O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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VIAGEM AO MUNDO DA VERDADE ÚNICA

Uma viagem ao mundo da “estratégia de comunicação” da União Europeia e respectivas emanações é uma experiência indispensável para confirmar os indícios de que os dirigentes europeus convivem cada vez mais desconfortavelmente com a liberdade de opinião. Na verdade, como ilustra essa incursão, já encaram a informação como propaganda, o contraditório como um abuso e a liberdade como um delito. Está aberto o caminho para a imposição da opinião única, em que se baseiam todas as formas de censura, desde a dos coronéis à dos “fact-checkers” contratados a peso de ouro por Bruxelas.

EXTREMA-DIREITA MARCA PONTOS EM BRUXELAS

O recente encontro entre a presidente indigitada da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro húngaro, o neofascista Viktor Orban, revelou uma significativa identidade de pontos de vista em assuntos como a política de migração, a política de defesa e segurança e a indústria militar. “Concordámos com a necessidade de um novo começo e soluções pragmáticas sobre migração”, disse von der Leyen. Em questões de migração, a nova presidente da Comissão “é capaz de pensar com a cabeça dos europeus da Europa Central”, comentou Orban.

A CENSURA DA UNIÃO EUROPEIA JÁ ESTÁ EM MARCHA

Task Force para a Comunicação Estratégica é a nova entidade que, segundo a Comissão Europeia, cumpre "o plano contra a desinformação" que já está a vigorar na União Europeia. Um plano para combater "a deformação e a falsificação dos factos para criar a confusão e minar a confiança das pessoas nas instituições e nos processos políticos estabelecidos". A Task Force é constituída pelos verificadores, os executores do Fact-checking, isto é, os novos censores. Trata-se de impor, na comunicação social, "o respeito pelos nossos valores europeus e os nossos direitos fundamentais", que são também, por exemplo, os do Grupo dos Sete, da NATO, certamente do FMI, do Banco Mundial. Valores e direitos que, por definição, passam a ser os únicos admitidos. O resto é fake: e assim será porque, como em qualquer ditadura, ninguém verifica os verificadores.

JOHNSON, TRUMP E O SALTO NO DESCONHECIDO

Com a designação de Boris Johnson como primeiro-ministro britânico, a vertente anglo-saxónica que gere imperialmente o neoliberalismo globalista fica nas mãos de populistas nacionalistas com vocações racistas e fascistas. É uma alteração qualitativa que deve ser lida em bloco tanto mais que, se o Brexit se consumar, o Reino Unido ficará ainda muito mais interdependente de Washington. Pelas suas características histeriónicas, Boris Johnson vem acrescentar um nível mais elevado de imprevisibilidade a uma situação onde avulta um Trump dramaticamente imprevisível. Estará o mundo, sob o império, à beira de um salto no desconhecido?

URSULA VON DER LEYEN CONFIRMADA POR UM TRIZ

Salvou-se por nove votos. A ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, tornou-se presidente da Comissão Europeia mas os membros do Parlamento Europeu limitaram-se a confirmar por nove votos a escolha feita antecipadamente pelos eurocratas da União. Na realidade, o bloco federalista estilhaçou-se e garantiu à direitista alemã apenas 383 votos dos 747 membros em exercício do Parlamento, o que significa a deserção de 86 membros da maioria institucional que a designou: extrema-direita dos Conservadores e Reformistas (ECR), direita e extrema-direita do Partido Popular Europeu (PPE), neoliberais assumidos (Europa Renovada) e Socialistas & Democratas.

URSULA VON DER LEYEN: ODEIA A RÚSSIA, ADORA A NATO, AMA WASHINGTON

Não se candidatou a qualquer cargo, deu provas de incompetência e pouca transparência à cabeça do Ministério alemão da Defesa, tornara-se um embaraço para os círculos governantes alemães - e surge agora, pela calada da noite, como presidente da Comissão Europeia. Ursula Gertrud von der Layen vai substituir Jean-Claude Juncker; incompetente sucede a incompetente. A von der Leyen, porém, reconhecem-se as características essenciais para chegar ao topo da burocracia da União Europeia: odeia a Rússia, adora a NATO, ama Washington.

EUROPA SUBMETE-SE AO GÁS MAIS CARO “MADE IN USA”

Uma das batalhas energéticas mais importantes para o futuro está a ser travada no campo do gás natural liquefeito (GNL). Considerado como uma das principais soluções para problemas do meio ambiente, o GNL poderá resolver os problemas energéticos de um país ao mesmo tempo que neutraliza preocupações ambientais provocadas por outras fontes de energia. Enquanto isso, um pouco à maneira do dólar norte-americano, o GNL está a transformar-se numa ferramenta que Washington pretende utilizar contra Moscovo à custa dos aliados europeus dos Estados Unidos.

EUROPA AO LADO DE TRUMP CONTRA O IRÃO

As principais potências europeias, Alemanha, França e Reino Unido, continuam a afirmar oficialmente que estão a “tentar salvar” o acordo nuclear com o Irão mas, na verdade, já o venderam aos Estados Unidos. E quando dirigentes europeus visitam Teerão não o fazem para sublinhar a importância de o Irão continuar a respeitar o acordo mas sim para convencer este país a aceitar as exigências dos Estados Unidos e a renegociar o que ficou estabelecido em Genebra.

FRANÇA NÃO QUER A NATO EM GUERRA COM O IRÃO

A França não quer que a NATO seja envolvida numa guerra norte-americana contra o Irão. Mas a missão da aliança no Iraque subiu de nível exactamente para isso...

A EUROPA TORNA-SE REFÉM NUCLEAR DE WASHINGTON

A nova doutrina militar dos Estados Unidos torna a Europa definitivamente refém da política nuclear de Washington, que agora encara a utilização de bombas desse tipo em guerras convencionais

A GUERRA CONTRA O IRÃO ESTÁ EM MOVIMENTO

Segundo as mais fresquinhas informações vindas directamente das águas tépidas do Golfo de Omã, a marinha dos Estados Unidos descobriu fragmentos de minas que há uma semana terão danificado dois petroleiros que estavam de passagem pela região. E segundo as inscrições nelas registadas, agora sim não há dúvida de que o autor da maldade foi o Irão, há que castigá-lo. Razão tinham o presidente Trump e os seus guardas pretorianos Bolton e Pompeo, que juravam desde o primeiro momento ter pressentido as “impressões digitais” de Teerão no incidente. Será assim?

MAIS TROPAS AMERICANAS PARA O MÉDIO ORIENTE

Os Estados Unidos decidiram enviar um reforço de mil efectivos de tropas para o Médio Oriente com o objectivo de “responder aos recentes ataques do Irão”, segundo o secretário da Defesa em funções, Patrick Shanahan. Entretanto correm informações de que o Pentágono prepara “bombardeamentos tácticos massivos” contra alvos iranianos, possivelmente locais da sua indústria nuclear civil.

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