação de gás natural liquefeito (GNL) norte-americano, a mais dispendiosa - mas que é exigida por Washington através da ameaça de sanções.

ARGENTINA ACORDA DO PESADELO NEOLIBERAL

O pesadelo representado por Mauricio Macri na Argentina está prestes a acabar. À cabeça da ampla coligação Frente de Todos, os peronistas Alberto Fernández (presidente) e Cristina Kirchner (vice-presidente) venceram as eleições sob a promessa de combater a ditadura económica e social imposta pelos Estados Unidos e o seu braço imperial, o FMI. Nos dias em que o neoliberalismo sofre derrotas como na Bolívia e contestação nas ruas do Chile, Equador, Peru e Honduras, os resultados na Argentina desanuviam um pouco mais os horizontes na América Latina e contribuem para isolar aberrações como as do Brasil e Paraguai. Além de devolverem a esperança aos tão martirizados argentinos, vítimas de uma quebra de 10% do PIB em dez anos e das múltiplas tragédias humanas e sociais que isso representa.

O CASO ALSTOM, OU MAIS UMA SUBMISSÃO EUROPEIA

O caso Alstom é mais um exemplo da subserviência europeia aos Estados Unidos. Na sequência de um processo desencadeado por uma suposta fraude cometida num concurso público na Indonésia, a francesa Alstom acabou nas mãos da norte-americana General Electric, que havia derrotado nesse concurso. Um golpe de mão assente na abusiva jurisdição universal das leis norte-americanas traduziu-se na entrega do controlo da energia eléctrica francesa a uma empresa próxima do governo norte-americano. Com a conivência de autoridades francesas e europeias.

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